Temer garante PMDB no "núcleo mais íntimo" da campanha de Dilma

Candidato a vice e presidente do PMDB reúne lideranças do partido e escala Moreira Fraco para coordenação de campanha

Ana Paula Leitão, repórter do iG de Brasília |

O candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff (PT) e atual presidente do PMDB, Michel Temer, afirmou nesta quarta-feira que o partido vai participar de maneira plena do núcleo decisório de campanha da candidata petista. “A partir desta terça, o Moreira Franco (dirigente do PMDB e ex-governador do Rio de Janeiro) começou a participar das reuniões, de modo que o PMDB agora entrou por inteiro na campanha", disse "E mesmo no seu núcleo mais íntimo”, ressaltou Temer.

A inclusão do PMDB na coordenação foi comemorada por líderes partidários e governadores eleitos em reunião realizada nesta quarta-feira em Brasília. No primeiro turno, integrantes da sigla queixaram-se que foram alijados das decisões da campanha de Dilma, cuja coordenação era formada apenas por petistas. Parte do PMDB avalia que Dilma não deu visibilidade ao partido, o que acabou contribuindo para derrotas na Bahia, com Geddel Vieira Lima, e em Minas Gerais, com Helio Costa.

Logo antes de começar a reunião, Temer admitiu que fez campanha isolado e, com a derrota no primeiro turno, reivindicou à petista maior participação no núcleo decisório de campanha. “Eu senti as queixas do PMDB. Ontem, conversei com a Dilma sobre isso. Eu me mantive discreto no momento em que não se exigia a minha presença, não sei se por erro da coordenação. E ponderei com ela que queremos uma participação mais efetiva na campanha. Eu participei da campanha, fiz o possível. Agora, de fato, fiz o possível individualmente”, afirmou.

Outra reivindicação dos peemedebistas gira em torno do horário eleitoral gratuito, que a partir de agora deve trazer o candidato a vice ao lado de Dilma. “O que o PMDB reclama é não ter aparecido, por exemplo, nos programas de televisão. Eles achavam que se houvesse uma palavra minha chamando os peemedebistas de todo o Brasil, seria útil”, ressaltou.

Representante do partido no comando da campanha, o ex-governador Moreira Franco disse que Temer deve continuar viajando sozinho em busca de apoio político e de votos. “Em princípio, estamos pensando que o presidente Lula cumprirá uma agenda, assim como Dilma e o Temer. Nos eventos de maior importância do ponto de vista eleitoral e político, o Michel e a Dilma estarão juntos”.

Para o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, o PMDB saiu fortalecido do primeiro turno das eleições e agora deve ganhar mais espaço e visibilidade. “É a hora do PMDB. O nosso presidente precisa entrar de verdade nessa eleição. Essa é a hora do nosso partido se afirmar. Nesta eleição não queremos ser apenas um partido que vai torcer pela vitória. Ou ganhamos todos juntos, ou perderão aqueles que se julgam donos do voto”.

Geddel reclama mas promete ajudar Dilma

O ex-ministro Geddel Vieira Lima vai se reunir nesta sexta-feira com prefeitos da Bahia para pedir apoio à presidenciável petista Dilma Rousseff no segundo turno das eleições. Candidato derrotado do PMDB ao governo baiano, Geddel rompeu com Dilma após a presidenciável anunciar apoio ao adversário Jaques Wagner (PT) na reta final da campanha. E chegou a tirar as imagens da petista de seu site.

O peemedebista afirmou hoje que superou as mágoas de Dilma, principalmente depois dos apelos do candidato a vice-presidente Michel Temer. “Claro que tinha ficado mágoa. Foi superado com conversa, com diálogo e com a participação direta de Michel Temer. O candidato a vice-presidente da república é o presidente do meu partido, é o presidente da Câmara, é um militante do PMDB e é alguém com quem eu mantenho uma fraterna amizade ao longo de mais de 20 anos”.

Geddel atribuiu também a derrota da petista no primeiro turno à exclusão do PMDB da coordenação de campanha da petista. “Senti que o PMDB ficou meio fora da campanha presidencial no primeiro turno. Acho que foi uma coordenação mal feita. Certamente por isso houve segundo turno”.

Com a participação do PMDB na coordenação de campanha de Dilma, Geddel garante que vai lutar para transferir à candidata os mais de um milhão de votos que teve na Bahia, mas tudo bem longe do governador eleito Jaques Wagner. “Somos adversários políticos, ele vai fazer campanha de um lado e eu de outro. Agora vamos cumprir o papel dos dois palanques que deveria ter ocorrido no primeiro turno”.

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