Serra sobe o tom contra Dilma e governo

Pressionado por pesquisas, tucano fez duras críticas ao loteamento de cargos e à falta de planejamento do governo

Andréia Sadi e Adriano Ceolin, iG Brasília |

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, subiu o tom nesta terça-feira durante sabatina promovida pela Confederação Nacional da Indústria, em Brasília. Apesar de ter minimizado o crescimento da adversária petista Dilma Rousseff (PT) nas últimas pesquisas, Serra aumentou o tom das críticas três dias após o último levantamento do Datafolha.

O tucano, porém, negou ter sido agressivo e disse que não se estressa com pesquisa. “O que está acontecendo até agora nessas pesquisas a gente previu. A gente tem indicadores. A percepção dos eventos que vão acontecer e tudo mais. De modo que não tem nada a ver uma coisa com a outra”, disse.

Durante a primeira fase da pré-campanha, Serra preferiu se apresentar ao eleitorado e fazer críticas pontuais ao governo. Na CNI, ele começou sua participação no evento cobrando mais debates entre os candidatos. “Não é confronto político. É confronto de ideias”, disse, reclamando da decisão da entidade de isolar os candidatos de seus adversários no momento de sua fala.

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Marina, Dilma e Serra aguardam para falar na sabatina da CNI
Ao dar inicio a sua exposição, tucano tentou mesclar ataques ao governo federal com brincadeiras e comentários sobre times de futebol. Atento aos levantamentos que mostram a alta popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o tucano não fez críticas diretas a ele. No entanto, afirmou que falta planejamento e gestão ao governo federal

"Qual é o problema que existe de gestão? É o loteamento", disse Serra. Mencionando a Infraero como exemplo, ele destacou que "tudo está loteado", entre partidos e sindicatos alinhados ao governo federal. Ele criticou ainda a divisão de cargos nas agências reguladoras, como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Serra também disse que o atual governo mantém número excessivo de funcionários comissionados. Provocando risos da platéia, o tucano chamou o Estado brasileiro de obeso. “Na área federal, a obesidade dá até gosto. Puxa vida, como dá para aumentar a eficiência”, disse.

Ao final de sua fala, o tucano pediu desculpas por ter sido “muito informal”. Em entrevista coletiva, disse que não mudou de postura e que prefere ser mais espontâneo porque fica menos estressado. “Até para não me cansar, eu prefiro ser espontâneo”, disse.

Serra garantiu que não recebeu sugestões para mudar. “Mesmo internamente, ninguém me sugeriu coisa alguma. Não fiz nada de errado até agora basicamente. Exceto uma ou outra vez ter perdido a paciência, o que não vai acontecer mais”, disse.

Primeira a falar, a ex-ministra Dilma Rousseff preferiu um tom mais cauteloso. Ela evitou o confronto direto com o adversário e manteve a estratégia de se colocar como continuidade do governo Lula.

Durante entrevista coletiva, após a sabatina com empresários, ela disse que colaborou com o sucesso do governo do presidente. Admitiu que não há como competir com o carisma de seu padrinho político, mas garantiu ter qualidades que a credenciam para sucedê-lo. “Eu fiz e sei como fazer. Eu não só prometo. A esperança que o presidente colocou para o Brasil é uma esperança fundada, não em vã promessas”, afirmou.

Dilma ressaltou o seu currículo como ministra da Casa Civil, função que ocupou de 2005 até março deste ano, como uma das experiências que a credenciam para a vaga.

Como parte da estratégia da campanha, Dilma citou também a sua participação nos principais programas do governo federal, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o programa habitacional Minha Casa Minha Vida, o plano de levar acesso em banda larga às escolas e o Bolsa Família. A equipe de Dilma pretende usar todos esses programas como bandeira de campanha.

A senadora Marina Silva (PV-AC) abriu o seu discurso durante a sabatina da CNI (Confederação Nacional da Indústria) defendendo que não se pode continuar entendendo que o Brasil pode mais apenas por seus recursos naturais. “O Brasil pode mais” é o slogan usado pelo candidato adversário José Serra, do PSDB.

Marina falou também sobre sua biografia. Lembrou o analfabetismo até os 16 anos e disse ter a oportunidade de falar para empresários de peso do País. Em seguida, fez nova referência ao bordão tucano: “Sinto nessa agenda aqui o prenúncio de um Brasil que está ousando mais, cobrando mais, e não podem apenas ouvir aqui lideranças que prometem fazer mais do mesmo”.

Na onda dos slogans, a senadora citou também a frase que ficou famosa durante a campanha de Barack Obama, nos EUA . “Por isso quando os americanos ouviram ‘Nós Podemos’,houve mobilização”, argumentou.

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