'Tom brando refletiu novo momento de campanha', diz PT

Coordenação petista avalia que era preciso dar um `freio de arrumação¿ à campanha e diz que sangria de boatos é finita

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

A equipe de coordenação da campanha da petista Dilma Rousseff justificou o tom mais brando adotado pela candidata e o fato de ela não ter abordado temas polêmicos como aborto e casos de corrupção, dizendo que 'agora é outro momento da campanha'. De acordo com o balanço feito pelo partido, a sangria de votos que estava sendo causada pela onda de boatos foi estancada e agora Dilma pode voltar para uma campanha propositiva.

“Naquele momento (do debate da TV Bandeirantes há uma semana atrás) precisava dar um freio de arrumação”, explicou o presidente nacional do PT José Eduardo Dutra. Segundo Dutra, um dos melhores momentos do debate foi quando Serra não respondeu aos questionamentos sobre as privatizações e a geração de emprego.

Michel Temer, candidato a vice na chapa petista, também avaliou que a campanha encontra-se em outro momento. Para ele, o debate foi ‘light’ porque Dilma deu o tom ao evitar temas polêmicos como aborto e casos de corrupção. “Acho que a discussão sobre o aborto acabou. Todos tiveram a delicadeza de não tocar nesse tema. O importante é discutir esses temas que foram debatidos hoje”. Temer concluiu que a petista deixou seu oponente na defensiva ao fazer o candidato responder sobre questões sobre o aborto.

Questionada pelo iG sobre o tema e o motivo de não ter sido assertiva, a petista foi irônica. “Obrigada. Você me achou suave. Ótimo, que bom”. A candidata evitou ainda falar sobre a apreensão dos panfletos atribuídos à CNBB. “Eu não sei se foi a CNBB que produziu. Isso está sob investigação e eu não quero ser leviana”.

A petista, entretanto, evitou dar por encerrado o debate sobre o aborto. “Não sei se é uma página virada porque eu não controlo a central de boatos. Sugiro que você pergunte isso para o candidato adversário”, disse.

Bastidores
A coordenação da campanha preparou a candidata minuciosamente para temas polêmicas que estavam dando o tom da campanha. Dilma tinha perguntas duras que poderiam ser usadas caso o debate tomasse esse rumo. Entre os temas, aborto e casos de corrupção envolvendo o ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto.

Durante todo o debate, grupos de pesquisas qualitativas contribuíram para guiar o tom usado pela Dilma enviando frases sobre os temas propositivos e a questão das privatizações do governo FHC. Foram feitos 14 grupos de vários Estados do Brasil, formados por eleitores indecisos ou os chamados ‘de voto mole’, ou seja, aquele que muda de opinião conforme o debate eleitoral.

A responsável pelo envio das perguntas era a mulher do marqueteiro João Santana, Monica, que recebia as frases ditas nos grupos e repassa, nos intervalos, a Santana e ao Palloci, que orientavam a candidata.

Manifestações
Durante várias vezes, as claques dos candidatos se manifestaram com aplausos e vaias. O destaque ficou para a reação de Marta Suplicy quando Serra afirmou ser o criador o programa Mãe Cegonha.

A senadora eleita por São Paulo gritou bem alto “Opa”. Questionada pelo iG , Marta explicou que criou o programa na sua gestão da Prefeitura de São Paulo e o tucano apenas trocou o nome. “Fiquei revoltada. Ele tem essa mania de desqualificar as pessoas e se apropriar das coisas”.

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