Serra nega que promessas de campanha sejam eleitoreiras

Para tucano, a receita está subestimada e o orçamento aprovado nunca é o que o governo usa de fato

Nara Alves, iG São Paulo |

O candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra , negou que suas promessas de aumento do mínimo e do reajuste para aposentados sejam eleitoreiras. "Não é eleitoreiro, é necessário", disse. As declarações foram dadas em entrevista gravada ontem à noite no Rio de Janeiro para o programa Bom Dia Brasil, da TV Globo , exibida na manhã desta quarta-feira.

Para Serra, as promessas são factíveis porque a lei orçamentária subestima a receita da União. "O orçamento aprovado nunca é real e o Governo acaba encaminhando para o lado que deseja", alfinetou. Além disso, o tucano prometeu rever contratos e cortar cargos de confiança.

Pontuando que o PSDB é o criador dos programas que hoje formam o Bolsa Família, Serra reiterou a proposta de vincular o 13º ao programa social. Para ele, a ajuda beneficiaria "famílias que estão dependentes e que não têm mais condição de ascensão".

Educação
Outra proposta defendida por Serra é colocar dois professores por sala de aula nas escolas públicas. Segundo ele, sua experiência à frente da Prefeitura de São Paulo o fez perceber que é viável implementar a ideia em todo Brasil. "Tudo o que eu proponho ou eu já fiz, ou eu calculo", disse. O tucano também criticou a meta de qualidade de ensino da gestão Lula para o Nordeste e taxou de modesta e absurda a meta proposta pelo Governo Federal para a região: de até 2021 igualar a São Paulo.

Quando questionado sobre os cortes que fez quando era governador de São Paulo nas vagas de professores temporários da rede pública, Serra atribuiu a dificuldade em preencher vagas à limitação da existência de faculdades de pedagogia. "Fizemos exames para selecionar temporários. Mas há dificuldade para preencher. Fizemos exames e abrimos concursos. (...) A grande limitação é a existência de faculdades de pedagogia", respondeu.

Campanha
Serra defendeu a liberdade de imprensa e criticou a posição do governo Lula, que classificou de "chantagem". Ao mesmo tempo, voltou a criticar a mídia por "gostar de pesquisa e bastidor" e se concentrar em "coisas irrelevantes", como, por exemplo, a exibição da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu programa eleitoral na televisão. "A imagem do Lula passou por 3 segundo e estava voltado para a candidata dele no sentido que ela não tem uma história sólida. A Dilma não tem. Isso não significou nenhum elogio ou ataque", disse.

O tucano alegou que tem defendido as ideias do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em entrevistas e debates, mas que sua campanha não tem como estratégia exibir depoimentos, exceto o do ex-governador de Minas Aécio Neves.

Serra também comentou os problemas que o candidato ao governo do Distrito Federal, Joaquim Roriz, apoiado pelo PSDB, está enfrentando na Justiça por ser considerado "ficha suja" . "A questão está na Justiça. É a Justiça que vai decidir. As alianças são locais e regionais. O partido em cada lugar faz uma aliança. (...) O Roriz está se defendendo", disse.

Economia
O candidato garantiu que não fará uma intervenção no Banco Central para diminuir as taxas de juros no Brasil. "O ministro da Fazenda, do planejamento e o Banco Central têm que trabalhar juntos para encontrar uma relação câmbio-juros mais justa. Vamos manter o (atual) regime, sem intervenção e ter uma equipe entrosada, não vai ser feito bruscamente", disse. Para José Serra, o País vive hoje um período crítico de sua historia. "As pessoas hoje estão satisfeitas, mas é preciso que estejam satisfeitas amanhã", pregou.

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