Em evento de central sindical, tucano disse que CUT "sacrificou interesses dos trabalhadores em nome de um partido político"

Em evento da União Geral dos Trabalhadores (UGT) nesta quarta-feira, o candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, criticou a Central Única dos Trabalhadores, central sindical tradicionalmente ligada ao PT. “A CUT era uma entidade sindical antipelega até o PT chegar ao governo. Aí virou uma entidade superpelega quando o PT chegou ao governo. Eram aprendizes de pelegos com relação ao que se tem hoje”, disse o tucano. Pelego é a gíria usada para designar sindicalistas que têm compromisso com a empresa, e não com trabalhadores.

Serra e Alckmin durante evento na União Geral dos Trabalhadores, em São Paulo
AE
Serra e Alckmin durante evento na União Geral dos Trabalhadores, em São Paulo
Ainda referindo-se à CUT, Serra disse que “eles sacrificaram interesses dos trabalhadores em nome de um partido político”. Serra compareceu ao evento acompanhado dos candidatos ao governo de São Paulo pela legenda, Geraldo Alckmin, a vice-governador, Guilherme Afif (DEM), e pelo presidente do PPS, Roberto Freire.

"Profissionais da mentira"

A participação de Serra no evento da UGT foi confirmada apenas ontem e serviu para que o candidato rebatesse as críticas feitas pelas centrais sindicais, no domingo, quando estas soltaram um manifesto acusando o tucano de mentir ao dizer que foi o responsável pela criação do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do seguro-desemprego.

Em resposta às críticas, Serra chamou os autores dessas afirmações de “profissionais da mentira”. “Nesta campanha, se criou mais uma profissão, os profissionais da mentira, para a gente ficar desmentindo a mentira.”

O tucano voltou a defender que foi de sua autoria o projeto que veio a resultar no FAT. “No meu projeto já continha o FAT.” Ele disse ainda que foi autor da emenda que criou fontes de financiamento para o seguro-desemprego.

Emprego

Durante sua explanação no evento, Serra afirmou que o Brasil precisa diminuir as taxas de desemprego. “Nós temos que gerar no Brasil 20 milhões de empregos até 2020, com taxas de desemprego mais decentes que as atuais e com bons empregos”.

Segundo ele, essa “tarefa” será definida nos próximos anos. “Esta eleição é fundamental para firmar o caminho do desenvolvimento”.

Após sua fala para o público do evento, Serra conversou com jornalistas e evitou fazer uma previsão de geração de emprego para o seu governo, caso seja eleito. “Eu não vou apresentar aqui uma estimativa. Não seria responsável”. Ele voltou a dizer que o Brasil está desindustrializando e que não existe uma defesa comercial nacional.

No evento, José Serra também afirmou que o uso da máquina pelo governo na campanha petista mostra que “Dilma não consegue andar com suas próprias pernas”. Ele voltou a dizer que a candidatura de Dilma Rousseff é “produto de marqueteiros”.

Marina

Além de Serra, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, também participou do evento da UGT. Dilma não compareceu e enviou o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP) para representá-la.

Em sua fala, Marina propôs a realização de uma constituinte exclusiva para as grandes reformas, como a política tributária e trabalhista. “Estou chegando à conclusão de que não é fácil fazer esta reforma. Estão pedindo mais quatro anos para fazer o que não foi feito em oito”, disse a candidata, referindo-se aos mandatos de FHC e de Lula.

A realização de uma constituinte exclusiva, no entanto, depende de questões jurídicas que estão sendo verificadas pela equipe da campanha do PV, segundo Marina. Ela também criticou o que chamou de “guerra de dossiês” e rebateu afirmações de adversários sobre a falta de alianças em sua candidatura. “Se em cima do palanque tem 500 quilos de política velha, eu não quero”.

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