Serra sobe tom e critica biografia de Dilma

Em evento de prefeitos tucanos em SP, Serra diz que não precisa ¿trancar biografia num cofre¿ ou ¿mudar de cara¿

Nara Alves e Piero Locatelli, iG São Paulo |

O candidato do PSDB à Presidência subiu o tom hoje contra sua principal rival, a petista Dilma Rousseff, e atacou diversas vezes sua biografia. “Nenhum pedaço da minha biografia precisa ficar trancado em um cofre (...) Não preciso de marqueteiro para mudar minha cara”, disse. As afirmações foram feitas durante encontro com cerca de 2 mil militantes, entre eles 353 prefeitos tucanos e aliados, na noite desta quarta-feira na casa de espetáculos Credicard Hall, na zonal sul da capital paulista. O evento, que custou R$ 185 mil, foi todo pago pela campanha do tucano Geraldo Alckmin ao governo de São Paulo.

Agência Estado
O candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, durante encontro de prefeitos e aliados tucanos em São Paulo
Depois de ressaltar que lutou pela redemocratização do Brasil, Serra afirmou que a liberdade de expressão no País corre risco caso Dilma vença as eleições de outubro. Indiretamente, Serra chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a petista de “candidatos a tiranos que desejam subjugar os outros minando a liberdade”.

Serra ironizou lideranças petistas que “pensam” exercer poder ilimitado. “Não sei nem se pensam, alguns nem pensam”, disse. Em seguida, ressaltou que sua candidatura é diferente da candidatura petista. “Nós não somos candidatos a donos do Brasil. Somos candidatos para servir o povo. Somos até criticados por ficarmos falando o que pretendemos fazer em vez de fazer efeitos especiais”, afirmou. Ele voltou a acusar o PT de tentar controlar a mídia. “O governo do PT sonha com o dia em que vai poder censurar a imprensa brasileira”, disse.

Quebras de sigilo

Serra lembrou a quebra do sigilo fiscal do caseiro Francenildo Costa, que culminou na queda do ministro da Fazenda Antônio Palocci, e disse que é um exemplo de desrespeito a todos os cidadãos. “Os Francenildos são vocês”, afirmou. O tucano acusou o atual governo de ser um “Estado ocupado por uma máquina partidária que ameaça e persegue as pessoas”. Serra também mencionou os casos recentes de quebras de sigilo de sua filha e outras pessoas ligadas ao PSDB.

O presidenciável chamou “os que se dizem de esquerda” de estarem “mais para fascistas” e voltou a acusar a campanha de Dilma de propaganda enganosa. Ele ressaltou que o atual governo é “ingrato”. “Estamos assistindo à mais escancarada exibição de falta de caráter da história da política brasileira”, disse.

Aos prefeitos, Serra prometeu que, se eleito, vai garantir contrapartida integral aos municípios para bancar despesas com novos impostos ou despesas criadas pelo governo federal. “Vamos impedir generosidade com o chapéu alheio”, afirmou.

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Alckmin lembra Covas

Para ilustrar sua mensagem de otimismo quanto à vitória de Serra, o candidato ao Palácio dos Bandeirantes lembrou da eleição de Mário Covas ao governo de São Paulo em 1998. “Ele nem em segundo lugar aparecia. Chegou no segundo turno e ganhou com 2 milhões de votos à frente”, disse.

Alckmin ainda brincou com Serra ao afirmar que o presidenciável tem o dom da ubiquidade, isto é, consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Enquanto Serra está na Bahia, disse, “nós seguramos a peteca aqui em São Paulo”.

“Adversário desleal”

O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), coordenador da campanha de Serra, classificou a campanha petista de “adversário desleal”. “Nunca como agora enfrentamos um adversário que não respeita a democracia, o dinheiro público e as regras de um jogo limpo, de uma eleição limpa. Enfrentamos um adversário desleal”, disse.

Além de atacar a campanha da petista Dilma Rousseff, Guerra criticou o governo Lula. “Não se respeita nada, nem o sigilo dos cidadãos brasileiros. Não é a filha do futuro presidente que está sendo desrespeitada. É o cidadão brasileiro que está sendo afetado por um governo que não tem limites”, afirmou.

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