Serra promete 'enxugar a máquina de cabides' do governo

Em entrevista a uma rádio no Rio, o presidenciável tucano voltou a acusar o PT de ter 'privatizado' o Estado

Manuela Andreoni, iG Rio de Janeiro |

O candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, voltou a criticar nesta quarta-feira (20) a postura do governo Luiz Inácio Lula da Silva em relação à Bolívia. Segundo ele, o Brasil foi “doce” quando o governo de Evo Morales, presidente boliviano, estatizou a refinaria da Petrobras. O tucano voltou a dizer que o país vizinho é a origem da cocaína e da maioria das armas traficadas para o Brasil.

“A droga vem da Bolívia e nós temos que pressionar o governo boliviano. (...) Nós estamos fazendo estrada na Bolívia, dando dinheiro em empréstimo ‘a um mico’, então é quase uma doação. O Brasil foi doce, suave, deixando desapropriar uma refinaria da Petrobras, que perdeu com isso. Já que estamos tratando com tanta gentileza, nós temos que pressionar para não exportar droga”, afirmou Serra em entrevista à Rádio Tupi, no Rio.

Ele ironizou os VANTs (Veículos Aéreos Não Tripulados) defendidos por sua adversária, Dilma Rousseff (PT) para patrulhar o tráfico nas fronteiras e nas áreas metropolitanas. “A Dilma Rousseff falou de um veículo, que voa, sem piloto, que vai guardar as fronteiras (Os VANTs, Veículos Aéreos Não Tripulados). Aí, eu fiquei curioso e fui olhar. Não existe isso. Tem um experimental. Nunca saiu do chão, a Polícia Federal não sabe usar”, disse o candidato, que defende a criação de uma guarda nacional para policiar as fronteiras.

"Enxugar máquina de cabides"

Ainda na entrevista ao jornalista Francisco Barbosa, a quem chamou de Haroldo durante metade da conversa, o tucano voltou a defender que o PT “privatizou” o governo para seu próprio interesse.
“Eu tenho certeza que nos últimos anos houve uma privatização dos governos no Brasil. (No sentido) de você usar o governo para fins privados. Continua sendo governo, estatal, poder público, mas você usa para fins privados: cabide de emprego, em detrimento dos concursos”, acusou Serra, que prometeu “enxugar a máquina dos cabides”.

O candidato oposicionista também defendeu a diminuição dos impostos sobre investimento e o combate à sonegação como resposta para uma consequente diminuição na arrecadação.

“Para investir, para gerar emprego, você precisa aliviar o peso dos impostos sobre investimento. (...) Outra coisa muito importante é combater a sonegação (de impostos). Afinal, quem sonega não paga nada e quem não sonega paga o dobro”, disse. “O segredo é a transição. (...) O governo sempre desconfia que, se diminuir imposto, vai cair arrecadação. Você tem que fazer um sistema de confiança recíproca que permita esse controle”, completou.

Caso seja eleito, Serra, que foi ministro da Saúde no governo de Fernando Henrique Cardoso, prometeu investir R$ 15 bilhões na saúde junto a estados e municípios durante seus quatro anos de governo. Ele afirmou que destinaria R$ 3 bilhões desse montante para o saneamento básico e o restante para saúde da mulher e terapia intensiva neonatal e para adultos.

Veto a emenda Ibsen

Questionado sobre a emenda Ibsen, que tira a prioridade nos royalties do petróleo dos estados produtores, Serra garantiu que a vetaria. De acordo com o candidato, a ideia do projeto começou com uma “iniciativa do governo federal”, em reunião com os ministros Edson Lobão (PMDB) e Dilma Rousseff (PT), sua adversária na corrida presidencial.

“Esse projeto não podia ter entrado, muito menos em ano eleitoral”, opinou Serra, que afirmou ter ouvido deputados de outros estados dizerem que tinham que aprovar a emenda senão não seriam eleitos.

O tucano falou também sobre a situação dos portos brasileiros, criticando a política de Lula no setor. Segundo Serra, é preciso “valorizar o patrimônio público” para “servir ao público” e gerar uma “economia forte”. “Usaram muito mais saliva do que trabalho. (...) Fizeram uma lista de 135 países, ordenando pela qualidade dos portos. Sabe que lugar o Brasil pegou? 125º, é dos piores portos do mundo”, afirmou o candidato.

O presidenciável falou sobre as políticas públicas destinadas ao Rio de Janeiro, valorizando a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos como eventos que devem ser usados para desenvolver o Estado. Ele garantiu que tem “ótima” relação com o governador reeleito pelos cidadãos fluminenses, Sérgio Cabral, com quem disse ter feito parceria quando era governador de São Paulo.

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