Em congresso de jornais no Rio, tucano afirma existir "perseguição sistemática e constrangimento psicológico aos jornalistas

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, afirmou na tarde desta quinta-feira (19) no Rio que o governo Lula tenta cercear a liberdade de imprensa e faz patrulhamento da imprensa para impor suas visões.

Serra admite que reclama de matérias jornalísticas, mas disse que faz isso pelo debate, e não pela  censura
George Maragaia
Serra admite que reclama de matérias jornalísticas, mas disse que faz isso pelo debate, e não pela censura
No 8º Congresso Brasileiro de Jornais , da ANJ (Associação Nacional de Jornais), o ex-governador de São Paulo disse que "nos últimos três anos tem havido três modalidades no sentido de cercear essa liberdade [de imprensa]".

Para o candidato, a atual gestão usa "intimidação" e "patrulhamento" para tolher a imprensa. "É um tipo de ação que se traduz em perseguição sistemática e constrangimento psicológico aos jornalistas e que termina tendo como efeito jornalistas temerosos de represálias. Cria-se uma guerra artificial de versões. O que importa [para o governo, diz], são versões, não há fatos objetivos, o que limita a liberdade de expressão e informação, feita pela coação", afirmou.

De acordo com o presidenciável, "a primeira tentativa se faz por vias legais, pela criação de conferências", disse, referindo-se às conferências de Comunicação, Direitos Humanos e Cultura, e que, afirmou, voltaram-se para o controle da imprensa , através de um suposto controle da sociedade civil. "É interessante mencionar que esta é uma via 'democrática' de estabelecer controle, paga com o dinheiro público. (...) Antes teve aquela barbaridade, aquele Conselho Nacional de Jornalismo, que previa cassar jornalistas que não seguissem determinado padrão de comportamento. É para solapar a própria democracia", afirmou. Ele também comparou as medidas a outros governos da América Latina, sem citar nenhum país.

O candidato lembrou que o PT incluiu essas propostas em seu programa de governo, rubricado pela sua adversária, Dilma Rousseff. "Se leu ou não leu, é um problema de estilo." Posteriormente, Dilma amenizou ou retirou trechos do projeto considerados radicais ou polêmicos.

De acordo com Serra, o governo Lula também tenta cercear a liberdade de imprensa por meio do controle de verbas de publicidade pública. Ele criticou ainda a criação da TV Brasil, segundo ele, "feita para não ter audiência", para "criar empregos" e servir como instrumento de propaganda do governo.

O candidato tucano sugeriu a autorregulamentação da imprensa para preencher um "vazio" deixado pelo fim da Lei de Imprensa, para evitar abrir caminho para eventual censura. "Fica sem balizamento, sem critério, sem um marco, ao sabor de decisões judiciais, sem um marco que dê um norte sensato. Deve-se fazer uma espécie de autorregulação", afirmou, referindo-se especialmente ao direito de resposta.

A ANJ já anunciara esta manhã que pretende criar um Conselho de Autorregulação, com sete membros, baseado em órgãos do mesmo gênero no exterior e em seu próprio código de ética.

Serra admitiu que frequentemente reclama de matérias jornalísticas, mas disse que faz isso pelo "ânimo de quem debate, não de quem quer censurar". "Uma coisa é divergir de notícias, outra é usar a opressão do Estado, traduzida em pronunciamentos, conferências pressão econômica, chantagem, patrulha organizada em função do partido. É o que está em causa no Brasil hoje", afirmou.

Ao fim do discurso, durante coletiva de imprensa, Serra se recusou a responder três perguntas feitas pelos jornalistas e chegou a virar as costas e sair andando, mas voltou. "Alguém quer falar de liberdade de imprensa?", disse ao retornar.

Uma das perguntas que Serra se recusou a reponder foi sobre o que achava do comentário feito pelo aliado Roberto Jefferson (PTB)  que, no Twitter, acusou o acusou de provocar a dispersão em sua campanha, e se Serra acha que o PT é um partido antidemocrático.

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