Serra defende mudanças no projeto do novo Código Florestal

Com um olho nos ruralistas e outro nos ambientalistas, tucano prega "flexibilização" do Código com garantias para o produtor rural

Nara Alves, enviada a Santa Catarina |

O presidenciável tucano, José Serra , defendeu neste sábado em Chapecó, região oeste de Santa Catarina, a "flexibilização" do Código Florestal . De acordo com o candidato, as regras devem levar em conta as diferenças regionais no Brasil. Para ele, o Código não deve ser o mesmo para Estados como, por exemplo, Amazonas e Santa Catarina. Ele pregou que o projeto deva sofrer alterações para ser aprovado, mas com garantias para produtores rurais. 

Nara Alves
Serra participa de evento em Santa Catarina
"É diferente o problema da Amazônia do problema de Santa Catarina, que é um Estado de pequenas e médias propriedades que já estão ocupadas há muitas décadas, para não dizer séculos. (...) O Código Florestal tem de permitir algum peso para as condições regionais", ressaltou o tucano.

O candidato também criticou o atual governo por, segundo ele, impor multas ambientalistas mas não cobrá-las, o que enfraquece o efeito da punição. Serra voltou a dizer que é um "ambientalista" e ressaltou os escândalos de corrupção envolvendo lideranças do governo Lula e a presidenciável petista Dilma Rousseff.

Lideranças do PV afirmaram, logo após o término do primeiro turno, que as alterações no Código Florestal, criticadas por ambientalistas, entrarão na barganha política com Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) no segundo turno. A possibilidade de novas alterações no projeto relatado pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) serem incluídas na negociação de um cobiçado espólio de quase 20 milhões de votos de Marina causa temor nos ruralistas, importante base de apoio a José Serra.

"O projeto não pode ser votado em ano de eleição. Ano que vem vamos discutir, tendo em mente a necessidade de preservar o meio ambiente e de ter também incentivos econômicos para o desenvolvimento do país", disse Serra.

O candidato disse ainda que acredita em boa convergência em relação ao Código, "independentemente de quem Marina apoiar". "A proposta tem de ser modificada para se chegar a um entendimento", ressaltou. 

nullEm sua primeira visita ao Sul do País depois do primeiro turno, Serra foi a Chapecó, oeste de Santa Catarina. No Estado, o tucano venceu a rival Dilma Rousseff por 45,77% dos votos válidos, contra 38,71% da petista. Na região oeste de SC, no entanto, Serra foi derrotado por Dilma.

À tarde, o presidenciável participou de reunião com a bancada de deputados estaduais do PP em Blumenau, no Vale do Itajaí. Serra pediu apoio do partido, que na última quinta-feira liberou seus 124,8 mil filiados a votar em qualquer candidato. No primeiro turno, a candidata à sucessão estadual pelo PP, Angela Amin, também se manifestou como neutra na corrida ao Planalto. Depois da reunião com a legenda, Serra assistiu a um desfile na Oktoberfest.

A agenda em Santa Catarina foi acertada pelo coordenador da campanha de Serra no Estado, o ex-governador e senador eleito pelo PMDB, Luiz Henrique da Silveira, que esteve nesta semana reunido com Serra em São Paulo.

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