Gilberto Kassab derrota Marta Suplicy e é reeleito prefeito de São Paulo com 60% dos votos
26/10 - 19:17, atualizada às 23:33 26/10
Redação
SÃO PAULO – Está confirmada a reeleição de Gilberto Kassab (DEM) para a Prefeitura de São Paulo. Com 100% das urnas apuradas, o prefeito paulistano recebeu 60,72% dos votos válidos contra 39,28% de Marta Suplicy (PT). Votos brancos somaram 2,62% e nulos, 5,03%. O índice de abstenção foi de 17,54%.
- Marta recebeu menos votos que em 2004
- Paes derrota Gabeira por pequena vantagem no Rio
- Lacerda vence Quintão e é eleito prefeito de Belo Horizonte
- José Fogaça é reeleito prefeito de Porto Alegre
- João Henrique é reeleito prefeito de Salvador
- Ricardo Kotscho: Deu a lógica, vitória de alianças e máquinas
Em discurso logo após a divulgação do resultado final da eleições, Gilberto Kassab agradeceu aos eleitores e parabenizou os candidatos do primeiro e segundo turnos, especialmente Marta Suplicy, que, para ele, teve uma "votação expressiva".
O centro principal de seus agradecimentos, contudo, foi o governador José Serra (PSDB), que estava ao seu lado: "Não poderia deixar de registrar a importância que tem o governador José Serra nesse mandato. Há quatro anos, o Serra foi eleito prefeito dessa cidade com o compromisso de transformá-la. E é muito gratificante, passados quatro anos, vermos o reconhecimento da população".
O prefeito reeleito exaltou as qualidades do tucano como líder e disse que "ganhou um amigo" nos últimos anos. "Tive uma grande perda, a morte da minha mãe, e ganhei um grande amigo e um grande líder, que é o José Serra. Dedico a ele essa vitória", afirmou Kassab, que minutos antes dissera à TV Globo que sua eleção reforça nacionalmente a aliança entre o DEM e o PSDB. Veja vídeo:
Depois de Kassab, foi a vez de Serra falar. Ele parabenizou o prefeito por ter conseguido uma maioria ainda mais expressiva do que aquela obtida em sua própria eleição, há quatro anos: "Coube a ele governar a maior parte do mandato, e ele conseguiu uma maioria ainda maior do que a que tivemos em 2004".
Serra ainda reforçou a importância do trabalho em conjunto entre o Governo e a Prefeitura, enumerou os partidos envolvidos na coligação, ressaltou a votação expressiva recebida por Marta suplicy, mas disse que a vitória de Kassab é uma vitória contra aqueles que buscam uma hegemonia política.
"A vitória do Kassab mostra que o Brasil ganhou em pluralidade e diversidade. E mostra que o povo não quer que nenhum partido tenha monopólio ou lute por monopólio. Perderam aqueles que sonham com esse monopólio. Meu partido não tem e nunca terá essa pretensão", disse o governador paulista.
Depois da coletiva, Kassab e Serra foram para a frente do Teatro Municipal. A rua em frente ao teatro foi fechada e, em discurso de 10 minutos, o prefeito voltou a agradecer aos eleitores e a José Serra, para quem pediu uma salva de palmas. Kassab afirmou que a prioridade do seu governo será a área social: educação, saúde e habitação. Houve então uma queima de fogos de mais de cinco minutos.
Até há pouco tempo desconhecido dos paulistanos, o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que substituiu o governador José Serra (PSDB) em 2006, torna-se, com a vitória na disputa pela prefeitura da maior cidade do país, uma das maiores lideranças do antigo PFL.
O prefeito cresceu ao longo da campanha e abocanhou o lugar de Geraldo Alckmin (PSDB) no 2º turno com Marta Suplicy (PT). Chegou inclusive a ficar à frente dela no dia 5, ao contrário do que diziam as pesquisas. No primeiro turno, o prefeito teve 33,61% dos votos, contra 32,79% da petista.
Apesar dos ataques de Marta à sua vida pessoal, em uma peça publicitária na qual perguntava se o eleitor sabia se Kassab era casado e tinha filhos, e a seu passado como secretário do ex-prefeito Celso Pitta (1997-2000), o prefeito reeleito soube aproveitar-se dos altos índices de aprovação a seu governo. Nem mesmo a vinculação de Marta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vem batendo recordes de popularidade, foi suficiente para derrotar o político do DEM.
| Arte/US |
![]() |
Marta chora e pede fiscalização
Após divulgação de parcial com 82% das urnas apuradas, mesmo antes de a vitória de Kassab se confirmar matematicamente, Marta Suplicy admitiu a derrota. Ela falou por apenas 41 segundos e deixou a entrevista coletiva chorando.
Marta agradeceu aos eleitores, à militância, aos sindicatos e partidos que a apoiaram e disse que "agora cabe ao povo de São Paulo fiscalizar e cobrar os compromissos assumidos pelo novo prefeito". "Da minha parte, eu desejo o melhor para nossa cidade", concluiu. Veja o vídeo:
Quem é Kassab?
Engenheiro e economista formado pela USP, Gilberto Kassab, 48 anos, é filho de um médico e uma professora. Nasceu no bairro de Pinheiros e estudou no tradicional colégio Liceu Pasteur.
O prefeito começou na política aos 24 anos participando do Fórum de Jovens Empreendedores da Associação Comercial de São Paulo (FJE-ACSP), criado em 1984 pelo empresário e presidente da ACSP, Guilherme Afif Domingos. Cinco anos depois, trabalhou na campanha de Afif à Presidência da República. Foi diretor do Sindicato dos Corretores de Imóveis e vice-presidente da ACSP.
Em 1992, foi eleito vereador em São Paulo pelo PL, partido do padrinho Afif na época. Dois anos depois, chegou à Assembléia Legislativa e, em 1998, à Câmara dos Deputados, onde foi reeleito com a nona maior votação de São Paulo (230.796 votos). Em 2004, foi eleito vice-prefeito na chapa de José Serra, que deixou o cargo em 2006 para disputar o governo estadual.
Antes de ser indicado pelo PFL a vice na chapa de Serra, Kassab chegou a ser cogitado em 2002 como candidato ao governo estadual pelo partido, que apostava na candidatura de Roseana Sarney à Presidência. Com a verticalização das coligações imposta pelo TSE, o PFL não poderia se coligar com o PSDB pela reeleição de Alckmin no Estado se tivesse nome para o Palácio do Planalto.
Em maio, o partido voltou atrás e declarou apoio ao tucano, com a concordância de Kassab, na época membro da direção da legenda. O partido também desistiu de lançar nome próprio à Presidência.
Em 2004, o PFL paulista pressionou os tucanos a definirem um nome para disputar a prefeitura da capital – preferencialmente Serra –, sob a ameaça de lançarem candidatura própria. À frente do movimento estava Kassab.
Os pefelistas lançaram o deputado federal José Aristodemo Pinotti como pré-candidato e Kassab chegou a dizer que a decisão do partido era “irreversível”. Quinze dias depois, o partido já admitia a possibilidade de aliança com o PSDB, quando Kassab passou a ser cotado como vice de Serra. O hoje prefeito dizia não ter interesse. “Um dia quero ser vice, mas não agora”, disse em junho de 2004.
A indicação não agradou a vários membros do PSDB pela relação de Kassab com o ex-prefeito Celso Pitta. Ele havia sido secretário municipal de Planejamento do ex-aliado de Paulo Maluf entre 1997 e 1998. Kassab também não agradava a Serra no início. O tucano preferia outros nomes, mas o PFL não concordou.
Kassab então comparou a situação com a do ex-ministro José Dirceu e seu assessor Waldomiro Diniz, acusado de receber propina de um empresário. "Assim como o José Dirceu não aceitaria ter o Waldomiro Diniz de volta como assessor, eu não seria secretário do Pitta de novo", disse o hoje prefeito.
De 1994 a 1998, seu patrimônio cresceu 316%, descontada a inflação, de R$ 102 mil para R$ 985 mil. Nesse período, Kassab foi secretário de Pitta e deputado estadual. A Promotoria de Justiça da Cidadania de São Paulo chegou a abrir inquérito civil em julho para investigar eventual enriquecimento ilícito de Kassab e de seu sócio, o hoje secretário municipal Rodrigo Garcia (DEM). Kassab alegou que sua atividade empresarial havia crescido. Em dezembro, a Justiça autorizou a quebra de sigilo do vice-prefeito eleito, mas a liminar foi derrubada logo depois. O prefeito declarou patrimônio ao TSE neste ano de R$ 5.107.628,31.
A um mês do 1º turno, Serra disse que só deixaria prefeitura antes de terminar o mandato “se Deus lhe tirasse a vida”. Naquela campanha, Marta já insistia em vincular os adversários a Pitta, como fez na eleição de 2008. “É a turma do Pitta de volta na cidade de São Paulo", disse a petista no debate de 2º turno em 2004 na TV Bandeirantes.
Quando começaram os rumores da candidatura de Serra à Presidência, em 2006, os aliados de Alckmin criticaram o abandono da prefeitura com um ano e meio de mandato. No dia 31 de março, Serra deixou a prefeitura para disputar o governo estadual. Sobre Kassab, o tucano falou: “Muda o maestro, mas permanece a orquestra”.
O prefeito começou seu mandato com uma greve de professores da rede municipal em curso. Kassab mantinha uma administração discreta até o surgimento do projeto Cidade Limpa, polêmico porque ameaçava os lucros das agências de publicidade.
O episódio que o tornou menos desconhecido da população ocorreu em razão do projeto. Em fevereiro do ano passado, chamou de “vagabundo” a um homem que protestava contra o serviço de saúde e a Lei Cidade Limpa na inauguração de uma AMA na zona norte.
| Arte/US |
![]() |
Como foi a campanha
A ex-prefeita Marta liderou as pesquisas desde o início da campanha. Ela começou com 38% em levantamento feito pelo Datafolha em 5 de julho, contra 31% de Alckmin e apenas 13% de Kassab. Assim que o horário eleitoral na TV e no rádio começou, em 19 de agosto, uma nova rodada registrou a queda do tucano. Marta aparecia com 41%, contra 24% de Alckmin e 14% do prefeito.
Em 6 de setembro, o Datafolha já identificava o empate entre os candidatos do PSDB e do DEM. No dia 30, o instituto divulgava a ultrapassagem de Kassab.
Enquanto Alckmin mostrava suas realizações como governador, Marta e Kassab comparavam gestões na prefeitura. A polarização da discussão entre os candidatos do PT e do DEM durante toda a eleição já prenunciava o 2º turno. O tucano ficou sem discurso definido, já que não era oposição e poderia ser considerado parcialmente situação – o PSDB integra a administração de Kassab.
A ex-prefeita insistiu em várias ocasiões que Kassab teria feito muito menos com orçamento quase duas vezes maior. O prefeito respondia que Marta teria deixado a prefeitura com milhões em dívidas e quase nenhum dinheiro em caixa.
Marta apoiou sua campanha nas realizações de sua gestão na área de transportes (bilhete único e corredores de ônibus) e educação (CEUs), e sua principal bandeira foi o projeto de internet banda larga sem fio e gratuita para todos.
Já o prefeito exibiu a criação das AMAs, a lei Cidade Limpa, a expansão dos CEUs, a construção de dois hospitais e o investimento no metrô.
A forte identificação de Marta com o bilhete único, criado em sua administração, levou Kassab a ampliar o prazo de duração do benefício de duas para três horas. A medida foi tomada em julho, em plena campanha eleitoral, mas o prefeito negou as acusações de interesse eleitoral.
PSDB x DEM
As brigas no PSDB paulistano sobre lançar candidatura própria ou apoiar o prefeito tomaram conta do noticiário político desde o início do ano. A ala dos tucanos que fazia parte da administração Kassab ficou com o DEM e foi acusada de infidelidade partidária pelos aliados de Alckmin.
Alguns dos principais líderes nacionais dos tucanos, como o governador José Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, defenderam o apoio ao prefeito e pouco se empenharam na campanha de Alckmin. Mais tarde, formalmente, disseram aderir a Alckmin.
No início da campanha, Alckmin chegou a dizer que Kassab não era seu adversário e que ele, Alckmin, teria o apoio de todo o PSDB no 2º turno. Quando o prefeito o ultrapassou nas pesquisas, o tucano mudou de idéia, trocou de marqueteiro e adotou um tom mais agressivo. Na propaganda na TV, lembrava sua história de “coerência” no PSDB e associava Kassab ao ex-prefeito Celso Pitta.
Quem é Marta
Kassab derrotou a petista Marta Suplicy, 63 anos, que perdeu a segunda eleição sucessiva para e prefeitura (em 2004, José Serra venceu a candidata). Formada em psicologia pela PUC-SP, Marta tem mestrado nos Estados Unidos e especialização em psicanálise. Foi casada por 37 anos com o senador Eduardo Suplicy (PT), de quem se separou em 2001. Tornou-se conhecida na década de 80 ao apresentar um quadro sobre sexologia no programa TV Mulher, da Rede Globo.
A sexóloga filiou-se ao PT em 1983 e foi eleita deputada federal onze anos depois. Disputou o governo estadual em 1998 e dois anos depois foi eleita prefeita. Em 2004, foi derrotada por José Serra na disputa pela reeleição. No início de junho, Marta deixou o cargo de ministra do Turismo, que ocupava desde março de 2007.
AE
Vitorioso nas eleições paulistanas, Gilberto Kassab dedicou sua vitória ao governador José Serra
publicidade
26/10/2008 - 23:05
Vídeo: Kassab ampliou e inovou meu projeto de governo, diz Serra
26/10/2008 - 22:22
26/10/2008 - 21:48
26/10/2008 - 21:07


