Sobrenome ajudou parentes de políticos a garantir vaga na eleição

De carona na tradição familiar ou engajados desde cedo na vida pública, candidatos com parentes famosos têm sucesso nas urnas

Alessandra Oggioni, iG São Paulo |

Com sobrenomes conhecidos e acostumados à vida pública, diversos parentes de políticos tiveram sucesso nas urnas nestas eleições. A premissa vale para integrantes de clãs tradicionais, como o da família Sarney, ou provenientes de núcleos políticos conhecidos regionalmente.

Em Alagoas, a família Calheiros agora tem novamente um representante na Câmara, desta vez com Renan Filho (PMDB). Filho do ex-deputado e ex-senador Renan Calheiros (PMDB), ele foi eleito o deputado federal mais votado no Estado, com mais de 140 mil votos. Antes disso, Renan Filho já havia entrado na vida pública como prefeito do município alagoano de Murici por dois mandatos (2004 e 2008).

Com vitória apertada, a governadora Roseana Sarney (PMDB), filha do ex-presidente e senador José Sarney, foi reeleita em primeiro turno no Maranhão.

Depois da ameaça de ficar fora das eleições por supostamente estar incluída na Lei da Ficha Limpa, o Tribunal Superior Eleitoral confirmou a candidatura de Roseana na reta final da campanha. Nas urnas, ela confirmou a tradição política da família no Estado.

Impedido de concorrer a cargo público após ser cassado por causa do escândalo do mensalão, o ex-ministro José Dirceu (PT) fez campanha para o filho Zeca Dirceu (PT) na corrida à Câmara. Ex-prefeito de Cruzeiro do Oeste (PR), o candidato acabou preso no dia da votação acusado de fazer boca de urna. No entanto, o percalço não impediu o sucesso nas urnas e, com o reforço do pai, Zeca foi eleito deputado federal pelo Estado do Paraná.

Em alguns casos, entretanto, o quadro é outro. Também réu no processo sobre o mensalão, o deputado José Genoino (PT-SP) amargou uma derrota nas urnas no último domingo. Já seu irmão José Nobre Guimarães (PT-CE), que também é deputado mas não compartilha o sobrenome com o ex-presidente do PT, foi o segundo candidato mais bem votado no Ceará para a vaga, com 210 mil votos. Em 2005, Guimarães teve um assessor preso em flagrante com US$ 100 mil na cueca. O escândalo resultou na queda de Genoinio do comando do partido. Com disso, Guimarães também foi acusado de envolvimento no esquema do mensalão.

Em São Paulo, Bruno Covas (PSDB), neto do ex-governador Mário Covas (1930-2001), foi reeleito deputado estadual. Advogado e economista, ele admite que o sobrenome “pesa” na conquista dos eleitores, mas diz que a influência serve apenas para os primeiros mandatos. “Ser parente de político é igual ser parente de cantor. Pra se lançar, sempre ajuda, mas daí pra frente tem de saber cantar”.

Outro nome que surgiu neste pleito foi o de Bruna Furlan (PSDB), de apenas 27 anos. Influenciada pelo pai, Rubens Furlan, prefeito da cidade de Barueri (SP), ela foi a terceira candidata a deputada federal mais votada do Estado de São Paulo, com mais de 270 mil votos.

*Colaborou Nara Alves, iG São Paulo

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