Santana x Gonzalez: a disputa dos marqueteiros

Com estilos diferentes e histórico semelhante, eles são considerados por muitos os melhores marqueteiros eleitorais do País

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Os marqueteiros Luiz Gonzalez, que há 16 anos presta serviços ao PSDB , e João Santana, que há 10 anos trabalha como PT, terão nas eleições destes ano papéis diferentes dos que tiveram em disputas anteriores. Os marqueteiros continuam influentes junto a José Serra e Dilma Rousseff, mas caberá a eles o comando mais específico dos programas de rádio e TV.

Um exemplo da mudança: Gonzalez, que fez sua primeira campanha tucana em 1994, para o então candidato a governador Mário Covas, não chefiará a campanha de Serra pela internet. A atribuição ficou a cargo do tesoureiro nacional do partido, Eduardo Graeff, que contratou uma série de empresas especializadas na área. Segundo fontes tucanas, um dos objetivos é blindar Serra das baixarias que devem se proliferar na web. A campanha nem começou e Graeff já virou alvo de uma representação criminal do PT, em função do site “Gente que Mente”, registrado em seu nome, com várias referências à candidata petista.

Outro exemplo de mudança, está do lado do PT e atinge João Santana, que começou a trabalhar para o partido na campanha de Antonio Palocci à prefeitura de Ribeirão Preto em 2000. Santana não terá o controle sobre as áreas de internet e imprensa, que comandou na vitoriosa campanha pela reeleição de Lula em 2006. As duas áreas ficarão sob responsabilidade do vice-presidente nacional do PT, Rui Falcão. A presença de Falcão na coordenação da campanha de Dilma faz parte das articulações para a montagem da direção nacional do partido feitas durante o 4º Congresso Nacional do PT.

Não é uma divisão das mais lógicas, nem de administração fácil. O processo de acomodação gerou alguns esbarrões. No final de abril Dilma, com anuência de Santana, marcou uma entrevista para o “Programa do Ratinho”, do SBT. Falcão discordou e a entrevista acabou migrando para o “Brasil Urgente” de José Luiz Datena, na TV Bandeirantes.

Gonzalez e Santana têm a mesma origem, o jornalismo (Gonzalez construiu carreira na TV, Santana em revistas e jornais) e ocuparam espaço num mercado dominado tradicionalmente por publicitários. Considerados por muitos como os melhores marqueteiros eleitorais do País, enfrentaram-se diretamente apenas duas vezes, com uma vitória para cada. Na campanha presidencial de 2006 Gonzalez trabalhou para Alckmin e Santana para Lula. Na corrida pela prefeitura de São Paulo de 2008, Gonzalez comandou a campanha de Gilberto Kassab (DEM) e Santana a de Marta Suplicy (PT). A disputa deste ano vai ser um primeiro tira-teima.

Arte/iG
Comparação entre os dois marqueteiros


Escolher marqueteiros é como escolher arquitetos. A contratação do profissional pressupõe a adoção de um estilo. Santana é conhecido por tentar buscar uma conexão mais emocional entre o candidato e o eleitor. Gonzalez prefere uma linha de conexão mais racional. Em outras palavras, Santana explora mais os sentidos e Gonzalez mais os argumentos. Pode-se dizer tam,bém que Santana é mais crítico e agressivo. Em entrevistas admitiu que a disputa política pressupõe alguns empurrões. Às vezes dá certo como em 2006, quando colocou Alckmin nas cordas ao criticar as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso.

Outras vezes dá errado. Na corrida municipal de 2008, o locutor do programa da candidata Marta Suplicy, feito sob sua direção, perguntava se o candidato do DEM, Gilberto Kassab, que acabou ganhando a eleição, era casado. A solução pegou tão mal, que Marta se sentiu na obrigação de dizer que não havia aprovado aquele programa. Com dois anos de atraso, ela pediu desculpas formalmente ao prefeito, em entrevista à TV. Foi de Santana a sugestão para que Palocci, em 2000, registrasse em cartório um compromisso de não deixar a prefeitura de Ribeirão Preto para se candidatar nas eleições de 2002. Acabou deixando para ser ministro no governo Lula. A estratégia fez escola. Na disputa municipal de 2004 Serra fez a mesma coisa em relação à prefeitura de São Paulo, que abandonou para concorrer ao governo em 2006.

Gonzalez é considerado um marqueteiro sóbrio, mas ousado. Em 2008, na tal eleição em que ele e Santana se enfrentaram, Gonzalez adotou uma solução arriscada, que acabou funcionando muito bem. O programa do DEM criou o personagem “kassabinho”, um boneco inflável de olhos esverdeados e ar bonachão, que representava Gilberto Kassab. A ideia tornou Kassab mais conhecido, e muito simpático. No início da carreira, Gonzalez também deu suas caneladas. Em 1998, a campanha de Covas divulgou uma propaganda radiofônica sugerindo que o então líder nas pesquisas, Francisco Rossi, havia agredido a própria mãe na juventude.

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