Temporão: Serra tem visão pobre sobre tratamento de viciados

Ministro da Saúde rebate críticas de candidato tucano, ex-ministro da Saúde, sobre internação de dependentes químicos pelo SUS

Nara Alves, iG São Paulo |

Agência Brasil
O ministro da saúde, José Gomes Temporão (arquivo iG)
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, rebateu as críticas feitas na última terça-feira pelo candidato tucano à Presidência, José Serra , ex-ministro da pasta. Em encontro com médicos psiquiatras e familiares de dependentes químicos, Serra afirmou que no governo federal "há uma resistência à ideia de que se possa ter clínica especializada para dependente químico".

Em entrevista ao iG neste sábado, Temporão disse que as declarações mostram que Serra tem visão “pobre” sobre tratamento de viciados. "É uma visão simplista, reducionista e pobre do problema. Exemplo disso é ele ter se reunido com psiquiatras para discutir um tema muito mais abrangentem. Nossa estratégia trabalha com uma visão de rede, enfrenta a complexidade do problema com toda sua multicausalidade", afirmou.

O ministro ressaltou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece 35 mil leitos em hospitais psiquiátricos. Destes, 8,8 mil são destinados a dependentes químicos. "Estamos proponto contratar mais mil leitos em clínicas especializadas a partir de um protocolo de qualidade que será lançado na terça-feira", disse. Segundo Temporão, o protocolo irá garantir que clínicas especializadas prestem serviço ao SUS de acordo com as exigências da Organização Mundial de Saúde (OMS). "Existe muita experimentação, sem base científica, e a gente não pode admitir", justificou.

Crack

O ministro da Saúde também ironizou as críticas de Serra sobre o lançamento do programa de ação contra o crack às vésperas do início da corrida eleitoral. "Só na cabeça dele essa ação começou agora. Desde o ano passado o governo investe com a criação de Caps (Centro de Atenção Psicossocial). Há oportunismo da oposição, é um debate político eleitoral".

Ele admitiu, no entanto, que o governo não consegue precisar o número de pessoas viciadas em crack que precisariam de tratamento no Brasil. "Não temos número exato sobre dependentes de crack no Brasil, uns dizem que são 50 mil, outros dizem que são um milhão". Para "buscar" esses dependentes, principalmente os que se recusam a ajuda, o governo criou consultórios de ruas. "A estratégia é tentar atraí-los para espaços institucionais", explica.

O governo federal investiu no problema R$ 250 milhões, segundo Temporão. "Essas pessoas precisam ser internadas em leitos em hospitais gerais, tratadas em clinicas especializadas e na rede ambulatorial. Estamos inovando porque estamos abordando os usuários que vivem nas ruas. (...) E abrindo outros espaços em que têm acolhimento", diz o ministro.

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