Sergipe: Déda ganha queda de braço e leva Lula ao palanque hoje

Em entrevista ao iG, governador de Sergipe e candidato à reeleição chama oposição de 'bancada do escândalo'

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Governador do menor Estado da federação, o petista Marcelo Déda, líder nas pesquisas em Sergipe ganhou a queda de braço com entes federados de maior peso político e terá o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu palanque na noite desta quarta-feira. Para isso contou com o apoio de outro sergipano influente, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra.

Em entrevista ao iG por telefone, Déda defendeu a liberdade de imprensa, a reforma partidária e disse que uma possível eleição de Dilma Rousseff (PT) deve enterrar o modelo atual de oposição que chamou de “a bancada do escândalo” e provocar o surgimento de outra, cujo principal nome será o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB).

Leia os principais trechos da entrevista

iG – Parte da mídia enxerga no PT uma ameaça à liberdade de imprensa e o presidente Lula, por sua vez, acusa a grande imprensa de agir como partidos políticos. Essa relação conflituosa foge à normalidade democrática?

Macelo Déda - Numa democracia, a imprensa é livre até para ser injusta. Mas aqueles que são alvo têm a mesma liberdade para criticar. O fundamental é que o Estado enquanto força não adote qualquer medida para cercear a livre expressão e não houve iniciativa estatal para reprimir.

iG – Há risco de um golpe midiático caso Dilma seja eleita, como pregam alguns petistas?

Déda – Não. O clima eleitoral potencializa a disputa mas não há risco para a imprensa nem para a democracia. O Brasil tem clareza da necessidade da estabilidade política e econômica.

iG – Quais devem ser as prioridades do próximo governo no campo político?

Déda – Defendo abertamente a atualização do nosso sistema político e da legislação eleitoral.

iG – Isso passa por uma reforma partidária?

Déda – É preciso atualizar o sistema partidário com uma nova legislação partidária que permita a reorganização do sistema e dê densidade aos partidos de forma que eles reflitam as correntes que realmente existem na sociedade e não sirvam apenas para negociar tempo na TV em época de eleições. Isso significa uma reforma partidária.

iG – Se confirmada a vitória de Dilma, a oposição deve sair enfraquecida das eleições. Como será a oposição em um possível governo Dilma?

Déda – Um estilo de oposição será traumaticamente derrotado. Um estilo que não aceita o novo Brasil surgido do governo Lula e tem se valido de todo tipo de instrumentos. Virou a bancada do escândalo, cuja doutrina é a primeira página dos jornais ou a capa das revistas. Mas isso não significa que a oposição vai acabar. Vai surgir um novo discurso de oposição cujo grande nome visível é o governador Aécio Neves (PSDB-MG).

iG – O abrandamento ou enfraquecimento da oposição pode acirrar a disputa interna entre os partidos aliados?

Déda – Todo governo tem suas disputas internas. Seja numa cidade do interior seja no Planalto. Essa disputa tem que ser mediada pela força política do presidente da República ou, no caso, espero, da presidenta. O presidente tem que levar em conta as demandas partidárias mas não pode abrir mão da última palavra.

iG – Qual será o desafio do PT nos próximos quatro anos?

Déda – O grande desafio é o partido se preparar para uma nova fase na qual terá que dialogar com setores desorganizados politicamente. Temos que alcançar essas pessoas e nos apresentar. Além da nova classe média, tem os mais pobres que se sentiram representados pelo governo do presidente Lula. O PT precisa se entender com eles e os convidar para militar no partido.

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