Uma polêmica chamada Belo Monte

Construção da usina no Pará aproxima Serra de Dilma e gera críticas de Marina e ambientalistas

Pollyana Bastos, iG Pará |

Os candidatos à Presidência da República Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) declaram que são a favor da construção da usina de Belo Monte. A candidata do PV, Marina Silva, é contra. Com orçamento de R$19 bilhões e capacidade para abastecer sozinha uma cidade como São Paulo, a usina é tema de campanha.

Dilma Rousseff e José Serra, ao contrário de Marina e dos ambientalistas, assumem posição favorável à construção de Belo Monte, apoiados nos argumentos da "necessidade de geração de energia e do desenvolvimento econômico da região," onde será construída, numa uma área de 516km², no território de cinco municípios paraenses.

Em visita ao Estado, há pouco menos de duas semanas, Serra participou de comício em Altamira, na região do Xingu e declarou que vai levar o projeto adiante caso seja eleito. Dilma Rousseff era aguardada para um comício em Belém dois dias após a vinda de Serra, mas não compareceu.Quem vai à Belém foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Geração de empregos

Lula aproveitou a oportunidade para reforçar em comício ao lado da governadora e candidata à reeleição Ana Júlia Carepta (PT) argumentos favoráveis ao projeto. A candidata do PV, Marina Silva, defendeu o adiamento do leilão para escolher a empresa responsável pela obra, realizado em abril. Na ocasião a candidata do PV alegou que ainda eram necessários mais estudos na região.

Seguindo a pauta dos candidatos à Presidência da República, os concorrentes ao governo do Pará Ana Júlia e Simão Jatene (PSDB) defendem a construção da usina, apoiados principalmente nos dados de geração de empregos. De acordo com o Ministério de Minas e Energia a obra deve gerar 20 mil postos de trabalho direto e 80 mil empregos indiretos.

A oposição no Pará à construção da usina fica por conta dos candidatos Fernando Carneiro (PSOL) e Cleber Rabelo (PSTU), que se declaram contrários à implantação de Belo Monte. Carneiro e Rabelo utilizam o exemplo da usina de Tucuruí para demonstrar “os impactos negativos, que podem ser provocados pelo projeto” no Estado.

Famílias

A previsão é de que pelo menos 6 mil famílias tenham que ser remanejadas da área de Belo Monte.  Os estudos da viabilidade de construção de uma hidrelétrica no rio Xingu, no Pará, começaram na década de 1970, mas desde 2001, com a crise energética enfrentada pelo Brasil, a mobilização para concretizar o projeto de Belo Monte se tornou mais intensa.

Apesar de ser um debate antigo, a construção da usina ainda gera polêmicas e questionamentos, principalmente com relação aos impactos sociais e ambientais da obra. O Ministério Público Federal (MPF), por exemplo, pede explicações sobre esses impactos, principalmente na área da “volta grande.”

Esta área compreende um trecho de 100 km ao longo do Xingu, que corre o risco de secar por causa da obra e prejudicar as 12 mil famílias que vivem no local praticando agricultura e pesca. O MPF também realizou estudos que indicam a possibilidade de a hidrelétrica não gerar energia durante o ano todo, por conta do volume de água no rio.

Na última sexta-feira procuradores do Ministério Público se reuniram com representantes das famílias que vivem no local. Entre os vários problemas apontados, um dado curioso: a falta de energia elétrica para os moradores da comunidade localizada a apenas 300 km da usina de Tucuruí.

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