SPFW fala com candidatos e defende financiamento público da moda

Pela primeira vez em 15 anos, diretor do SPFW entrevista précandidatos à Presidência e defende plano de governo para moda no País

Nara Alves, iG São Paulo |

Pela primeira vez em 15 anos, o diretor do São Paulo Fashion Week, Paulo Borges, irá entrevistar políticos sobre moda, design, inovação e sustentabilidade durante a semana da moda, que começa hoje e vai até domingo na capital paulista.

Borges já gravou com a pré-candidata à Presidência Marina Silva (PV) e marcou entrevistas com José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). As conversas irão ao ar a partir de hoje no site do evento, que terá cerca de 20 milhões de acessos no final da temporada, de acordo com ele.

Em conversa com o iG nesta quarta-feira no pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, o diretor defendeu o financiamento do setor pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e um plano de governo para a moda no Brasil.

AE
Paulo Borges, organizador e idealizador do SPFW, na abertura do evento hoje

Leia abaixo a entrevista com Paulo Borges:

iG - O que moda tem a ver com política?
Paulo Borges - Tudo. A indústria a moda é uma das mais importantes do País. Gera milhões de empregos, gera milhões em impostos, é inclusiva, é educacional, é de transformação, é criativa. Ela é tudo que o Brasil precisa como uma das plataformas de transformação.

iG – Quanto a moda movimenta no Brasil?
PB – São 30 mil empresas que geram US$ 30 bilhões por ano.

iG - O SPFW é um bom palco de exposição para os candidatos?
PB - O meu convite para entrevistá-los não é contar que eles venham aqui. O que nos interessa não é a presença deles aqui. Lógico que a gente fica lisonjeado, mas o que nos interessa é a conversa, que é o que a gente está fazendo. Eu não tenho visto na mídia, como cidadão, a imprensa discutir o Brasil com esses três. Um deles será presidente, a Marina Silva, o José Serra ou a Dilma Rousseff, o novo governante que vai trazer uma continuação, um plano ou uma renovação pro País. E a moda tem que estar participando dessa discussão. A moda tem muita coisa para acrescentar. Todo movimento do São Paulo Fashion Week nesses 15 anos foi pensado através da iniciativa privada.

iG – Deveria ter investimento público?
PB - Tem que ter um plano político de governo, de verdade, como teve a indústria automobilística, a construção civil, o aço. Porque aí tudo se desenvolve. Imagina a quantidade de educação que pode se pensar tecnicamente para moda. A quantidade de projetos de inovação, de design e de fomento à produção que o BNDES possa estar participando.

iG – O senhor declara seu voto?
PB – De jeito nenhum porque eu sou uma pessoa pública que mexe com milhões de pessoas. Não posso induzir as pessoas ao declarar meu voto. Mas eu quero trazer os políticos para discutir a moda. Não importa quem vai ser prefeito, governador ou presidente. Quando a gente começou o SPFW era a Marta Suplicy, depois o Serra assumiu e agora o Gilberto Kassab. A gente tem diálogo com todos.

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