Serra e Marina defendem menos Estado nas relações trabalhistas

Os dois candidatos participaram de um encontro de gestão de pessoas em São Paulo, onde Serra teceu elogias a Marina

Matheus Pichonelli e Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

Os presidenciáveis José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) defenderam nesta quarta-feira a diminuição da interferência do Estado na relação entre empresas e trabalhadores, mas fizeram discursos distintos ao serem questionados sobre mudanças nas leis trabalhistas. Eles participaram à noite de um encontro de presidenciáveis no Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas (Recursos Humanos). A candidata do PT, Dilma Rousseff , não compareceu ao evento.

Serra defendeu, durante o encontro, que não haja mudanças na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), alvo de críticas na organização do congresso. “O ponto de partida não é mexer nesses direitos, mas incentivar a negociação entre sindicados e empresas. Cada situação é peculiar”, defendeu o tucano.

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Os candidatos José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) participaram na noite desta quarta de debate com lideranças do setor de Recursos Humanos, em São Paulo
Marina, por sua vez, disse que o Estado não deve tutelar as relações trabalhistas, reivindicou uma reforma sindical, a diminuição da burocracia nos processos e a facilitação dos dissídios coletivos dos trabalhadores. “É preciso que se criem mesas de negociações para que os processos não cheguem à Justiça causando lentidão e prejuízo a empresas e trabalhadores”, afirmou.

O tucano também disse ser contrário à necessidade de reforma tributária no País e defendeu que sejam discutidos, item por item, as mudanças de questões como recolhimento do ICMS. “Todo mundo diz que é a favor, mas cada um vai dizer que tem uma ideia diferente (sobre a reforma)”, argumentou Serra. Ele defendeu que os pontos da reforma sejam discutido ponto a ponto em forma de lei. Já a candidata do PV defendeu o “princípio da transparência” para que quem paga impostos tenha direito a bons serviços.

Falando a uma plateia de cerca de 1.000 pessoas, Marina criticou o apagão de recursos humanos existentes no País e disse ver como problemático o fato de estrangeiros ocuparem postos de trabalho em empresas nacionais. Serra, por sua vez, limitou-se a dizer que o problema da escassez da mão de obra qualificada é um dos “quatro ou cinco nós” para o desenvolvimento da economia.

Instigados, os candidatos tiveram que falar sobre capacidades pessoais de liderança e entraram no tom do evento ao se verem obrigados a falar sobre qualidades pessoais. Nesse quesito, Marina falou sobre sua capacidade de gostar de aprender, enquanto Serra afirmou ser um político com apenas “uma cara”. De saída, ainda teceu elogios à adversária, cujo desempenho nas eleições de outubro pode ser fundamental para assegurar que a disputa vá para segundo turno. “A Marina tem muito mais qualidades do que ela falou aqui”, disse.

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