Sindicalistas dissidentes preparam ato de apoio à Marina em SP

Cerca de 300 sindicalistas dissidentes da CUT, UGT e Força Sindical lançarão manifesto de apoio à candidata do PV no dia 24

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

Em resposta ao apoio informal que os dirigentes das principais centrais sindicais do País preparam para a candidata Dilma Rousseff (PT), sindicalistas "dissidentes" da CUT, UGT, CGTB e Força Sindical preparam para o próximo dia 24 de agosto um ato de apoio à Marina Silva , presidenciável do PV.

O encontro acontecerá em São Paulo, uma semana depois do encontro dos sindicalistas com a candidata Dilma Rousseff, que deve ocorrer no dia 17 na Casa de Portugal, centro da capital paulista.

O evento de apoio à Marina Silva deve reunir pelo menos 300 sindicalistas de várias partes do Brasil. A exemplo de Dilma Rousseff, os dissidentes também devem divulgar um manifesto de apoio à candidata do PV e às suas propostas de meio ambiente.

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Marina Silva discursa em lançamento de comitê suprapartidário de campanha, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Ex-sindicalista, ela receberá apoio de dissidentes sindicais
A ideia dos sindicalistas que apoiam Marina também é apresentar um documento para a presidenciável verde com seis diretrizes básicas reivindicadas pelos trabalhadores, como a redução da jornada de trabalho sem redução de salário, manutenção da política de valorização do salário mínimo, distribuição de renda, inclusão social e igualdade de trabalho.

Um dos articuladores do encontro entre os sindicalistas e Marina Silva é Temístocles Marcellus, dirigente do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde MG), que é filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Segundo ele, a proposta do grupo é apoiar uma candidata que nasceu na base sindical e nos movimentos sociais. “A exemplo de Lula, Marina é uma legítima representante da classe trabalhadora. Não temos motivos para apoiar uma candidata que nunca se importou com os sindicatos quando estava no Ministério das Minas e Energia”, afirma Marcellus ao se referir a Dilma.

O dirigente condena a articulação que os principais dirigentes da CUT, UGT, CGTB e Força Sindical preparam para a candidata do PT e afirma que as centrais há muito tempo se transformaram em aparelho de Estado, se distanciando dos movimentos sociais. “As centrais sindicais viraram extensão do Estado. Essa confusão enfraqueceu a atividade sindical no Brasil e está enfraquecendo o movimento de trabalhadores”, pontuou.

Segundo o assessor de Marina para assuntos sindicais, Pedro Ivo, que é ex-dirigente da CUT, o estreitamento das relações entre a candidata e os sindicalistas quer mostrar que a presidenciável não perdeu o vínculo com os trabalhadores, apesar de sua saída do PT. Ex-dirigente do Sindicato dos Professores do Acre e da própria CUT, Marina sempre foi ligada aos movimentos sociais em seu Estado natal, mesmo estando no Senado, segundo Ivo.

Divulgação
O presidente da CUT, Artur Henrique:¿Somos cidadãos e temos o direito de fazer campanha e declarar voto para quem quer que seja"
Legislação

Apesar do engajamento das centrais na disputa presidencial, de acordo com a legislação vigente nenhuma entidade sindical pode apoiar qualquer candidato. Segundo o presidente da CUT, Artur Henrique, o movimento que acontece dentro das centrais é iniciado pelos dirigentes e não tem nenhum vínculo institucional. “Somos cidadãos e temos o direito de fazer campanha e declarar voto para quem quer que seja. O que precisa ficar claro é que não é a entidade CUT que apoia a Dilma, são os dirigentes, que deliberaram em reunião que se empenhariam na campanha dela, como qualquer eleitor pode fazer”, afirma.

Perguntado sobre o motivo da escolha dos dirigentes da CUT por Dilma e não Serra ou Marina, Artur Henrique disse que a candidata do PT é a única capaz de implementar uma agenda compromissada com os movimentos sindicais. “Sempre defendi a permanência de Marina no PT porque o Partido Verde nunca foi verde no Brasil. Aliados com o PSDB em vários Estados, ela não tem nenhuma condição de lutar pelos interesses dos trabalhadores”, disparou o presidente da CUT.

O presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah, também usa o mesmo argumento. Apesar de não abrir o seu voto, ele vê com naturalidade o engajamento dos sindicalistas da central na campanha presidencial. “Os sindicalistas são legítimos membros dos movimentos sociais. Eles têm o direito de expressar sua opinião política acima de qualquer coisa”, justifica.

Bate-boca

O apoio das centrais sindicais a esse ou aquele candidato sempre deu o que falar e nesta eleição presidencial não é diferente. Apesar de negarem a institucionalização do apoio à Dilma, no dia 11/07 cinco centrais sindicais assinaram um manifesto contra o candidato do PSDB à presidência, José Serra, acusando o tucano de “mentir” sobre a criação do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Intitulado “Serra: impostura e golpe contra os trabalhadores”, o manifesto causou intenso bate-boca entre tucanos e petistas, além de causar grande racha dentro da Força Sindical, uma das centrais que endossou o documento. A entidade tem grande influência de políticos tucanos e muitos sindicalistas acusaram o presidente interino da entidade de agir por conta própria, sem consultar as bases.

O caso também causou racha dentro da UGT, que tem políticos ligados ao PPS, partido de sustentação de Serra no Estado de São Paulo. O presidente da entidade evita apontar qualquer candidato como preferido, mas não esconde a preferência pelo projeto do presidente Lula: "Foi o melhor presidente que esse País já teve", diz Patah.

Apesar de não esconder a mágoa pelo apoio da CUT à Dilma Rousseff, Marina tem defendido há várias semanas o posicionamento das centrais e até de igrejas e religiosos sobre as eleições. Há quem diga dentro do Partido Verde que a candidata vem calibrando o discurso de conciliação com o grupo sindical, pensando em angariar ainda mais apoio dos sindicalistas dissidentes de outros partidos num hipotético segundo turno. Segundo Pedro Ivo, o interesse da candidata é de apenas estreitar os laços com os sindicatos, que desde sempre apoiavam Marina no Acre. "Marina quer fazer aliança com todos os núcleos vivos da sociedade. Os sindicatos fazem parte dessa aliança social e são muito bem-vindos nessa corrente", afirmou. 

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