Candidato tucano volta a criticar a política externa do governo Lula e diz que Brasil "não tem de meter o bico"

Durante sua fala no encontro do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), na capital paulista, o presidenciável tucano, José Serra, voltou a criticar a política externa do governo Lula. Ele criticou o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter "simpatia" pelo presidente venezuelano Hugo Chávez que, segundo ele, tem ligação com as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas, as Farc. "É inegável que o Brasil tem uma simpatia maior pelo Chávez. E é inegável que o Chávez abriga as Farc", disse.

Serra chamou de "filantropia" o aumento de 15% da remuneração da energia do Paraguai. "Por que não fazemos isso no Ceará?", questionou. Segundo ele, a política externa brasileira não faz negócios, ao contrário do que prega o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. "Sou a favor da tese negócios são negócios, mas é o que o Brasil não está fazendo. O Celso teria razão se o Brasil tivesse feito isso", disse.

O tucano também voltou a criticar a negociação com Turquia e Irã. "Não temos de meter o bico", disse. Para ele, outro erro do governo federal diz respeito aos direitos humanos. "É amigo de Cuba? Então usa essa amizade para libertar os presos cubanos, não deixa isso pra Espanha", afirmou e foi muito aplaudido.

"Patrimonialismo bolchevique"

Ao falar novamente em loteamento nos cargos federais, o candidato afirmou que o Brasil vive hoje um "patrimonialismo bolchevique". Serra se referiu ao uso do governo como propriedade privada. As práticas do patrimonialismo, segundo o candidato, voltaram ao Brasil em sua plenitude, em tudo que tinha de pior e, ao citar um "patrimonialismo bolchevique", ele deu a entender que o PT segue a ideologia de grupos que chegam ao poder e esquecem a ética em nome do partido.

"Precisamos de um Brasil que seja governado por partidos, mas não para os partidos, como sempre aconteceu na democracia. Hoje vivemos uma era de exacerbação do patrimonialismo. Patrimonialismo sindicalista. Patrimonialismo de oligarquias regionais. Só para ironizar, como eu dizia no começo do governo Lula, do patrimoniaslimo bolchevique, que produziu até Tycoons agora", disse.

Em seguida, Serra perguntou ao empresário João Dória Jr., anfitrião do encontro, qual seria a melhor tradução para isso (Tycoons). Dória respondeu: "empreendedor". E Serra finalizou sua fala dizendo que a tradução era muito bondosa. "Tycoons" é a palavra utilizada no meio empresarial para designar homens de negócios poderosos, muitas vezes inescrupulosos.

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