“Com todas as letras: é mentira”, diz Alckmin sobre declarações de Kassab

29/09 - 21:00

Lívia Machado

SÃO PAULO – A série de desmentidos sobre os bastidores da relação entre os partidos PSDB e DEM ganhou mais um capítulo. Nesta segunda-feira (29), o tucano Geraldo Alckmin manteve o tom agressivo e negou a existência de conversas entre os dois partidos sobre um eventual segundo turno. O ex-governador ainda frisou que jamais convidou o atual prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), para se lançar candidato a governador com o apoio do PSDB em 2010. “Com todas as letras: é mentira. Isso nunca ocorreu”, asseverou.

 

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Segundo Alckmin, Kassab foi quem o procurou, oferecendo apoio em 2010, desde que ele não fosse candidato à prefeitura. “A história é exatamente o contrário. Eu não toparia isso. Quem decide é o partido, no dia da convenção.”

Na opinião do tucano, há uma ação deliberada para misturar as duas candidaturas. Ele aponta que até o Paulo Maluf (PP) entrou na história, ao classificar Alckmin e Kassab como “farinhas do mesmo saco”. “Não é. A farinha é bem diferente. São carreiras políticas, histórias, compromissos e partidos bem diferentes, caso contrario, não valeria a pena fazer política”, rebateu Alckmin.

Apesar de estar tecnicamente empatado com o atual prefeito, o ex-governador acredita ser o candidato mais forte para enfrentar a petista Marta Suplicy no segundo turno. “Não vou dizer que o Kassab não tenha chances de vencer o PT, mas nós temos muito mais.”

A crise na frágil relação entre DEM e PSDB parece não comprometer uma possível aliança no segundo turno. Alckmin afirma que, no primeiro turno, é preciso distinguir as campanhas, mas a segunda etapa das eleições requer “soma” de forças. Ele ainda declara que não descartará o apoio de nenhum partido. “Eu espero estar no segundo turno e vamos querer o apoio de todos os partidos, mas isso é uma conversa para depois de domingo”.

Para o tucano, é “deselegante” fazer conjecturas antes do segundo turno. Alckmin explica que conversas partidárias serão feitas no momento mais “oportuno”.


Paz, amor e nhoque da sorte


Alckmin também assumiu que sua campanha teve erros. “Certamente erramos. Tivemos que fazer mudanças na comunicação em plena campanha”. Apesar dos problemas, o tucano afirma que não sobrou nenhum ressentimento. “Não faço política com ressentimento, faço com amor, faço zen”, afirmou.

A agenda pública do ex-governador começou no bairro da Mooca, tradicional reduto italiano. Para celebrar o dia de São Pantaleão (29/09), o tucano comeu o tradicional “nhoque da sorte”. “Cumpri a boa tradição italiana e comi o nhoque da sorte. Coloquei um santinho debaixo do prato para dar mais sorte ainda”, explicou.

O candidato caminhou por algumas ruas da Mooca. Em seguida, ao lado de sua mulher, Lu Alckmin, o ex-governador fez carreata até o Pari. Antes de se dirigir, de helicóptero, para a sede da Rede TV, Alckmin cumprimentou lojistas do shopping Center Norte, na zona norte da cidade. Antitabagista convicto, Alckmin foi parado pelo dono de uma tabacaria que o presenteou com um charuto. Questionado sobre o que faria com tal “mimo”, o candidato respondeu: ”Nunca fumei charuto na vida, mas sempre tem um amigo que fuma.”

 

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