Falta engajamento ao PT, afirma Ivan Valente

08/09 - 12:51

Agência Estado

SÃO PAULO - O candidato do PSol Ivan Valente afirmou nesta segunda-feira, no último dia da série de sabatinas promovida pelo Grupo Estado com os candidatos que concorrem à Prefeitura de São Paulo, que o PT não conta mais com engajamento partidário e criticou a campanha da adversária do PT, Marta Suplicy, dizendo que ela tem de contratar militantes para atuar neste pleito. "Não é à toa que a Marta contrata visitadores pagos, cadê os militantes?", provocou.

 

O candidato do PSol criticou também os ganhos que os bancos estão registrando no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para Valente, o momento é de pragmatismo e citou "o assistencialismo básico" que o governo Lula tem dado aos bancos, em razão dos lucros que o setor vem registrando.

Na avaliação do candidato, a cúpula do PT que dominou a máquina partidária não executou o programa da legenda quando Lula chegou à Presidência e deu continuidade a projetos da administração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como a política econômica. "Nossa saída do PT é uma saída de riscos, sem medo de começar de novo, mas era preciso resgatar o imaginário socialista", afirmou.

O candidato do PSol voltou a dizer que sua legenda não aceita doações de grandes empreiteiras e empresas e citou que "o erro foi feito" no Rio Grande do Sul em razão da campanha da candidata à prefeitura de Porto Alegre pela legenda, Luciana Genro, ter recebido doação de R$ 100 mil do Grupo Gerdau.

Valente disse que se for eleito terá uma relação respeitosa com a Câmara de Vereadores e que evitará o fisiologismo. "Vamos respeitar todos os representantes do povo, mas não vamos aceitar chantagem e nem que o fisiologismo vire a marca da relação. Ou seja, não vamos aceitar que a Câmara vire um balcão de negócios".

Valente negou que é preciso que a maioria dos vereadores pertença à base aliada para que seja possível governar. Ele admitiu que a tarefa se torna mais difícil, mas citou os casos dos petistas Telma de Souza e Antonio Palocci, que governaram as cidades de Santos e Ribeirão Preto tendo pouquíssimos vereadores do partido na Câmara, mas que evitaram o fisiologismo. Ao comentar o caso da gestão de Luiza Erundina na capital paulista, que passou pela mesma situação, ele disse que após a mobilização do PT, "os vereadores fisiológicos fugiram pela garagem da Câmara".

O candidato disse que a questão do transporte e do trânsito na capital paulista é muito complexa e que chegou ao colapso. "Certamente a cidade chegou a um colapso, e para situações como essa, quem disser que tem uma solução imediata não está falando a verdade", declarou. Ele afirmou que sua proposta é aumentar os subsídios para o transporte público para que, gradativamente, a tarifa chegue a zero. Questionado sobre a origem dos recursos para executar esse projeto, ele respondeu que será utilizado dinheiro do orçamento e do aumento da arrecadação da cidade. "A Ponte Estaiada custou R$ 320 milhões, e não é um modal de transporte efetivo para a cidade. É mais um instrumento de valorização comercial e até cenário para rede de TV", ironizou.

Ao falar sobre saúde, o candidato disse que sua proposta é "cumprir a lei e implementar imediatamente o SUS em São Paulo". "Temos que acabar com essas siglas PAS, SIM", alfinetou, em referência às propostas dos candidatos Paulo Maluf (PP) e Geraldo Alckmin (PSDB), respectivamente. Valente disse ainda que a iniciativa privada terá função apenas complementar nessa área. "O que está havendo em São Paulo é uma terceirização forçada e a privatização da saúde", criticou, em referência às AMAs implantadas pelo atual prefeito e candidato Gilberto Kassab (DEM). "Na nossa gestão, quem vai gerenciar a saúde é o município."

Em relação à educação, Valente criticou a ex-prefeita e candidata Marta Suplicy, que reduziu os gastos com educação de 30% para 25% do orçamento municipal, medida mantida pela atual gestão. "Nossa primeira medida é retornar aos 30%", prometeu. "Tenta-se confundir a população ao dizer que dar uniforme e merenda e calçar as ruas próximas das escolas é gastar com educação", criticou. Além disso, Valente disse que irá erradicar o analfabetismo e elevar a qualidade do ensino público, reduzindo o número de alunos por sala de aula e promovendo formação adequada para os professores.

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