Travesti fica fora da disputa à Assembleia e vê discriminação

Andrielly Vogue, ou José Adriano Elias, de Curitiba, critica PT do Paraná após não ser incluido na chapa encaminhada ao TRE

Francisco Camargo, iG Paraná |

O travesti Andrielly Vogue, de Curitiba, não esconde sua irritação com o PT. Ficou de fora da composição da chapa proporcional à Assembleia Legislativa do Paraná, encaminhada para registro no TRE. Andrielly Vogue, de registro José Adriano Elias, acha que foi vítima de discriminação. Elias recorreu nesta sexta-feira ao Ministério Público Federal, em Curitiba, pedindo que seja revista a lista das candidaturas para deputado estadual e incluído o seu nome nas cotas para mulheres.

Em seu blog, desabafou: “Depois disso tudo, estou morrendo de vergonha de quem confia em mim. Um ano e meio jogados fora. E agora, como fica?”, indaga.

No pedido administrativo, Elias diz que teve sua candidatura homologada pelo PT, mas, após a confirmação da Coligação União, formada pelo PT, PDT, PMDB, PR, PC do B e PSC, “meu nome não foi aprovado pela executiva estadual.”

Nome social
“Considero, porém, que houve equívoco na não aprovação de minha candidatura, pois o Partido a homologou por meu nome civil, José Adriano Elias, ao invés do nome social Andrielly Vogue, pelo qual sou conhecida há 17 anos”, alega Andrielly Vogue.

E lembra que, nas eleições de 2008, quando concorreu ao cargo de vereadora de Curitiba, o PT fez a homologação e o registro utilizando seu nome social, dentro das cotas para mulheres. O PT, ressalta, é inclusive autor do Programa Brasil Sem Homofobia, lançado em 2004, que visa promover a cidadania e os direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTT).

“Nas eleições deste ano, o equívoco na homologação de minha candidatura acabou por obstar a confirmação e registro, pois nas cotas para mulheres conseguiria ser inserida com sucesso.” Diante disso, requereu do Ministério Público as medidas que entender cabíveis, bem como seja revisto o equívoco quanto à utilização de seu nome civil, para que seja utilizado o nome social “Andrielly Vogue” e, por consequência, seja revista a lista das candidaturas aprovadas para deputado estadual”. E assina, Vulnerável Andrielly Vogue.

“Os preconceituosos vão ter que me engolir”
Militante do movimento GLBTT, Andrielly Vogue teve a pré-candidatura à Assembleia homologada na convenção realizada no dia 28 do mês passado, Dia Mundial do Orgulho Gay. Confiante, não deixava por menos: “Os preconceituosos vão ter que me engolir”.

Sem sucesso nas urnas em 2008, quando disputou uma vaga na Câmara Municipal de Curitiba, Andrielly trabalhava há mais de um ano na nova empreitada e pretendia apresentar projetos para garantir, de fato, a cidadania GLBTT, além de um melhor tratamento para os portadores de HIV.

Apontada como atuante na defesa dos direitos humanos, Andrielly Vogue colaborou, inclusive, na elaboração do Código de Ética dos Travestis. Na convenção do PT, dizia que, assim como o governo Lula, que abriu o debate GLBTT e realizou a I Conferência Nacional da área, iria trabalhar no Legislativo para garantir políticas que combatam a discriminação e respeitem a pluralidade e a diversidade.

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