Três governistas na disputa pela presidência da Alerj

Paulo Melo, Domingos Brazão e Edson Albertassi foram indicados pelo atual presidente da Casa, Jorge Picciani; todos são do PMDB

Flávia Salme e Manuela Andreoni, iG Rio de Janeiro |

Divulgação
O presidente da Alerj, Jorge Picciani, deixa a Casa após cinco mandatos consecutivos e tenta fazer o sucessor
A atual legislatura nem mesmo acabou e já começa a corrida pela sucessão na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Com a derrota do atual presidente da Casa, Jorge Picciani (PMDB), na disputa ao Senado, deputados da bancada governista já começam os preparativos para garantir o controle dos trabalhos nas mãos do PMDB. “Evidentemente que o PMDB se articula para ter o presidente. Eu recomendei, como sugestão, três companheiros do meu partido que gostariam de ser candidatos”, disse Picciani nesta quarta-feira (5).

Os três governistas recomendados são: Paulo Melo, líder da bancada do PMDB; Domingos Brazão, presidente da Comissão de Sanemanento Ambiental, e Edson Albertassi, que preside a Comissão de Orçamento, já se articulam pelo direito de concorrer à vaga. “Tô trabalhando para isso, eu me preparei”, afirmou Melo.

A escolha dos concorrentes, que será feita dia 1º de feveiro, junto com a posse dos deputados logo após o recesso legislativo, vai resultar de muitos acordos que começaram a ser costurados nos gabinetes do Palácio Tiradentes antes mesmo do pleito de outubro. Picciani não nega que, mesmo sem mandato na Assembleia Legislativa, vai tentar influir no futuro da Casa. “Tenho relações construídas muito fortes e sólidas, de muitos anos. Sou referência para muitos que já se elegeram e muitos novos que se elegeram”, disse.

Com o resultado das eleições, o PDT, alçado a segunda maior bancada com os resultados de domingo (3), não deverá ficar de fora da composição da Mesa. “Eu recomendei que os candidatos tenham calma, porque (sem calma) não vão se eleger. Será eleita uma grande aliança, coordenada pela liderança do PMDB, do PT, do PDT, dos partidos”, disse Picciani.

Na Alerj já é certo que essa aliança terá de dar a primeira secretaria da Mesa para o PDT. Picciani dá pistas sobre os nomes cotados para a chapa fomentada pelo governo. “Temos o Wagner Montes, que sai muito reverenciado pelas urnas e deve assumir uma posição de liderança”, adiantou. “O PDT terá esse direito de elencar o segundo principal cargo, que é a primeira secretaria. Tem o deputado André Correa (PPS), que eu considero um dos mais qualificados. É preciso aproximar politicamente o PPS”.

Dividida, oposição faz planos para entrar na disputa

Os planos do governo de garantir a presidência da Alerj por esbarrar na futura bancada de oposição eleita no domingo (3). A partir de 2011, o PR será a terceira bancada da Casa, com nove deputados. Sob a liderança do ex-governador Garotinho, adversário político de Sérgio Cabral, a legenda promete lançar candidato para concorrer à vaga.

“Não sou candidata e nem pretendo ser”, afirma Clarissa Garotinho, filha do ex-governador, eleita com 118.817 votos. “O PR vai se fazer representar de alguma forma, mas considero prematura essa discussão. Quem está preocupada com esse assunto é a base governista”, afirma Clarissa.

A oposição da atual legislatura, contudo, está dividida. Dos 10 parlamentares que não fazem parte da base governista, sete atravessaram o atual mandato votando contra o governo. Apesar da resistência, pelo menos uma parte do grupo não pensar em apresentar candidato para fazer frente à chapa desejada pelo governo.

“Somos oposição ao governo, mas não à mesa diretora. Vamos avaliar as opções, só exigimos que seja alguém que respeite o processo interno da Casa”, avalia um deputado. “Uma coisa é o deputado ser governista e só querer prestar serviços ao governo, a outra é ele ser governista e garantir o processo legislativo”, acrescenta o parlamentar.

Em conversas pelos corredores da Assembleia, os deputados evitam declarar preferência por qualquer um dos três nomes cotados na disputa até agora: Melo, Brazão e Albertassi. Mas algumas opiniões parecem consolidadas. “O Picciani sempre respeitou e garantiu o papel da oposição. No momento, e isto não está nada decido, quem mais se identifica com esse perfil é o Albertassi”, cogita outro político.

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