Marta Suplicy diz que cidade está em crise e andou para trás na área do transporte

22/09 - 13:34

Lecticia Maggi, repórter Último Segundo

SÃO PAULO - Durante evento promovido nesta segunda-feira pelo Movimento Nossa São Paulo com os candidatos à prefeitura de cidade, a petista Marta Suplicy (PT) afirmou que o transporte na cidade de São Paulo vive uma crise. “Nos últimos quatro anos a cidade andou para trás. A administração atual podia ter dado um salto gigantesco se continuasse a investir nos corredores de ônibus que eu comecei”, afirmou.

 

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Segundo Marta, os investimentos no transporte público de massa têm sido “lentos, escassos e descontínuos”. A ex-prefeita denominou como “factóide pesado” a afirmação feita pelo candidato à reeleição Gilberto Kassab (DEM) que disse que a meta de qualquer candidato é reduzir a tarifa de ônibus ao custo zero. “Não leve a sério. Ele deu uma escorregada pesada no populismo ao dizer isso”, declarou.

No final do evento, Kassab negou que tenha prometido reduzir o preço das passagens e esclareceu que esta seria apenas uma vontade de todos os candidatos. “Há quantos anos a cidade não ficava dois anos sem aumento, e vai ficar até o final do ano de que vem. Isso é redução porque a inflação aumenta e a tarifa não”, defendeu. 

Para o candidato Geraldo Alckmin (PSDB), a redução do preço só seria possível com uma “eficiência maior” dos transportes. “Hoje a passagem é R$ 2,30 e temos R$ 600 milhões de subsídios às empresas. Imagine quanto vai ter que ser [o subsídio] para reduzir?", perguntou. O candidato citou como exemplo o bom funcionamento dos transportes na cidade de Curitiba, no Paraná, onde a passagem custa R$ 1,80 sem subsídios. 

O tucano evitou responder às críticas envolvendo sua campanha, que nos últimos dias tem aumentado os ataques a Gilberto Kassab, possível aliado caso o PSDB vá para o segundo turno. Sobre a entrevista publicada no jornal "Folha de S. Paulo" com o secretário de Governo da prefeitura, Clóvis Carvalho (PSDB), nesta segunda, Alckmin se recusou a comentar. “O PSDB vai respondê-lo”, disse. Na entrevista, Carvalho disse que Alckmin procurou a desunião, perdeu a compostura e não tem moral para se colocar como juiz supremo. 

O evento do Movimento Nossa São Paulo na manhã desta segunda, no teatro do Sesc Consolação, reuniu os candidatos Marta Suplicy (PT), Gilberto Kassab (DEM), Ivan Valente (PSol), Edmilson Costa (PCB), Renato Reichmann (PMN), Geraldo Alckmin (PSDB) e Soninha Francine (PPS) para debater sobre transporte e mobilidade urbana já que hoje é o Dia Mundial Sem Carro. Ficaram de fora Paulo Maluf (PP), Anaí Caproni (PCO), Ciro Moura (PTC) e Levy Fidelix (PRTB). De acordo com o Movimento, eles foram convidados, mas preferiram não participar.

Propostas parecidas

Todos os candidatos tiveram oito minutos para discursar sobre as áreas de transporte público, trânsito, poluição do ar, sistema metroviário, apoio ao pedestre e acessibilidade aos deficientes físicos.

Entre os três candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto, Marta, Kassab e Alckmin, as propostas foram similares, como a criação de corredores de ônibus, instalação de semáforos inteligentes e investimentos no metrô.

Kassab criticou as gestões anteriores por não terem investido no metrô e prometeu R$ 1 bilhão da prefeitura até o final do ano. Na próxima gestão, caso reeleito, afirmou que irá construir 170 km de ciclovias e entregar 130 km de corredores de ônibus.

Marta disse que irá realizar mudanças emergenciais e citou a instalação de câmeras de monitoramento do trânsito, fortalecimento da Companhia de Engeharia de Tráfego (CET) e permissão para recarga do bilhete único no próprio ônibus. “Não vamos aumentar a tarifa e estudamos a implantação de um bilhete único semanal ou mensal”, disse.

Além da construção de novos terminais e da revisão do plano diretor da cidade, Alckmin afirmou que irá criar “o cartão da garotada”, que dará 50% de desconto nas passagens para estudantes de 5 a 14 anos também nos finais de semana.

Entre as medidas mais polêmicas apresentadas, Soninha Francine defendeu a criação do pedágio urbano. “As pessoas não querem pagar para andar em áreas públicas, mas o carro caracteriza-se como uso privado no espaço público”, afirmou.

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