Serra sobe o tom contra Dilma em debate na TV

Entre segundo e terceiro bloco, tucano criticou situação das estradas e responsabilizou Dilma por corte de recursos para APAEs

iG São Paulo |

O candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, José Serra (PSDB), subiu o tom contra a adversária Dilma Rousseff (PT) no debate realizado nesta noite pela TV Bandeirantes. Depois de um início morno, o tucano intensificou as críticas à rival principalmente no fim do primeiro bloco, ao falar sobre a situação das estradas brasileiras. Na abertura da segunda etapa do programa, outro ponto de maior atrito entre os dois, Serra foi ainda mais ácido nas declarações. Acusou o governo integrado pela adversária de cometer uma "crueldade" contra as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs).  

"Não sei porque você deixou que isso acontecesse", disse Serra, alegando que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do qual Dilma foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, cortou transporte e ensino para crianças atendidas pelas entidades. "Sugiro que você ligue amanhã para o ministro da Educação Fernando Haddad, e diga a ele que ele fez uma crueldade. O seu governo fez."

Evidenciando o incômodo com a crítica, Dilma rebateu: "Eu não posso de jeito nenhum concordar com o que diz o candidato Serra". A polarização entre os dois logo foi ironizada pelo candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio. "Se vcs dois fizerem blocão eu vou fazer bloquinho com a Marina ", disse ele.

No fim do primeiro bloco, Serra já havia elevado o tom contra Dilma, ao sugerir à rival que vá conhecer o porto de Salvador. Ou viaje por algumas estradas federais em Minas Gerais e Santa Catarina. Segundo ele, há perigo público ao viajar por estradas federais. Antes disso, Dilma procurou enfatizar a criação de 14 milhões de empregos, procurando comparar os índices aos do governo Fernando Henrique Cardoso.

Audiência
Conforme noticiou o Poder Online , o debate teve uma pífia audiência. De acordo com os números oficiais divulgados pela própria emissora, a média alcançada foi de 3 pontos e com o pico de 6 pontos. O sistema de medida toma como base a seguinte proporção: cada ponto de audiência corresponde a 56 mil aparelhos de televisão ligados na região.

Veja abaixo alguns dos principais momentos do debate da Band

Preparativos

Plínio de Arruda Sampaio foi o primeiro a chegar ao debate da Band, às 20h50. Marina Silva chegou sete minutos depois. Acompanhada do ex-ministro Antonio Palocci e da primeira-dama Marisa Letícia, Dilma chegou às 21h04. Por último, Serra apareceu nos estúdios da Band às 21h29. Dilma vestia branco, quando se esperava que ela elegesse o tradicional vermelho do PT. Foi Serra quem inovou ao aparecer de gravata vermelha.

Dilma empenhou-se em demonstrar tranquilidade na chegada. “Eu estou preparada acho que esse debate é importante e esclarece a população”, disse. Único dos presidenciáveis que não falou com toda a imprensa, somente com a Band, Serra chegou acompanhado do candidato ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, do governador Alberto Goldman e do prefeito Gilberto Kassab.

Primeiro bloco

Seguindo o script do debate, o primeiro bloco foi dominado por declarações dos candidatos sobre temas de saúde, educação e segurança. Dilma, por exemplo, falou sobre a criação de UPAs, o programa Brasil Sorridente e o SAMU. A petista, que foi vítima de um câncer no ano passado, disse ainda que pretende fazer mutirões de prevenção ao câncer.

Serra, por sua vez, falou dos planos de criar o programa Mãe Brasileira. Questionado por Marina, o ex-governador também falou sobre a experiência que tirou dos anos em que passou no governo e na oposição. Ao prometer continuidade, citou o programa Bolsa Família, que associou a projetos do governo FHC. “Eu nunca joguei no quanto pior melhor”, afirmou.

Segundo bloco

Além de protagonizarem a primeira troca de críticas sobre estradas, Dilma e Serra falaram sobre política de emprego, após a petista se empenhar em uma comparação entre os governos Lula e FHC. Serra rebateu dizendo que campanha "não se faz com olhos no retrovisor". Afirmou que as circunstâncias de hoje e da década passada são diferentes na área econômica.

Além disso, questionou o crescimento do Brasil tomando como base o tráfego aéreo. Criticou também a situação dos portos no País. Questionada por Plínio, Dilma disse não concordar com medidas que flexibilizam desmatamento. Pontuou ainda que é preciso ter respeito aos movimentos sociais e às condições de cada categoria de trabalhadores.

Terceiro bloco

Plínio protagonizou os primeiros momentos do blobo junto com Marina, que exaltou novamente sua proposta de criar programas sociais de terceira geração. Dilma, que teve a oportunidade de perguntar em seguida, chamou o tucano para uma discussão sobre indústria naval e programas federais como o Luz Para Todos. "Acho um programa positivo do governo, quero lembrar que é um prolongamento do programa do governo Fernando Henrique Luz no Campo", engatou Serra, que criticou o fornecimento de energia no Maranhão.

Serra entrou, então, no assunto saúde, mencionando mutirões de cirurgia. Disse que caiu o número de cirurgias como de catarata, varizes e próstata, chamando mais uma vez Dilma dar uma explicação. "Eu não sou contra mutirões. O que acho é que é uma medida de emergência e de urgência", respondeu Dilma, alegando que mutirões não podem ser a política de base para a saúde. "Eu considero que temos uma diferença na forma de encarar o que deve ser feito na área de saúde", emendou. Foi Plínio quem trouxe descontração ao estúdio, chamando Serra de hipocondríaco. "Ele só fala em saúde."

Quarto bloco

Questionados por jornalistas da Band, Dilma e Serra abriram o primeiro bloco falando sobre política econômica. Dilma gaguejou pelo menos quatro vezes ao responder à pergunta. Falou, por exemplo, sobre o enfrentamento da crise e a relação dívida/PIB. Disse ainda que acredita que os juros no País vão cair, em uma resposta às críticas feitas por Serra logo antes às elevadas taxas praticadas nessa área pelo atual governo. Serra chegou a dizer que Dilma elogiou a política de privatizações do governo.

Plínio e Marina dominaram o fim do quarto bloco. Marina disse ser a favor da democratização do campo. Comentou ainda projetos do governo Lula, como a transposição do Rio São Francisco e a usina de Belo Monte, dizendo que o primeiro foi feito corretamente do ponto de vista ambiental e o segundo não.  O candidato do PSOL criticou o "bom mocismo" dos adversários, dizendo que todas as promessas têm um custo.  

Quinto bloco

Nas considerações finais, Serra disse que sua filha lhe disse para "sorrir mais". E afirmou que ficou muito satisfeito com o resultado do debate. E voltou a investir no discurso sobre sua origem humilde. "Consegui chegar onde cheguei graças a um trabalho muito duro do meu pai", afirmou, lembrando ainda sua trajetória de militância política. Dilma, por sua vez, agradeceu a todos e disse considerar o debate importante para o País. "Amplia a democracia", disse a petista, relembrando a passagem pela Casa Civil. "Conviver com a generosidade e inteligência política do presidente foi uma experiência única", disse, colando em Lula. "Nosso governo devolveu ao País a autoestima", disse.

Marina, por sua vez, procurou se aproximar de Lula e falou sobre a possibilidade de o País eleger a primeira mulher presidente "de origem amazônica". Plínio, por sua vez, voltou a ironizar as promessas dos rivais. Voltando-se ao eleitor, afirmou: "Aqui ficou evidenciado uma coisa. Há um muro nesse País, entre suas aspirações e os rumos desse País". 


*Com reportagem de Ricardo Galhardo, Nara Alves, Matheus Pichonelli, Rodrigo Rodrigues e Mariana Castro

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