Serra se lança com grandes e pequenos problemas

Tucano oficializa candidatura em convenção com apoio do DEM e do PPS. Ex-governador paulista, porém, ainda não tem vice

Adriano Ceolin, enviado especial a Salvador |

Grandes e pequenos problemas são esperados na convenção nacional do PSDB, que oficializa neste sábado, em Salvador (PSDB), o nome do ex-governador de São Paulo José Serra como candidato à Presidência. O maior deles é a ausência de um vice na chapa. Os tucanos tentam minimizar, mas justificam o atraso com uma outra dificuldade: falta de definição dos palanques estaduais.

O curioso é que a convenção do PSDB será uma corrida contra o tempo, literalmente. O encontro partidário começou às 9 horas e tem de acabar, pelo menos, até as 14h30. Isso porque próximo ao local do evento, um clube de esportes de Salvador, ocorre uma marcha de evangélicos liderados pela Igreja Renascer.

AE
Antes de começar a convenção, apresentações foram preparadas para animar a militância
O discurso de Serra está previsto para ter início às 13 horas. Como costuma fazer, passou a véspera da convenção preparando cada frase. A chegada dele a Salvador estava prevista só para a madrugada deste sábado. Além de Serra, só mais quatro ou cinco dirigentes partidários irão falar. O tucano conta com o apoio do DEM e do PPS.

Diferentemente do que ocorreu em abril no lançamento da pré-campanha, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) não irá ao evento. Ele, no entanto, gravou um vídeo em que será exibido um discurso de apoio ao candidato. O iG apurou que FHC não fará críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou à candidata dele ao Planalto, Dilma Rousseff (PT).

Até o fim do mês passado favorito pela oposição para ser o vice de Serra, o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) confirmou presença na Bahia. Ele deverá ser um dos oradores do evento. Como aconteceu em Brasília, no lançamento da pré-campanha, Aécio tentará mostrar que está empenhado na campanha de Serra.

Na semana passada, um artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo sobre uma suposta falta de confiança do PSDB em Aécio obrigou o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, a fazer uma viagem a Belo Horizonte, capital mineira. Guerra teve uma conversa com ex-governador para aparar as arestas e valorizar a importância de Aécio.

O líder do PSDB na Câmara, João Almeida, integra a lista de tucanos que tentam minimizar a falta de um vice na convenção. “Isso não é importante agora. Pode aparecer um nome depois de amanhã ou daqui duas semanas”, disse. “Se quiserem me indicar, eu aceito”, afirmou Almeida, em tom de brincadeira.

Deputado muito próximo a Serra, Jutahy Júnior (PSDB-BA) é o maior defensor da tese de que o nome de vice só seja definido após o final das negociações sobre os palanques regionais. “E há problemas da oposição e do governo”, disse. “Em Santa Catarina e no Paraná, não há nada definido por exemplo”.

Segundo Jutahy, a escolha do vice tem de ser feita também pensando no aumento do tempo de TV. Por isso, os tucanos não descartam um convite para o PP, cujo nome mais cotado é do presidente nacional do partido e senador Francisco Dornelles (RJ).

Evento evangélico

Ex-prefeito de Salvador e candidato a deputado federal pelo PSDB, Antonio Imbassay descartou possibilidade de haver problemas com a coincidência de horários entre a convenção tucana e a marcha dos evangélicos. “Está tudo resolvido. Eles vão vir caminhando para a parte de cá do bairro só depois das 14h30”, disse.

Contudo, a própria assessoria do PSDB orientou jornalistas a evitar o percurso na avenida principal que cruza o clube, onde será realizada a convenção tucana. O partido se preparou para receber cerca de 5 mil pessoas, de várias partes do País. Foi montado um palco em que os dirigentes partidários vão ficar atrás do candidato. Há lugares para 200 pessoas.

Gastos

O evento tem a organização de Caio Carvalho, ex-ministro do Turismo e ex-presidente da SPturis (São Paulo Turismo) -- ligada à prefeitura paulistana. Ele disse que os gastos do evento vão ficar entre R$ 400 mil e R$ 600 mil.

Às 9 horas, cerca de 600 delegados convencionais (militantes e dirigentes partidários) dão início à votação de duas decisões: primeiro, a aprovação ao nome de Serra como candidato; depois, a autorização para a Executiva do partido ter o poder de firmar coligações.

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