Marina e Serra prestigiaram o verde no evento, em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, mas não se encontraram

Aparadas as arestas da coligação para lançar o deputado federal Fernando Gabeira (PV) ao governo do Rio de Janeiro, a chapa PV-PSDB-DEM-PPS foi lançada neste sábado, em meio a um auditório lotado de militantes das quatro legendas no clube Canto do Rio, em Niterói, na região Metropolitana. 

Embora confirmada a presença dos presidenciáveis que integram os dois partidos que encabeçam a coligação fluminense, Marina Silva (PV) e José Serra (PSDB), eles só chegaram depois da convenção, e não se encontraram. 

Gaberia oficializa candidatura ao lado de cartazes dos presidenciáveis Mariana Silva (PV) e José Serra (PSDB)
AE
Gaberia oficializa candidatura ao lado de cartazes dos presidenciáveis Mariana Silva (PV) e José Serra (PSDB)

Segundo o candidato Fernando Gabeira, o atraso dos presidenciáveis ocorreu por problemas na ponte aérea Rio-São Paulo ( onde ambos estavam ). Fotos de Marina e Serra foram colocadas em destaque no palco onde os candidatos da aliança discursavam, separadas apenas por uma imagem de Gabeira.  

A maior parte dos presentes na convenção integrava a base de apoio do presidente do PSDB-RJ, José Camilo Zito, prefeito de Duque de Caxias, na Baixada.

Com uma claque paramentada de instrumentos como surdos, bumbos, caixa e muitas vuvuzelas, Zito defendeu a candidatura de José Serra à Presidência, e criticou a candidata do PT, Dilma Rousseff: “Não queremos passar pela incerteza de quem nunca governou nada e quer ser presidente”.

Em momento algum o presidente do PSDB-RJ mencionou o candidato majoritário da coligação, Fernando Gabeira, que assistia a seu discurso. 

O apoio do PSDB chegou pelo presidente do diretório do partido na capital, Luiz Paulo Corrêa da Rocha. “Gabeira é o melhor de todos nós, o mais qualificado, o que melhor representa nosso estado”, falou, sendo interrompido por gritos de “Zito!”. 

Os demais representantes da coligação declararam apoio a Gabeira, em uma tentativa de mostrar a unidade na chapa. Na quinta-feira (17), a executiva nacional do PSDB tentou desfazer o acordo. Queria que o PPS-RJ retirasse a candidatura do ex-deputado federal Marcelo Cerqueira ao Senado, para ceder a vaga aos tucanos. O objetivo era garantir maior visibilidade a Serra no Rio de Janeiro. 

Na abertura do evento, a atriz Cláudia Ohana leu um texto em homenagem a Gabeira. Lembrou dos tempos de militância política do verde na época da ditadura militar, e ressaltou o potencial do candidato como um líder político. 

Gabeira faz discurso com críticas a Sérgio Cabral

Último a falar, Gabeira recebeu os aplausos da militância de Zito, sob o forte barulho de vuvuzelas. Alguns eleitores do PSDB chegaram a gritar o nome de deputada federal Andréa Zito, filha do presidente do partido no Rio. Imediatamente o grupo ligado a Cesar Maia - que concorre ao Senado pela coligação -  e alguns militantes verdes, que eram minoria no encontro, emendaram o coro com o nome de Gabeira. 

O verde falou que escolheu oficializar a coligação em Niterói para homenagear as vítimas do soterramento do Morro do Bumba, naquele município. Em seguida, ressaltou que defende a candidatura do PV à presidência, mas teceu elogios ao presidenciável tucano, José Serra, que também o apoia no Rio de Janeiro. 

Ao ser oficializado candidato da coligação, Gabeira mirou no governador Sérgio Cabral (PMDB), que concorre à reeleição. Sem citar o nome de Cabral, o verde falou que “algumas pessoas, sobretudo o adversário, sonhavam numa situação no Rio em que não houvesse candidato da oposição, sonhavam com um candidato único”. 

Gabeira acusou o Sérgio Cabral de gastar milhões com propaganda do governo. “A nossa eleição não será simples. O adversário gasta 180 milhões com publicidade. Isso foi o que Obama mandou para o Haiti destruído; que o Paraná investiu para superar problemas naquele estado; é o preço do projeto para evitar queimadas no Amazonas”, falou. 

Ainda com as críticas, emendou: “O candidato aqui vai de Gol; o adversário vai com 5 helicópteros, parece o filme Apocalypse Now. Mas não é isso que vence as eleições. Eles compram pesquisas, compram jornalistas”, atacou. 

Sobre a crise na aliança, insistiu no discurso de que a “a campanha não tem o inimigo do tédio. É emocionante", argumentou. "Até ontem à noite estávamos lutando para desenrolar esse processo aqui, vai ser um processo difícil” reconheceu.

Serra e Marina não se encontram

No início da convenção, líderes partidários anunciavam que o presidenciável tucano José Serra estaria ao evento às 12h30. Ele chegou por volta das 15h, 20 minutos depois de Marina Silva (PV) deixar o local. 

Marina falou que não vê problema em apoiar no Rio o mesmo candidato que Serra. Disse que o acordo prova a competência de Gabeira. “Não vamos subestimar os eleitores, eles saberão distinguir as diferenças”. 

Serra desviou das perguntas dos jornalistas. Questionado se o fato de seu partido não ter conseguido uma vaga na disputa majoritária da coligação poderia prejudicar sua campanha, tentou ser simpático:  “Você acha que se eu achasse que sim, eu iria dizer?”.

O tucano garantiu que a crise da coligação com o seu partido no Rio está superada, mas não respondeu se usará o palanque de Gabeira para fazer campanha no estado. “O meu palanque é o da coligação: PSDB, DEM, PPS e PSC, não é?”, perguntou a assessores, errando um dos partidos. O PSC não está coligado com o grupo. 

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