Kassab x Marta: a trajetória dos candidatos à Prefeitura de São Paulo

05/10 - 23:10

Larissa Morais

SÃO PAULO - O engenheiro e economista Gilberto Kassab (DEM) cresceu ao longo da campanha e abocanhou o lugar de Geraldo Alckmin (PSDB) no segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo, no qual enfrentará Marta Suplicy (PT). Até há pouco tempo desconhecido dos paulistanos, o prefeito que substituiu o governador José Serra (PSDB) em 2006 pode ser reeleito e tornar-se uma das novas lideranças do antigo PFL.

 

A ex-prefeita Marta liderou as pesquisas desde o início da campanha. Ela começou com 38% em levantamento feito pelo Datafolha em 5 de julho, contra 31% de Alckmin e apenas 13% de Kassab. Assim que o horário eleitoral na TV e no rádio começou, em 19 de agosto, uma nova rodada registrou a queda do tucano. Marta aparecia com 41%, contra 24% de Alckmin e 14% do prefeito.

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Kassab comemora resultados
Em 6 de setembro, o Datafolha já identificava o empate entre os candidatos do PSDB e do DEM. No dia 30, o instituto divulgava a ultrapassagem de Kassab. 

Enquanto Alckmin mostrava suas realizações como governador, Marta e Kassab comparavam gestões na prefeitura. A polarização da discussão entre os candidatos do PT e do DEM durante toda a eleição já prenunciava o segundo turno. O tucano ficou sem discurso definido, já que não era oposição e poderia ser considerado parcialmente situação – o PSDB integra a administração de Kassab.

Em 1º de agosto, o prefeito lançou uma série de 21 desafios à petista sobre quem fez mais no cargo quanto a creches, parques, etc. Inicialmente Marta ignorou os ataques, mas logo passou a respondê-los indiretamente.

A ex-prefeita insistiu em várias ocasiões que Kassab teria feito muito

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Marta chega para votar em SP
menos com orçamento quase duas vezes maior que o de quando ela deixou o cargo. O prefeito respondia que Marta teria deixado a prefeitura com milhões em dívidas e quase nenhum dinheiro em caixa.

Marta apoiou sua campanha nas realizações de sua gestão na área de transportes (bilhete único e corredores de ônibus) e educação (CEUs), e sua principal bandeira foi o projeto de internet banda larga sem fio e gratuita para todos.

Já o prefeito exibiu a criação das AMAs, a lei Cidade Limpa, a expansão dos CEUs, a construção de dois hospitais e o investimento no metrô. 

A forte identificação de Marta com o bilhete único, criado em sua administração, levou Kassab a ampliar o prazo de duração do benefício de duas para três horas. A medida foi tomada em julho, em plena campanha eleitoral, mas o prefeito negou as acusações de interesse eleitoral.

Quem são Marta e Kassab
Marta Suplicy tem 62 anos, é formada em psicologia pela PUC-SP, com mestrado nos Estados Unidos e especialização em psicanálise. Foi casada por 37 anos com o senador Eduardo Suplicy (PT), de quem se separou em 2001. Tornou-se conhecida na década de 80 ao apresentar um quadro sobre sexologia no programa “TV Mulher”, da Rede Globo.

A sexóloga filiou-se ao PT em 1983 e foi eleita deputada federal 11 anos depois. Disputou o governo estadual em 1998 e dois anos depois foi eleita prefeita. Em 2004, foi derrotada por José Serra na disputa pela reeleição. No início de junho, Marta deixou o cargo de ministra do Turismo, que ocupava desde março de 2007.

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Marta faz comício na periferia
Engenheiro e economista formado pela USP, Gilberto Kassab, 48 anos, começou na política na campanha de Afif Domingos (DEM) à Presidência, em 1989. Quatro anos depois, foi eleito vereador em São Paulo. Em 1994, chegou à Assembléia Legislativa e, em 1998, à Câmara dos Deputados, onde foi reeleito em 2002. Dois anos depois, foi eleito vice-prefeito na chapa de José Serra, que deixou o cargo em 2006 para disputar o governo estadual.

PSDB x DEM
A campanha em São Paulo começou bem antes do início da propaganda oficial nas ruas. As brigas no PSDB paulistano sobre lançar candidatura própria ou apoiar o prefeito tomaram conta do noticiário político desde o início do ano. A ala dos tucanos que fazia parte da administração Kassab ficou com o DEM e foi acusada de infidelidade partidária pelos aliados de Alckmin.

A executiva municipal do PSDB foi favorável à candidatura do ex-governador, mas 11 dos 12 vereadores do partido ficaram com Kassab. A bancada apresentou em 17 de junho um abaixo-assinado favorável ao prefeito com 424 nomes. Alguns dos principais líderes nacionais dos tucanos, como o governador José Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, defenderam o apoio ao prefeito e pouco se empenharam na campanha de Alckmin.

Membro da ala “kassabista” do PSDB, o secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, disse em junho que a candidatura de Alckmin seria uma aventura. “Querem inviabilizar um projeto político vitorioso e lançar a uma aventura o ex-governador Alckmin, à sua sexta campanha eleitoral em 14 anos".

Antes que a campanha começasse, Serra ainda tentou acalmar os ânimos para que sua candidatura à Presidência e seu partido não fossem prejudicados com a briga PSDB versus DEM. Ele defendia um acordo porque não poderia se indispor com Kassab, a quem escolheu para compor a chapa municipal em 2004.

Kassab chegou a dizer que abriria mão de candidatura em favor de um

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Kassab faz caminhada
tucano, mas no início de junho o modelo de ata de convenção do DEM já excluía a aliança com o PSDB.

Confirmada a candidatura de Alckmin, Kassab não demitiu os secretários tucanos de sua administração. Estima-se que 80% da máquina da prefeitura esteja preenchida com pessoas ligadas ao PSDB. Ao contrário, os utilizou como cabos eleitorais.

No início da campanha, Alckmin chegou a dizer que Kassab não era seu adversário e que teria o apoio de todo o PSDB no segundo turno. Quando o prefeito o ultrapassou nas pesquisas, o tucano mudou de ideia, trocou de marqueteiro e adotou um tom mais agressivo. Na propaganda na TV, lembrava sua história de “coerência” no PSDB e associava Kassab ao ex-prefeito Celso Pitta (o atual prefeito foi secretário do ex-aliado de Maluf).

Os bastidores de Marta
O grande trunfo de Marta foram as realizações do governo federal, que se apoia no bom momento da economia nacional. Para demonstrar o vínculo, contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dois comícios, enquanto Alckmin e Kassab puderam apenas dizer em seus programas que tinham boa relação com o petista.

Outra conquista foi o apoio do chamado “bloquinho”: PSB, PCdoB e PDT. O grupo tinha como pré-candidato o deputado federal Aldo Rebelo, que foi indicado candidato a vice-prefeito. A deputada e ex-prefeita Luiza Erundina (PSB), também cotada a integrar a chapa, apoiou Marta.

A petista ganhou os três partidos, mas sofreu um importante revés ao perder o apoio do PMDB, aliado do governo federal. O ex-governador Orestes Quércia decidiu apoiar Kassab e indicou Alda Marco Antônio para vice na chapa do prefeito.

Outros candidatos
A eleição em São Paulo teve oito candidatos. Além de Marta, Kassab e Alckmin, concorreram Soninha Francine (PPS), Paulo Maluf (PP), Ivan Valente (PSol), Renato Reichmann (PMN), Levy Fidelix (PRTB) e Ciro Moura (PTC). Maluf chegou a estar tecnicamente empatado com Kassab no início da campanha, mas estancou na faixa dos 8% - 9% nas pesquisas. O ex-prefeito e Soninha travaram uma disputa pelo quarto lugar com base em inconciliáveis diferenças sobre transporte: enquanto a vereadora defendeu as ciclovias e o pedágio urbano, Maluf lembrou suas obras viárias para pregar a sociedade do automóvel.  

Em julho, o PPS pediu a cassação da candidatura de Maluf. O partido alegou que o deputado não havia comprovado a absolvição nos processos a que responde na Justiça.

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