Temer celebra pesquisas, mas alerta sobre comemoração antecipada

Candidato a vice-presidente discursou em evento de apoio a Dilma Rousseff realizado no Tuca, em São Paulo

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O deputado Michel Temer (PMDB-SP), candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff (PT), comemorou os resultados das últimas pesquisas de intenção de voto, mas alertou de forma sutil para o risco de se repetir o que ocorreu em 3 de outubro, quando havia uma expectativa muito grande, depois não concretizada, de vitória da presidenciável já no primeiro turno.

“Estamos com um índice percentual muito elevado. As pessoas se assustaram porque não ganhamos no primeiro turno hoje as pesquisas nos dão 12 pontos, mas não vamos nos contentar com isso”, disse Temer, chamando a militância a redobrar seus esforços na reta final da campanha.

As declarações do candidato a vice foram feitas em evento na noite desta terça-feira reunindo juristas e intelectuais no Tuca, teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Durante o ato houve forte repúdio à campanha subterrânea e ao uso religioso de temas como aborto em favor do candidato tucano, José Serra .

“Se não foi a eleição mais sórdida da qual estamos participando, porque em 89 também teria chegado neste nível, é a eleição que mais dói, porque é uma mulher o alvo dos ataques. Isso mostra um pouco do caráter do nosso adversário”, disse a ex-prefeita de São Paulo e senadora eleita Marta Suplicy (PT-SP).

O mais aplaudido foi o Júlio Lancelotti, que lembrou episódio durante um aniversário da cidade de São Paulo. Na ocasião, o padre acompanhou uma manifestação de moradores de rua contra a política supostamente higienista da prefeitura, à época comandada por Serra. Segundo o padre, o bispo que celebrava uma missa foi reclamar que o barulho da manifestação estaria atrapalhando a sua liturgia. O padre Júlio teria respondido ao bispo que a "igreja não tem a tutela da consciência do povo", e que a "missão da igreja é lavar os pés dos pobres e não dominar as suas consciências".

Júlio Lancelotti chamou Dilma de presidente eleita e fez duros ataques ao Serra chamando-o de “pai do higienismo em São Paulo”, criticando ainda os que têm usado temas como o do aborto no contexto eleitoral. “Estão utilizando o nome de Deus em vão e a religião como prisão em vez de libertação”, disse Lancellotti, sendo ovacionado pelos presentes.

Já o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) arrancou gargalhadas quando contou episódio em que seu filho André teria recebido e-mail assinado por Frei Betto apontando 13 motivos para não votar em Dilma.

“Pensei, não é possível uma coisa dessas”, disse Suplicy, falando diretamente ao frei, que estava na mesa, e discursou em seguida, dizendo que “seria capaz de apontar 13 mil motivos para votar em Dilma”.

O teatro estava lotado, com gente sentada até no chão. Havia muitos estudantes e professores. Durante o evento, que lembrava antigas manifestações da esquerda, era possível ver bandeiras da União Nacional dos Estudantes (UNE), do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), de partidos que integram a coligação de Dilma e até do PT - bandeiras já desbotadas pelo tempo.

Embora fosse ato de juristas e intelectuais, a mesa era composta majoritariamente por políticos. Eram 21 políticos, dois intelectuais (Frei Betto e Anita Freire, viúva do educador Paulo Freire) e dois juristas (Gilberto Bercovitch, da USP e Luiz Edson Fachin, da Universidade Federal do Paraná).

Ausente no Tuca, o jurista Celso Antonio Bandeira de Mello, professor emérito da PUC, gravou um vídeo de apoio a Dilma que foi exibido no evento, sendo fortemente aplaudido. Dilma também mandou um vídeo e foi bastante aplaudida, mas algumas pessoas comentaram que ela estava lendo o seu discurso e que sua participação estava fora de tom.

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