Marta e Kassab fazem debate com muitos ataques e poucas surpresas
25/10 - 00:52, atualizada às 16:14 25/10
Redação
Os candidatos Gilberto Kassab (DEM) e Marta Suplicy (PT) guardaram algumas surpresas para o último debate desta eleição, marcado por uma intensa troca de ataques e poucas propostas. Porém, não conseguiram fugir da sensação de "mesmice" de quem acompanhou os outros encontros entre os concorrentes e os os programas de cada um na TV.
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Logo no primeiro bloco do programa da TV Globo, a petista leu um texto sobre a suposta política de despejo da prefeitura, que teria detalhes como “descongelar a geladeira no dia anterior” e o postulante à reeleição levantou trechos do livro de Hélio Bicudo, vice de Marta entre 2001 e 2004, em que ele diz que a petista deixou a cidade quebrada.
Havia rumores de que tanto um como o outro teriam preparado munição extra para tentar abocanhar eleitores do adversário no último encontro entre os candidatos na TV. Porém, não foi isso que aconteceu.
Os outros quatro blocos foram uma repetição dos debates da Record e Bandeirantes. Marta insistiu em ligar Kassab ao ex-prefeito Celso Pitta e à sua gestão mal avaliada, dizendo que o atual prefeito foi secretário de Planejamento de Pitta. Kassab voltou a falar das taxas criadas pela ex-prefeita.
Na tradicional comparação com um jogo de futebol, foram 10 minutos de jogo eletrizante e outros 80 em que os dois adversários pareciam mais interessados em segurar o resultado do que buscar a vitória. Não faltaram oportunidades. Sem perguntas de jornalistas, puderam dirigir as questões que quiseram um ao outro. Em dois blocos, tiveram apenas de perguntar sobre um tema sorteado na hora.
Dividido em cinco blocos, o debate mais parecia uma reprise dos melhores momentos dos anteriores do que um tentativa de mudar o resultado apontados pelas pesquisas no domingo, no caso de Marta, ou ampliar a vantagem, caso de Kassab.
| Cesar Ogata/Divulgação |
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| Marta e Kassab se cumprimentam |
Os candidatos resumiram em um debate a postura dos outros dois. Marta reeditou a postura agressiva do debate na Bandeirantes, sem o tom um tanto choroso do encontro na Record. Kassab não foi o personagem irônico do debate na Record nem o candidato inseguro da Bandeirantes. Pareciam conformados com o script que tinha de ser seguido, basicamente uma repetição dos programas de televisão que foram veiculados ao longo do 2º turno.
Ao contrário dos outros dois debates, a “torcida” também se
| AE |
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| Marta e Kassab durante o debate |
“A cidade não acredita mais nela”, diz Kassab
Kassab disse que “somente Marta acredita nela mesma”. “A cidade não acredita mais nela”, respondeu o candidato, ao final do debate, quando questionado sobre as constantes associações dele com o ex-prefeito Celso Pitta. “Ela perde tempo falando do Pitta”, completou. Ele atacou ainda a petista e disse que ela “não tem o que mostrar”.
O candidato negou ter conhecimento do documento apresentado por Marta, que seria uma carta de despejo entregue pela prefeitura a uma moradora do Jardim Edith. “Os investimentos [na habitação] são muito mais expressivos e é evidente que jamais usei bombas de gás lacrimogêneo e cachorro para despejar alguém”, afirmou.
Segundo o candidato, o episódio do “vagabundo” em que aparece xingando um homem em uma AMA, em 2005, já foi superado. “Já pedi desculpas e não me preocupo em mostrar os inúmeros momentos de desemtepero que Marta teve em sua vida pública”, rebateu. Nesta sexta-feira, a cena foi explorada pelo programa de TV da adversária.
Ao ser questionado se a voz embarcada da candidata ao falar sobre moradias seria uma estratégia de campanha, Kassab se esquivou: “Não saberia eu responder”.
Após o término do debate, o candidato seguiu para um jantar promovido por seu coordenador de governo, Guilherme Afif Domingos, para ele e sua equipe de campanha. Kassab negou, porém, que está já é uma comemoração antecipada. “É só para cumprimentar aqueles que apoiaram a campanha e os membros que vieram aqui” disse.
Marta admite mudança de tom
Em entrevista a jornalistas no final do debate, a candidata Marta Suplicy (PT) admitiu a mudança de tom em sua campanha, principalmente nesta sexta-feira, quando exibiu na sua inserção na TV a imagem de Kassab xingando um homem de vagabundo em uma AMA. “Eu concordo que nós fizemos uma campanha propositiva. Mas concordei com o uso deste episódio do vagabundo”, afirmou, sem dar mais detalhes sobre a sua propaganda eleitoral.
Marta Suplicy mostrou o que seria a carta com ordem de despejo recebida pela moradora Luciene da Silva, do Jardim Edith, e, como no debate, disse que o Kassab faz é levar “polícia, trator, gás lacrimogêneo e cachorro”. “Isso aqui é uma prova muito dura e desumana”, afirmou.
A petista disse estar mais emotiva desde que visitou o CÉU Vila Formosa, na última terça-feira, e afirmou que chorou ao ver os operários na obras porque quando era prefeita as primeiras vagas eram destinadas aos filhos destes funcionários.
Questionada sobre as tentativas de Kassab de associá-la ao “mensalão”, Marta rebateu: “ O mensalão começou em Minas Gerais com o PSDB, parceiros de Kassab hoje”.
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Reportagem de Filipe Ferrato, Larissa Morais, Lecticia Maggi, Livia Machado e Leandro Beguoci
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