Serra diz que Dilma pressionou emissora para não entrevistá-lo

Tucano critica petista por ter desistido de debate dos presidenciáveis sobre o Nordeste e apresenta plano para o Semi-Árido

Nara Alves, enviada a Recife |

Na sua última visita ao Nordeste neste segundo turno, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra , criticou a rival Dilma Rousseff (PT) por não ter comparecido ao debate que seria realizado pelo SBT Nordeste e acusou a campanha petista de ter pressionado a emissora para não fazer uma entrevista exclusiva com o tucano. Serra esteve em Recife nesta quarta-feira, onde apresentou um plano de governo para a região do Semi-Árido e fez uma caminhada pelo centro da capital pernambucana.

“Você combina um debate sobre o Nordeste, que é uma coisa de muito interesse (...) e no final a Dilma suspende a vinda e pressiona o SBT para não fazer a entrevista comigo sozinho. Houve pressão. Até ontem estava tudo marcado”, afirmou o candidato que, com a desistência de Dilma, seria entrevistado exclusivamente pelo SBT no horário do debate.

Serra apresentou o plano que ele havia preparado para expor no embate. O texto divulgado traz dez principais componentes da política proposta por ele para o Semi-Árido e dez metas para 2020. Segundo ele, o objetivo é ter 3 mil agentes de saúde da família e 3 mil agentes rurais até 2020, implantar novas escolas técnicas na região, reduzir em 80% a mortalidade infanteil, entre outros. O plano destaca a continuidade do Bolsa Família, investimento em água potável, agropolos e proteção ambiental. O tucano ainda defendeu a criação da Secretaria do Semi-Árido, uma espécie de nova Sudene para coordenar essas ações.

Na caminhada realizada na tarde desta quarta-feira, o candidato foi acompanhado pelo deputado e coordenador da sua campanha, Sergio Guerra (PSDB-PE), e pelos candidatos derrotados ao governo de Pernambuco pelo PMDB, Jarbas Vansconcelos, e ao Senado pelo PPS, Raul Jungmann, e pelo DEM, Marco Maciel.

Para Jarbas, o objetivo da última visita de Serra à região é uma forma de “reduzir o tamanho da derrota aqui”. Segundo o senador, a perspectiva no Nordeste continua ruim para o tucano, especialmente por causa da estrutura montada pelo governo federal com governadores e prefeitos da base aliada.

A campanha tucana na região aposta no índice de abstenção para reduzir a vantagem de Dilma. Segundo o deputado Raul Jungmann, o nordestino do interior votou no primeiro turno com a ajuda e o transporte fornecidos por centenas de candidatos a deputados, principalmente apoiadores da candidatura Dilma. No segundo, turno vai faltar esse apoio para os eleitores se dirigirem às urnas.

Na avaliação de Sérgio Guerra, a intenção de voto em Serra no Nordeste “é muito melhor do que a encomenda”. Mas ressalta que as visitas à região não são produtoras de votos, mas sim, significativas para mostrar presença e energia.

Durante a caminhada, Serra ensaiou alguns passos ao som da música “Ah Moleque” e chegou a subir em um banco, de onde disse: “Domingo, quem vai ganhar é o povo do Brasil”.

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