Serra rechaça cálculo do governo paulista sobre custo de metrô

Candidato tucano propôs implantar 400 quilômetros de metrô com R$ 45 bi; governo de São Paulo calculou em R$ 160 bi

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra , classificou como uma bobagem o cálculo do governo do Estado de São Paulo de que construir 400 quilômetros de metrô custaria R$ 160 bilhões. Na semana passada, ele prometeu construir 400 quilômetros com R$ 45 bilhões. “Isso é conversa, isso é bobagem. Vocês não investigaram direito”, disse o ex-governador.

Ao ser informado de que o cálculo é do próprio governo do Estado, Serra mudou o tom. Segundo ele, a promessa de construir 400 quilômetros de metrô inclui obras já feitas no atual governo, mas que ainda não estão em funcionamento. De acordo com ele, o cálculo de R$ 160 bilhões vale só para o Estado de São Paulo.

“O metrô em São Paulo tem túnel, tem escavação, tem que partir do zero. A maioria dos metrôs no Brasil está com investimentos já feitos e não está funcionando. Por exemplo, Salvador, Recife, Fortaleza é outro tipo de investimento”.

Durante o debate da Band entre os candidatos a governador, na semana passada, o próprio governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), disse ao ex-prefeito Paulo Maluf que Serra exagerou ao prometer 400 quilômetros de metrô .

Em visita à Bienal do Livro, em São Paulo, Serra prometeu distribuir gratuitamente 1 milhão de livros por ano a alunos da rede pública de todo o País caso seja eleito. De acordo com o candidato, seriam entregues três livros por ano para cada aluno a partir da quarta série. O custo, segundo ele, ficaria em aproximadamente R$ 450 milhões anuais.

Durante o passeio pela Bienal do Livro Serra distribuiu abraços e apertos de mão, tirou inúmeros fotos com admiradores, ganhou um exemplar de “O Príncipe”, de Maquiavel, com prefácio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e comprou três livros do médico Dráuzio Varella, mas, também ouviu questionamentos e reclamações.

O estudante Daniel Renna o questionou sobre as afirmações de seu vice, Índio da Costa, quanto às ligações do PT com o narcotráfico. Serra respondeu que são de conhecimento público as ligações do PT com a narcoguerrilha colombiana Farc. O estudante não ficou satisfeito com a resposta. “Eu esperava que ele3 tivesse mais informações sobre isso”, disse Renna.

Serra que estava acompanhado do ex-secretário de Educação Paulo Renato Souza, também ouviu protestos de professores da rede estadual de ensino. Com contracheque na mão, Lúcia Valéria, professora de física, do ensino médio estadual, reclamava do salário de R$ 1,5 mil depois de 40 anos de magistério. “E olha que só consegui isso porque fiz uma greve contra o governo Serra”, disse ela. O candidato ignorou o protesto.

Durante a caminhada Serra evitou falar em política. Questionado duas vezes por jornalistas se pretende mudar os rumos da campanha em função do crescimento da candidata do PT, Dilma Rousseff , nas pesquisas, Serra foi curto e grosso: “Não.”

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