Servidor tirou férias para campanha de Mercadante

Funcionário do Senado diz que trabalha como voluntário no comitê do candidato sem receber nenhum valor extra pela atividade

Agência Estado |

O motorista Carlos Leal, funcionário do Senado lotado no escritório político do senador Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo, tirou férias para trabalhar na campanha do patrão. Hoje, ele acompanhava o candidato em corpo a corpo nas ruas de Capivari, no interior de São Paulo, e dirigia um dos veículos usados na campanha.

"Sou funcionário, sim (do Senado), mas tirei férias na sexta-feira passada e estou livre para fazer o que quiser." Leal é um dos 16 servidores que o Senado mantém no gabinete político de Mercadante, na Vila Madalena, em São Paulo. Ele disse que trabalhava na campanha como voluntário e não receberia nenhum valor extra. "Sou militante do PT e já fui até presidente do diretório do partido na minha cidade", justificou.

Na quinta-feira, a Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo abriu procedimento para investigar o uso de servidores pagos pelo Senado na campanha do PT ao governo paulista. A prática foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e envolve também o senador Romeu Tuma (PTB), que disputa a reeleição.

Em carta ao jornal, o candidato petista afirmou que não usa funcionários do Senado em sua campanha, mas apenas para atividades relacionadas com o exercício do mandato parlamentar. Mercadante disse que considera a investigação positiva. "Só vai reforçar o que eu disse." Não quis, porém, falar sobre a presença de funcionário do Senado na comitiva de campanha. "Acho que a minha carta esclarece esse episódio e ele está totalmente superado." Ante a insistência do repórter, limitou-se a perguntar: "Qual é o próximo assunto?"

Campanha
Mercadante esteve em Capivari na companhia do senador Eduardo Suplicy. Nas ruas, pegou carona na popularidade dos artistas Netinho, que concorre ao Senado, e Agnaldo Timóteo, candidato a deputado. Falando a cerca de 80 militantes num restaurante da cidade, disse que seu primeiro ato, caso eleito, será acabar com a aprovação automática nas escolas.

"Essa coisa de passar sem saber e sem assistir aula vai acabar no Estado." A uma queixa do prefeito de Capivari, Luis Campaci (PMDB) de que a cidade está cercada por pedágios e tem estradas ruins, disse que o pedágio é imposto disfarçado e tem preços altos. "Vamos reduzir as tarifas, acionando a cláusula do equilíbrio financeiro dos contratos." Também prometeu reativar as ferrovias.

Mercadante defendeu a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso da presença das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território venezuelano, que gerou uma crise entre Colômbia e Venezuela. "O Brasil é um fator de estabilidade política na região e já mediou o conflito entre Venezuela, Colômbia e Equador com sucesso." Ele disse que o governo Lula é "melhor que o de FHC" também nisso e cobrou a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na campanha do PSDB. "Cadê o FHC nessa campanha?", indagou.

Mercadante atribuiu ao "nervosismo" da oposição as declarações sobre suposta ligação do PT com as Farc. "Em período de campanha, quando os adversários estão nervosos, recorrem a esse tipo de prática. Li que um candidato dos Democratas foi preso por tráfico de drogas, mas nem por isso vou fazer ilação de que as lideranças tenham qualquer conivência com esse tipo de situação."

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