Serra mira governo do PT e lança plano de segurança na Bahia

Candidato do PSDB à Presidência deve dar detalhes sobre a proposta de ministério exclusivo para área de segurança pública

Adriano Ceolin, enviado a Salvador |

Com objetivo de fazer um ataque direto ao PT, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra , escolheu a Bahia para lançar seu  plano de governo para a área de segurança. Comandado pelo governador petista Jaques Wagner desde 2007, o Estado viu crescer a taxa de homicídios nos últimos quatro anos, superando São Paulo e Rio de Janeiro.

O tucano vai dar uma entrevista coletiva às 15 horas, no Sesc localizado no bairro do Pelourinho, centro de Salvador. O plano tucano para a área de segurança inclui a criação de um “Ministério da Segurança Pública”. Desde o início da pré-campanha, o tucano cita a ideia da nova pasta sem dar detalhes.

A coordenação-geral do programa de governo de Serra é do ex-secretário e ex-deputado paulista Xico Graziano (PSDB). Ele viajou na tarde desta quinta-feira para Salvador para participar do lançamento do novo ministério. Graziano não quis adiantar informações sobre as propostas para a área de segurança.

Serra tem argumentado que o governo federal precisa dividir com os Estados a responsabilidade pelas ações de segurança pública. Atualmente, os governos estaduais implementam as políticas do setor de segurança, administram presídios e organizam polícias próprias (Civil e Militar).

Agência Estado
Serra em Bom Jesus da Lapa (BA)
No modelo atual, a Polícia Federal é subordinada ao Ministério da Justiça. Constitucionalmente, tem como atribuições apurar crimes contra a União, reprimir o tráfico de drogas e fazer o policiamento nas fronteiras do País.

Nesse último caso, Serra tem defendido que o Brasil seja mais rigoroso com Bolívia no combate ao tráfico de cocaína. Em maio deste ano, o tucano chegou a declarar que o atual governo boliviano era “cúmplice do tráfico de drogas”.

Candidato ao governo pelo DEM e aliado de Serra na Bahia, Paulo Souto vai marcar presença e explorar os problemas de segurança no Estado. Ele tem dito em entrevistas que “13 mil pessoas foram vítimas de mortes violentas na Bahia, nos últimos três anos. Só em 2009, ocorreram 4.769 homicídios no território baiano”.

De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, o número de homicídios no Estado subiu 49,59%, entre os anos de 2006 e 2009. Em Salvador, o crescimento foi ainda maior: 76,61%. No mesmo período, as cidades do Rio e São Paulo conseguiram diminuir seus índices e obtiveram variações de menos 18,8% e 37, 7%, respectivamente.

Governador e candidato à reeleição, Jaques Wagner disse, em entrevista ao iG em junho passado, que o aumento da criminalidade ocorreu por conta do tráfico de drogas e do consumo do crack. Deputado federal e candidato ao Senado pelo PT baiano, Walter Pinheiro afirma que os problemas têm origem no governo Paulo Souto (2003-2006).

“Nós herdamos muitos problemas da administração anterior. A polícia estava sucateada e tivemos de contratar mais policiais e comprar equipamento”, disse Pinheiro. “Acho estranho o Serra falar da segurança na Bahia. Por que, na época do governo Fernando Henrique Cardoso, ele não deu orientações aos governos baianos que eram seus aliados?”

O líder do PSDB na Câmara, João Almeida (BA), avalia que o lançamento do programa de segurança de Serra na Bahia não será realizado apenas por causa do aumento da violência no Estado. "A Bahia é um Estado importante. Tem o maior eleitorado do Nordeste. Foi por isso que a convenção que lançou Serra em junho feita feita aqui", disse.

Almeida, porém, critica a administração de Wagner. "Nesta área de segurança, é um desgoverno completo", disse. "Falta estratégia, pulso. Por isso esse crescimento no número de homicídios", completou o líder do PSDB.

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