Contra crise, João Henrique vai enxugar a máquina

31/10 - 16:27

Samanta Dias, repórter do Último Segundo

SALVADOR - Antes mesmo de começar as negociações entre os partidos aliados para definir a composição do primeiro escalão em seu segundo mandato à frente da Prefeitura de Salvador, João Henrique (PMDB) se reuniu, na quarta-feira, com uma empresa de consultoria para tratar do enxugamento da máquina administrativa da capital baiana. A intenção é diminuir os gastos públicos para se prevenir contra os efeitos da crise econômica mundial, mas pode afetar também algumas promessas de campanha.

 

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O prefeito de Salvador pretende contratar o Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG) para realizar uma avaliação que aponte os setores onde a administração tem mais despesas e é menos eficiente. O instituto também atuou para o governo do Estado de Minas Gerais, a pedido do governador Aécio Neves (PSDB). No Estado, o número de secretarias foi reduzido de 21 para 15, superintendências e cerca de três mil cargos de confianças foram extintos.

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João Henrique no dia do 2º turno
Segundo o secretário de Comunicação de Salvador, André Curvelo, no cargo deste janeiro deste ano, o relatório da consultoria servirá de alicerce para a reforma administrativa da prefeitura. “O mundo é muito dinâmico, a prefeitura precisa se adaptar, saber qual será o impacto da crise e de que forma pode se adaptar a este impacto”, comenta o secretário. E completa: “Até mesmo pelo fato de a Prefeitura de Salvador ter uma arrecadação pequena para uma cidade de seu tamanho, nós estamos sempre apertados”. 

O prefeito reeleito terá a sua disposição, em 2009, cerca de R$ 2,9 bilhões de orçamento. Deste valor, apenas R$ 205,4 milhões estão disponíveis para investimentos na cidade. Os números, no entanto, são estimados e podem encolher dependendo da força com que a crise econômica abalar o País. 

Curvelo afirma que o prefeito não vai aumentar o IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano), maior fonte de renda municipal, para angariar mais receitas. “Não haverá aumento do IPTU porque, em uma cidade pobre, isso significa mais inadimplência”, diz. Uma das expectativas do prefeito João Henrique é que o relatório do INDG possa apontar maneiras de ampliar a base tributária do município, já que Salvador tem altos índices de informalidade. 

O principal projeto de campanha de João Henrique para a área de transporte e infra-estrutura, o Transalvador, pode ter sua execução comprometida pela crise econômica. O projeto prevê a duplicação e construção de avenidas, construção de ciclovias, novos cais para a via náutica, corredores de ônibus, implantação de três trechos do metrô e integração dos transportes públicos. 

O primeiro trecho do metrô da cidade, da Lapa até Pirajá, está na fase final de construção, o segundo trecho, ao norte de Pirajá, tem R$ 468 milhões garantidos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. André Curvelo afirma que, assim como o presidente Lula e seus ministros vêm dizendo, as obras do PAC não sofrerão cortes de recursos por causa da crise. As demais obras do Transalvador, no entanto, como o terceiro trecho do metrô, até Cajazeiras, os corredores de ônibus e construção de avenidas, ainda dependem de parcerias com o governo do Estado e com a União para saírem do papel. 

Questionado sobre a possibilidade de, por causa da crise econômica, essas parcerias enfrentarem demora ou resistências para serem firmadas, o secretário de Comunicação diz: “Esperamos que isso não aconteça”.  

Secretariado 

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ACM Neto na campanha de João Henrique

Segundo Curvelo, o prefeito João Henrique ainda não pensou sobre quais alterações irá fazer em seu quadro de secretários. A expectativa é que o relatório do instituto indique a fusão de algumas pastas e corte de outras, o que diminuiria a quantidade de cargos à disposição dos aliados do prefeito.  

O presidente estadual do PMDB, Lúcio Quadros Vieira Lima, disse que João Henrique ainda não chamou os partidos da coligação que o reelegeu para conversar sobre a composição do primeiro escalão para o novo governo. Em entrevista à reportagem do iG, Lima preferiu não comentar se a tendência do prefeito reeleito é manter os atuais titulares em seus cargos. 

“O prefeito tem declarado desde a campanha que não iria lotear a prefeitura e repetir o mesmo erro que cometeu em sua primeira gestão. Ele vai pegar pessoas técnicas, competentes, não vai priorizar os partidos. Com relação ao PMDB, o partido não será obstáculo para os planos do prefeito”, declarou o presidente. “João Henrique deve estar à vontade para fazer a reforma que achar necessária”, ressaltou. 

Um dos partidos que poderia ser acomodado no segundo mandato de João Henrique é o Democratas, já que o prefeito recebeu o apoio do deputado ACM Neto no 2º turno das eleições. A assessoria de imprensa do DEM declarou que o deputado não pretende participar das negociações e nem indicar nomes de possíveis secretários a João Henrique. Segundo o partido, ACM Neto já retomou sua rotina em Brasília e o acordo com prefeito visava apenas à adoção de algumas propostas do deputado por João Henrique. 

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