Serra diz que PT é o partido mais privatizante do Brasil

Tucano afirma que partido de Dilma Rousseff usa empresas estatais para empreguismo e corrupção

Adriano Ceolin, enviado a Goiânia |

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, disse nesta segunda-feira que o PT é “o partido mais privatizante do Brasil”. O tucano tenta reverter a estratégia petista de ligar o PSDB à venda de empresas estatais. "Aproxima a eleição e eles começam a falar de privatizações. Eles são o partido mais privatizante do Brasil", disse, depois de participar de carreata em Goiânia.

nullEm 2006, a estratégia do PT deu certo. Na virada do primeiro para o segundo turno, o então candidato a presidente pelo PSDB, Geraldo Alckmin, não conseguiu responder aos ataques de que os tucanos foram responsáveis pelo processo de privatização no País. Ele acabou derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Serra participou nesta segunda-feira de uma carreata em Goiânia , cidade onde foi vencedor no primeiro turno apesar de ter perdido para Dilma Rousseff (PT) no Estado de Goiás. Em princípio, o tucano faria uma caminhada, mas a quantidade de pessoas (cerca de mil, segundo a Polícia Militar) provocou tumulto e dificultou o plano inicial.

O tucano também reclamou dos ataques de Dilma feitos durante o debate realizado neste domingo. "Para mim é uma surpresa que (Dilma) volte a atacar minha família", disse. "Atacar família não é bom numa campanha eleitoral. Ela serve para discutir propostas. A campanha serve para comparar os candidatos. Eles apresentarem o que vão fazer", disse.

O tucano foi acompanhando pelo candidato ao governo de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que venceu o primeiro turno, mas não conseguir liquidar a disputa contra o ex-prefeito de Goiânia Iris Resende (PMDB). Também participaram do evento os senadores reeleitos por Goiás: Lúcia Vânia (PSDB) e Demóstenes Torres (DEM).

Durante a caminhada, Serra teve o rosto pintado por Glauciane Matias, estudante de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. "Sabe que eu gostei dessa cara pintada. Sou capaz de ir a um debate, sinceramente, numa boa com ela", brincou o presidenciável. Na campanha na TV, Serra tenta vincular Dilma ao ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB), que sofreu impeachment e foi alvo da campanha dos "cara-pintada" em 1992.

Serra afirmou que o PT é mais “privatizante” porque, segundo ele, usa os bancos e empresas estatais em favor do partido. Por isso disse que, se eleito, vai “estatizar” a Petrobras, o Banco do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social e os Correios.

“(Essas empresas) estão aí consumidas pela corrupção, pelo empreguismo”, disse. “Vou, na verdade, estatizar essas empresas porque elas estão funcionando como se seus donos fossem privados. O dono é o povo brasileiro. Temos de favorecer as carreiras e a eficiência das empresas”, completou.

Debate

Serra disse que não sabe o que Dilma quis dizer no debate sobre o engenheiro Paulo Vieira de Souza, um ex-assessor do governo do Estado de São Paulo que teria arrecadado R$ 4 milhões para o caixa dois campanha tucana e depois desaparecido com o dinheiro. O caso foi revelado pela revista IstoÉ no começo da campanha.

“Isso é pauta petista. Não sei quem é o tal preto. Nunca ouvi falar disso. Eles (o PT) põem factóides para vocês virem perguntar”, disse Serra. “Eu não entendi o que ela (Dilma) estava dizendo. Não ficar aqui gastando horas de um debate nacional com coisas que não tenho a menor ideia”, completou.

Ainda sobre o debate, Serra lamentou o fato de a discussão não ter sido concentrada em relação a propostas e programa de governo. “Eu teria feito um debate muito mais baseado em discussão de propostas, programa de governo, o que cada um fez, o que pensa”, disse.

Serra, porém, afirmou que “gostou do debate”. Sobre Dilma, o tucano reafirmou que o principal objetivo dela foi fazer perguntas para depois usar no horário eleitoral gratuito. “Ela foi treinada para dar declarações para usar no horário eleitoral. Essa foi a estratégia que eles decidiram. Eles decidiram, paciência. Vou seguir a dinâmica das coisas”, disse.

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