Em clima de campanha, milhares de sindicalistas se reuniram no Pacaembu, em São Paulo, para aprovar documento com reivindicações

Em clima de campanha eleitoral, milhares de sindicalistas se reuniram hoje (1º), no estádio do Pacaembu, em São Paulo, para discutir e aprovar um documento com as principais reivindicações e propostas da classe trabalhadora. Embora parte dos presentes defenda a isenção partidária como forma de preservar a autonomia sindical em relação a governos, as manifestações de apoio ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva e à pré-candidata petista Dilma Rousseff deram a tônica do encontro.

Organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) ocorreu 29 anos após a histórica assembleia unificada que, em 1981, que reuniu, pela primeira vez, os principais sindicatos brasileiros em luta pela redemocratização do país.

Segundo o presidente da CUT, Artur Henrique, o texto aprovado ao fim do evento será apresentado a todos os candidatos à Presidência da República, de quem os sindicalistas cobrarão o compromisso com a pauta apresentada. Segundo Henrique, a intenção é interferir no processo eleitoral por meio das sugestões dos trabalhadores e, posteriormente, cobrar do próximo governo a sua implementação.

Para Henrique, a união das cinco centrais em torno de um objetivo comum é um sinal da maturidade do movimento. “Percebemos que se continuarmos lutando entre nós não vamos conseguir nada. A assembleia mostra a maturidade do movimento sindical para construir a unidade quando esta é do interesse da classe trabalhadora, mesmo com as diferenças de concepções e de práticas que continuam existindo entre as centrais”.

Discutida ao longo de quase seis meses pelos dirigentes sindicais, a agenda conjunta das entidades está dividida em seis eixos considerados estratégicos: crescimento econômico com distribuição de renda e fortalecimento do mercado interno; valorização do trabalho decente com igualdade e inclusão social; valorização do papel do Estado como promotor do desenvolvimento socioeconômico e ambiental; democracia com efetiva participação popular; soberania e integração internacional e garantia dos direitos sindicais e das negociações coletivas.

Cada eixo é dividido em vários tópicos que vão da defesa da jornada de trabalho de 40 horas semanais ao estabelecimento de limites às grandes propriedades rurais e à atualização dos índices de produtividade no campo, passando pelas reivindicações de universalização do ensino público e dos serviços de saúde, reformas tributária e política, fim das terceirizações e do fator previdenciário, entre outros pontos.

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