Serra manda recado sobre privatização ao governo

Pergunta feita por repórter da Radiobrás sobre privatização irritou o pré-candidato tucano

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Uma pergunta sobre privatização irritou o pré-candidato tucano à presidência, José Serra, na tarde desta quarta-feira. Após um almoço na Associação Comercial do Rio de Janeiro, um repórter da agência de notícias do governo federal, a Radiobrás, perguntou ao tucano se ele descartava a possibilidade de privatizações em um eventual governo.

Repórter: "A Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal estão livres da privatização?"

Serra: "Claro que sim, quem falou o contrário? De onde você é?"

Repórter: "Da Radiobrás."

Serra: "Muito bem, então informe isto a seus patrões."

Anteriormente, Serra já havia descartado a possibilidade de venda de empresas estatais. "Não tenho nenhum programa de privatização em mente. Aquelas que eram fundamentais de serem privatizadas, atividades típicas de setor privado, como petroquímica, aço e telecomunicações, já foram. E o atual governo só fez reforçar isso. Não tenho no horizonte nenhuma privatização pela frente".

O PSDB acusa o PT de disseminar pela internet boatos sobre o pré-candidato tucano. Entre eles estaria o de que Serra pretende privatizar a Petrobras, Banco do Brasil e Caixa. Outro boato que a campanha tucana tenta esclarecer é o de que Serra acabaria com os concursos públicos. "Deve-se privilegiar o concurso sempre. Já cargo com comissão você pega gente aqui e acolá por apadrinhamento político para obter apoio. Só aumenta o custo e não tem contrapartida em serviços públicos", disse.

Nesta sexta-feira, o pré-candidato tucano cumpre agenda no Rio de Janeiro. Estavam presentes no evento da Associação Comercial o pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PV, Fernando Gabeira, o presidente do PPS, Roberto Freire, o presidente do DEM, Rodrigo Maia, entre outros aliados do PSDB no Estado.

Pela manhã, ele concedeu entrevista à rádio Tupi. Serra citou uma canção de Lupicínio Rodrigues para falar sobre o clima da campanha até agora. "Como dizia Lupicínio Rodrigues, tenho nervos de aço", disse.

Ao ser questionado sobre a propaganda do PT que foi ao ar ontem em que Dilma Rousseff é comparada com Nelson Mandela pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Serra preferiu não comentar.

Segurança

Durante a entrevista, Serra voltou a defender a criação do ministério da Segurança Pública e a utilização de uma Polícia Federal fardada para tomar conta das fronteiras. "É uma proposta que estamos trabalhando, mas que acho que faz falta devido ao tamanho da fronteira brasileira. Nesse sentido, é essencial termos uma ocupação mais eficaz do território".

Segundo Serra, a base do crime no Brasil é o tráfico de drogas e armas e essas medidas irão combater esse aspecto. "O sistema de segurança no Brasil não é integrado. O governo federal deve se envolver nessa luta", disse. Para isso, no entanto, seria necessária uma mudança na Constituição. "Nem que tenha de mudar a Constituição, o governo federal tem que entrar nessa luta".

Corte no Orçamento

Após a entrevista à rádio, Serra comentou o corte de R$ 10 bilhões do Orçamento anunciado ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo o ministro, os cortes devem ser feitos em gastos de custeio, preservando investimentos.

“Não sei onde vão cortar, temos que avaliar, até agora só vi o anúncio. Precisamos ver se é corte de verdade ou espuma, e em que tipo de coisas”, disse Serra após conceder entrevista à rádio Tupi, no Rio de Janeiro. “Se você tiver desperdícios para cortar, tudo bem. Se for para cortar coisas essenciais, não. Vamos ver o que vão dizer”, afirmou. 

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