Sarney `lava as mãos¿ nas eleições do Amapá

Senador votou apenas em Dilma. Políticos revelam que ele quer mais tempo para escrever as memórias

Menezes y Morais, iG Brasília |

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB), sinalizou no Amapá (AP) que pretende retornar integralmente ao Maranhão, de onde saiu politicamente em 1990, quando transferiu o domicílio eleitoral da terra do poeta Gonçalves Dias para o ex-território transformado em Estado, pela Constituição de 1985. Em Brasília, fontes ligadas a Sarney asseguram que ele quer voltar ao Maranhão.

Por dois motivos: primeiro, a filha Roseana Sarney (PMDB) volta ao governo dia 1º de janeiro de 2011. E como o presidente do Senado conversa apenas o "estritamente necessário" ao telefone, gostaria de estar mais perto da filha, para os eventuais "aconselhamentos." Segundo, Sarney, aos 80 anos, quer dedicar-se mais à literatura, para escrever suas memórias.

Não votou em governador

Na eleição de domingo (31/10), Sarney não votou em nenhum dos dois candidatos que disputaram o governo do Amapá – Lucas Barreto (PTB) e Camilo Capiberibe (PSB), este eleito com 53,7% dos votos válidos. O PSB de Capiberibe e o PMDB de Sarney são da coligação nacional que elegeu Dilma Rousseff (PT) primeira presidenta do Brasil, com 56% dos votos válidos.

Domingo (31/9), ao sair na escola Antonio Pontes, em Macapá, onde votou, Sarney revelou que votou apenas em Dilma, presidenta eleita. Não disse por que se absteve de votar para governador do Estado. Sarney elogiou a democracia como forma de governo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Lula tem sido um grande administrador," afirmou.

Quanto às eleições para governador do Amapá, Sarney disse que o eleitor está bem informado, sabe escolher seus governantes. Para ele, o candidato que não corresponde aos anseios da sociedade é excluído do processo político. "O amapaense abraça, ama aqueles que trabalham pela coletividade. Os que os decepcionam recebem voto contra. Assim é a democracia," afirmou.

Maranhão

Em Macapá, após sair da cabine eleitoral, Sarney reuniu-se com o prefeito Roberto Góes (PDT), voltou ao aeroporto de Macapá e embarcou num jato particular para o Maranhão, onde nasceu (município de Pinheiro) em 24 de abril de 1930. Há 56 anos que o clã dos Sarney domina a política maranhense. Tem inclusive um período de comunicação de massa formado por jornal, rádio e TV.

Os críticos de Sarney afirmam que sua família enriqueceu na política, enquanto o Maranhão é hoje o estado mais pobre da região Nordeste, substituindo o Piauí, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O domínio do clã Sarney no Maranhão teve apenas o intervalo com a eleição de Jackson Lago (PDT) em 2007, derrotando Roseana.

Lago e o vice-governador Luiz Carlos Porto (PPS) foram cassados em 2 de março de 2009 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que aceitou denúncia de compra de votos impetrada pela coligação de Roseana. Lago elegeu-se prefeito de São Luis por três vezes. Nas eleições para governador este ano perdeu para Roseana, que conquistou 50.08% dos votos.

Ocaso politico

Roseana disputou, além de Lago, com Marcos Silva (PSTU), Flávio Dino (PCdoB), Saulo Arcangelli (PSol) e Josivaldo Corrêa (PCB). Agora, aos 80 anos e meio, Sarney não quer mais dedicar-se ao processo político de Amapá. Seu terceiro mandato na presidência do Senado – marcado por diversos escândalos – termina no inicio de fevereiro de 2011. E o de senador em 2015. Sarney estará então com 85 anos.

Sarney manterá sua liderança nos bastidores, zelando pelo futuro de políticos que criou, como o ministro Edson Lobão (PMDB), das Minas e Energia. O ocaso político do autor, entre outros, de O Dono do Mar, dará mais tempo ao escritor José Ribamar Sarney de Araújo Costa – membro da Academia Brasileira de Letras – para dedicar-se à literatura.


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