Teotonio Vilela Filho (PSDB) é reeleito governador de Alagoas

Com 96% dos votos apurados, tucano é reeleito com 52,8% dos votos válidos contra 47,1% de Ronaldo Lessa (PDT)

Janaina Ribeiro, iG São Paulo |

Depois de quatro meses de uma campanha marcada por troca de acusações e denuncismo, o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) conseguiu sair vitorioso das urnas e conquistou mais um mandato no governo estadual. Vilela teve sua reeleição confirmada às 21h20, quando o Tribunal Superior Eleitoral contava 96% das urnas apuradas. Naquele momento, o tucano tinha 52,8 dos votos válidos, contra47,1% do rival Ronaldo Lessa (PDT), tornando o quadro de vitória irreversível.

Vilela venceu apesar de seu principal adversário ter difundido à exaustão o fato de o governador ter sido denunciado pelo Ministério Público Federal como resultado das investigações da Operação Navalha da Polícia Federal. No primeiro turno, Vilela havia contabilizado 534.962 votos, ou seja, 39,58% do total de votos válidos. Já o seu ex-aliado político e concorrente agora em 2010, Ronaldo Lessa, ficou com o voto de 29,16% dos eleitores (394.155 votos) e terminou em segundo lugar.

Vilela e Lessa protagonizaram o maior embate entre os candidatos que disputaram o governo de Alagoas. Parceiros políticos em 2006, quando Vilela conseguiu se eleger com a ajuda de Lessa, os dois romperam ainda em janeiro de 2007, após o tucano ter dito, em entrevista coletiva, que iria, por meio de decreto, desconsiderar os aumentos dados pela gestão de Lessa porque teria recebido um “rombo” de R$ 480 milhões do antes aliado.

A partir de então, Vilela e Lessa se tornaram inimigos políticos. Em março deste ano, após o pedetista ter anunciado que seria candidato à reeleição, Vilela começou uma campanha de mídia na televisão, no rádio e nos jornais, que trazia as ações desenvolvidas pela sua gestão e a “situação de caos” anterior a elas.

Dono da maior previsão de gastos da campanha alagoana, Vilela previu despesas de R$ 30 milhões da disputa. Seu volume de material pode ser visto, todos os dias, em quase todos os bairros da cidade. Bandeiras, banners, cavaletes, carros de som, bicicletas, adesivos e panfletagem nos sinais. O plano, entretanto, foi complementado com ofensas a Lessa, que conseguiu mais de 10 direitos de respostas.

Na propaganda eleitoral gratuita, a Frente Pelo Bem de Alagoas (PP / PSC / PPS / DEM / PSB / PSDB), coligação Vilela, tinha o maior tempo de TV, 6 minutos e 4 segundos. A tática predominante dos marqueteiros do tucano foi mostrar a trajetória de realizações feitas pelo governo e vender a imagem de capacidade para cumprir as promessas diante dos graves problemas que assolam o Estado, a exemplo do menor IDH do Brasil e do título de campeão em analfabetismo e mortalidade infantil.

A campanha de Vilela só mudava o tom quando atacava a gestão do seu antecessor, referindo-se ao rival como “mentiroso”, “indiciado”, “ódio”, “inveja” e “desespero”. Por conta disso, teve subtraídos vários minutos da sua propaganda eleitoral par conceder direito de resposta ao seu adversário.

Operação Navalha não atrapalhou

Repetindo o que já havia sido mostrado durante o primeiro turno, Ronaldo Lessa voltou a falar, durante todo a segunda etapa da disputa, sobre a Operação Navalha desencadeada pela Polícia Federal em 2007 e desvendou um esquema de pagamento de propinas envolvendo licitações e construção de obras públicas no Estado.

O programa de Lessa veiculava quase diariamente material ligando o governador ao esquema. Vilela foi denunciado por formação de quadrilha, peculato e corrupção passiva e teria ajudado na liberação de verbas para a Gautama (construtora de propriedade do empresário Zuleido Veras) em troca de R$ 500 mil, segundo reportagens reproduzidas no programa.

Jovem senador

Formado em Economia, Vilela estreou na política como o mais jovem senador da República, aos 35 anos, em 1986. Dois anos depois, 1988, ele foi um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB. Entrou para a história política de Alagoas como o único político do Estado a ser eleito, por três vezes consecutivas, para o Senado: 1986, 1994, 2002 e legislou até o final de 2006, quando se tornou governador de Alagoas.

Vilela tem 59 anos, é casado, pai de três filhos e tem como principal hobby a paixão por andar de motos. Segundo ele, o pior momento de sua vida foi a perda do pai, Teotonio Vilela e, o melhor, foi ter sido eleito governador de Alagoas em 2006.

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