Sozinho na CNA, Serra ataca governo Lula e relação com MST

Candidato tucano ao Palácio do Planalto foi o único dos três principais presidenciáveis a aceitar participar do evento

Adriano Ceolin, iG Brasília |

nullÚnico dos três principais presidenciáveis a aceitar participar da sabatina da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), José Serra (PSDB) aproveitou a para fazer um discurso recheado de afagos ao setor agrário. Serra fez duras críticas à elevada carga tributária, à política comercial, à concessão de crédito agrícola. Também ensaiou promessas para a área e atacou o Movimento dos Sem-Terra.

"O MST é um movimento que se diz de reforma agrária para usar a ideia de reforma agrária para um movimento de natureza revolucionária e socialista no Brasil", disse Serra, acrescentando não ter "nada contra" essa abordagem. "Só sou contra, primeiro, que usem dinheiro do governo para isso. Ao governo não compete dar dinheiro aos diversos movimentos de forma disfarçada."

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Questionado sobre o compromisso entre ambientalistas e agropecuários, o presidenciável tucano disse que o debate ideológico é muito importante no sentido de mostrar números, pensamentos históricos e a situação atual. Citou que, neste debate, é melhor ser hipócrita do que ter vícios. "Para que coisas importantes aconteçam ou você tem um poder repressivo forte ou tem um ambiente em que todos ganhem". Nesse contexto, citou o apoio que teve da população quando foi liderou a pasta da saúde.

Do ponto de vista da administração da agricultura, Serra questionou a dualidade na agricultura brasileira. “A agricultura brasileira não pode viver no atraso. Ela tem que ser cada vez mais empresarial”, disse o candidato citando que, não se pode ter dois ministério com políticas diferentes.É ineficiente”. O tucano ainda criticou veemente o desenvolvimento brasileiro ao citar que o atual eixo dinâmico de crescimento está se deslocando para cima (parte do norte de SP, MG, GO, RJ e ES). “Daqui 20 anos, essa será a São Paulo do Brasil. É preciso nivelar por cima, para que não sejam criados bolsões de pobreza, como existe hoje”.

Serra questionou o planejamento das obras para o Nordeste brasileiro. Prometeu, caso seja eleito, que acumulará por seis meses os cargos de Presidente da República e presidente da SEDENE por seis meses. “A SUDENE do Celso Furtado não caberia nos dias de hoje. O Brasil mudou. Naquela época industrializar resolvia”, argumentou o candidato. O tucano citou que a região tem pólos industriais de grande dinamismo e que, na questão de agricultura e indústria, é preciso ‘israelizar’ o Nordeste. “Vale pesquisas no semi-árido, se investir muito é pouco do ponto de vista de gastos”, apontou.

AE
Serra afaga setor agrário em evento da Confederação Nacional da Agricultura
Ao falar da política tributária, Serra declarou que, entre os emergentes, o Brasil tem a maior carga tributária e que não deve ser exibida com orgulho. “Não devemos comparar os índices com os países desenvolvidos e sim, com os ‘comparáveis’. Quando o Brasil vier a ser um país desenvolvido, o País terá outro índice”, ressaltou. O tucano exaltou o regime de meta de inflação e de câmbio flutuante criado na administração de Armínio Fraga no comando do Banco Central, ainda sob o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele são regimes que têm combinação virtuosa e competente, para mais ou para menos, o que exige uma maior atenção do governo.

Ao falar sobre a política comercial, Serra tomou como exemplo as exportações de carne. "Não há agressividade na política de comércio exterior, o que é fundamental", disse Serra. “Nós ficamos para trás em material comercial”, completou. Ele apontou que há países na lista de compradores do Brasil que recusam carne produzida no País, sob o argumento de que haveria risco de incidência de febre aftosa. “Carne desossada não tem aftosa e tem países que não importam com preceito da aftosa. Oras, cadê a diplomacia econômica “, provocou.

Serra prometeu criar o "defensivo genérico" e propôs uma política para desenvolver o "transgênico verde-amarelo", para evitar que os produtores nacionais fiquem reféns de tecnologia estrangeira. E, ao falar de políticas de incentivos concedidos ao setor, engatou mais um ataque ao governo: "Temos um governo que se diz nacionalista, de esquerda. A meu ver não tem nada disso. Fica assistindo contemplativamente", disse o tucano. Serra disse que o governo Lula faz o oposto do que promete, não concede o crédito necessário aos produtores locais.

Serra participa da sabatina da CNA - entidade presidida pela senadora Kátia Abreu (DEM) - um dia depois de encerrar a novela sobre a escolha de seu vice para a corrida presidencial deste ano.  Solucionado o problema, o tucano tenta se concentrar na campanha e nos confrontos com a petista Dilma Rousseff .

Tanto Dilma quanto a senadora Marina Silva (PV-AC) recusaram o convite da CNA. A candidata do PV, por exemplo, chegou a divulgar nota explicando que optou pela ausência por avaliar que faltaria isonomia ao evento. Dilma avisou desde o início das negociações que não estaria presente.

Logo na abertura da sabatina, que ocorreu com cerca de uma hora e meia de atraso, Kátia Abreu encarregou-se de criticar Marina e Dilma pela ausência no encontro. “Infelizmente, nós gostaríamos muito de haver um debate. O silêncio de certa forma confunde os eleitores. Tiram deles a oportunidade do debate”, disse.

Serra, por sua vez, batizou o setor agrícola "galinha de ovos de ouro", que teve uma capacidade extraordinária de sustentar a balança de pagamentos brasileira e segurado a inflação e o desequilíbrio externo do Brasil, segundo ele, a pleno galope. Para o candidato tucano, a capacidade do setor aumenta o consumo, o que significa que a classe mais pobre está se alimentando melhor.

Desde que Dilma cresceu nas pesquisas, Serra busca o enfrentamento para tentar se mostrar mais preparado do que ela. No debate da CNI em maio passado, antes de dar inicio a sua fala, cobrou a realização de confrontos direito entre os concorrentes à presidência. Nesta quarta-feira, comemorou o fato de ter resolvido a polêmica indicação. “Já tendo vice eu vou ter muito mais tempo para responder perguntas sobre que vou fazer no Brasil”, completou.

Conclusões
Em suas considerações finais, o tucano falou que a conduta política e partidária de quem comanda um governo deve servir de bom exemplo. Citou que tem a intenção de ‘estatizar o estado brasileiro e as agências reguladoras’ por conta da apropriação que aconteceu por parte do setor privado. Ressaltando que o governo não é lugar para se aprender e sim, governar, o tucano pontuou que uma gestão eficiente tem que ser por resultados. “Para melhorar os serviços públicos, extrair o máximo daquilo que se gasta”. Por último, afirmou que, hoje, substituem na política realização por propagandas e considerou que investir em parceiras público privado é fazer ‘juntos de maneira passional’.

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