TJ nega liberdade ao prefeito de Dourados

Tribunal de Justiça mantém Artuzi preso. Habeas corpus do vice e outros acusados será julgado quinta-feira

Alessandra Messias, iG Campo Grande |

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) indeferiu hoje o habeas corpus que daria a liberdade ao prefeito afastado de Dourados, Ari Artuzi. O desembargador Manoel Mendes, relator do habeas corpus, decidiu preservar a prisão para manter a ordem pública em Dourados. O relatório do magistrado foi aceito por unanimidade.

Artuzi está preso desde o dia 1º de setembro, após ser filmado pela Polícia Federal (PF) recebendo propina de empresas privadas. Após a prisão de 28 pessoas em Dourados, a cidade viveu um caos político e teve a situação totalmente controlada depois das eleições. Segundo o desembargador, a libertação de Artuzi provocaria tumulto no município e mais indignação nos moradores.

Operação Uragano

Ele disse que depois da Operação Uragano, da PF, a Câmara de Vereadores foi toda quebrada e a casa do prefeito foi depredada. Manoel Mendes na hora do voto relatou que são inúmeros os processos contra o prefeito afastado e por esse motivo ele continua preso por suspeita de estar envolvido no esquema de corrupção com “licitações viciadas que desviaram milhões do caixa do município”.

No parecer do relator, a situação de Artuzi é ‘comprometedora’ e por isso não está em liberdade. "Não há fato novo para revogar a prisão", disse o desembargador.Com a ajuda da Polícia Federal, o jornalista Eleandro Passaia gravou vídeo gravado que mostra o prefeito criando provas contra autora de denúncias e com desejo de matar Sizuo Uemura, principal acusado da operação Owari.

"Sócio de Zeca do PT"

Ainda de acordo com o desembargador Manoel Mendes, o vídeo gravado em poder da Polícia Federal revela ainda que Ari Artuzi é "sócio" de Zeca do PT no esquema de desvio de dinheiro para campanha sem declarar a Justiça Eleitoral, o chamado caixa 2.

“Há captação de diálogos entre Ari Artuzi, Eleandro Passaia e João Kruger no sentido de contratarem um terceiro não identificado, mediante paga, para matar Sizuo Uemura, Eduardo Uemura e Helena Uemura,” revela Mendes.

Os demais desembargadores também justificaram o voto como uma medida para evitar o risco de Artuzi influenciar testemunhas. Noutro diálogo entre Artuzi, Eleandro Passaia e Cláudio Gaiofato (assessor especial), o prefeito diz que mandaria comprar drogas e colocar nos pertences de uma mulher identificada como “Preta”.

“Muitos erros”

O recurso seria para transformá-la em uma “testemunha sem moral”. O desembargador Claudionor Abss Duarte declarou abertamente que é contra a libertação porque o prefeito afastado “cometeu muitos erros.” No entanto, Claudionor Duarte foi citado pelo deputado Ary Rigo (PSDB) em gravação da Operação Uragano, por ter “favorecido juridicamente” Artuzi durante escândalo da operação Owari.

O magistrado sempre negou qualquer envolvimento. Rigo também apontou que aos desembargadores do Tribunal de Justiça eram repassados R$ 900 mil mensais e por isso, já havia livrado Artuzi de “encrencas”. O advogado de Artuzi, Carlos Marques, após a decisão saiu do TJ sem falar com a imprensa. Artuzi está preso há 49 dias em Campo Grande, na sede do Garras.

Habeas corpus

Foi adiado para a próxima quinta-feira (21) o julgamento dos pedidos de Habeas Corpus do vice-prefeito afastado de Dourados, Carlinhos Cantor, do ex-secretario Cláudio Marcelo Hall, da primeira-dama Maria de Freitas e vereadores afastados: Humberto Teixeira Júnior, Sidlei Alves e Edvaldo Moreira que continuam presos.


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