Serra acusa uso da máquina e mercado de voto

Tucano sobe tom das críticas ao participar de evento do PSDB na capital do Ceará. Disse ainda que seu partido age como pata

Adriano Ceolin, enviado a Fortaleza |

No seu último evento político em Fortaleza, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, acusou o uso da máquina pública na campanha e disse que há políticos que agem como “mercadores” - numa referência à compra de votos. Anfitrião do presidenciável, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou que funcionários do Banco do Nordeste que vão a eventos tucanos são perseguidos.

O tucano citou o marqueteiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, Duda Mendonça, para diferenciar o jeito tucano de fazer política: "Ele me disse que na política você precisa ser como a galinha, que põe um ovo pequeno, cisca para burro e todos prestam atenção. Em vez da pata que põe um ovo grande, rico em proteína, mas fica quietinha. Acho que o PSDB está mais para pato que para galinha".

O tucano disse ainda que o modo de fazer política mudou. “Mercantilizou tudo. Não estou diminuindo quem se elege como mercador. Não é todo mundo que se elege como mercador. Mas ficou mais difícil. É um troca-troca. Uma coisa espantosa. Isso tudo parecendo legítimo, chique. Ficou até uma coisa consagrada. Não é assim que nós devemos deixar nosso país. Temos de mudar”, disse Serra.

Serra citou nominalmente o presidente regional do PSDB do Ceará, Marcos Penaforte, dizendo que ele teria dificuldade de se eleger por conta da atual forma de se fazer política. Ex-deputado, Penaforte havia acabado de fazer um discurso agressivo contra Lula. Chamou-o de presidente do “discurso fácil”.

Sem se dirigir a Lula ou ao governo federal, Serra também criticou o uso da máquina pública para fazer campanha. “Nós temos de entrar numa campanha por vigor. Nós não vamos estar movidos por máquina, mas sim pela alma”, disse para a plateia formada por cerca de 2 mil pessoas.

“Temos de restabelecer na política a ética do indivíduo. Não vale a ética do partido, da qual pode se fazer qualquer loucura, qualquer lambança - do ponto de vista individual porque está se trabalhando pelo partido”, completou o candidato tucano.

Organizador do evento realizado na capital, Tasso também fez críticas ao PT e à candidata do partido à presidência, Dilma Rousseff. O tucano relatou que funcionários do Banco do Nordeste, instituição ligada ao governo federal, não podem ir a evento de outros partidos porque são perseguidos.

Serra fez questão de comentar a fala de Tasso. “Essa patrulhamento ao que o Tasso se referia é exatamente a perversão da ética. Essa é lógica partidária. A lógica do inimigo que tem de ser massacrado. Nós não queremos e não vamos massacrar ninguém. Nós vamos vencer a luta democrática.

Tasso, no entanto, poupou Lula e chegou até a elogiá-lo. “O Lula é ainda o que há de melhor no PT. Imagine o PT sem o Lula”, disse. Candidato à reeleição ao Senado, o tucano concentrou suas críticas em Dilma e às obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). “Alguém conhece alguma obra do PAC pronta aqui no Ceará?”, provocou. A platéia respondeu: “não”.

Serra passou dois dias no Ceará. Nesta segunda-feira, esteve na região do Cariri, ao sul do Estado, onde visitou três municípios (Crato, Barbalha e Juazeiro do Norte). Nesta segunda-feira, foi à capital, Fortaleza, onde participou de um almoço com jornalistas e empresários. À tarde, visitou o porto de Pecém, cujo projeto ajudou a realizar. À noite, compareceu a um evento do PSDB com cerca de 2 mil militantes.

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