`Todos querem ser herdeiros de Hartung¿, diz analista

Especialistas criticam a falta de oposição e debate na corrida ao governo do Espírito Santo

Paula Daibert, iG Rio de Janeiro |

A um mês da eleição, cientistas políticos afirmam que a campanha pelo governo do Espírito Santo continua apática e com pouco debate. Para Mauro Petersen, professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), tanto o senador Renato Casagrande (PSB) quanto o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), que lideram as pesquisas, “querem ser herdeiros do governador Paulo Hartung (PMDB)”.

A diferença, diz, é que enquanto Casagrande integra o projeto para eleger Dilma Rousseff (PT) presidente, Luiz Paulo precisou concorrer para garantir um palanque a José Serra (PSDB) no Estado.

Para explicar a falta de oposição acirrada no Estado, Petersen lembra as eleições de 2002, que garantiram o primeiro mandato de Hartung. “PSDB, PT e PSB faziam parte de uma grande aliança pra recuperar o Estado, que vinha em crise desde 1990”, diz o cientista político.

A divisão partidária, de acordo com o analista, veio com a chegada das eleições do próximo dia 3, em que esse “condomínio de poder inflado”, como ele qualifica, precisou ser dividido.

“Hartung foi levado a apoiar a candidatura de Casagrande, num alinhamento com a campanha de Dilma”, avalia. “E o Luiz Paulo foi necessário para criar palanque de Serra, no Espírito Santo”, conclui.

Críticas sem ataques

O professor de Políticas Públicas da Ufes Roberto Simões lembra que apesar de ter pertencido à base de Hartung, Luiz Paulo não considera seu governo “perfeito”, com críticas, sobretudo, na área da segurança pública.

Mesmo com as críticas, Simões afirma que a campanha é pouco esclarecedora e os debates, fracos. “Apesar de Luiz Paulo ter uma trajetória com Hartung, o discurso dele dificulta a clareza para o eleitorado”, diz.

Já para Peterson, essa falta de oposição ao governo faz como que pontos que mereciam ser questionados, como insatisfações com as obras do PAC e problemas de logística no Estado, fiquem fora do debate eleitoral.

O cientista político cita apenas a candidatura da ex-deputada estadual Brice Bragato, ao governo pelo PSOL, como representante da oposição e crítica de Hartung. “Há um candidato pró ( Casagrande ), uma contra ( Brice ) e um no meio ( Luiz Paulo )”, resume.

Aliados, sim

Luiz Paulo garante que sua candidatura é de oposição, apesar de elogiar os dois mandatos de Hartung, “Nunca deixamos de criticar”, afirma. “Mas somos contra, mesmo, é ao projeto petista e o Casagrande é o reflexo, no Espírito Santo, do projeto de Lula”, diz.

O próprio adversário do tucano, Casagrande, afirma que eles não disputam em campos rivais. “Não, ele ( Luiz Paulo ) não é de oposição”, diz. “Ele defende a preservação daquilo que foi construído pelo governo ( Hartung )”, reconhece.

Líder nas pesquisas, Casagrande encara o rival com fidalguia e arremata: “Ele é aliado, mas o candidato do governo sou eu. Hartung já declarou isso”, finaliza.

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