João Henrique é reeleito prefeito de Salvador

26/10 - 19:34, atualizada às 22:59 26/10

Redação

João Henrique (PMDB) é o novo prefeito de Salvador. Encerrada a apuração, ele assegurou a vitória com 58,46% dos votos válidos, contra 41,54% de Walter Pinheiro (PT). Os votos brancos totalizaram 2,51%, com 5,58% de votos nulos. A abstenção foi de 19,73%.


Muita gente foi às ruas para comemorar a vitória de João Henrique Carneiro. A rua do comitê central do PMDB foi praticamente fechada. Muitos carros tocaram o jingle de campanha, e os moradores dos prédios vizinhos saíram nas sacadas para comemorar. ACM Neto compareceu ao comitê para cumprimentar o prefeito.

Depois de deixar ACM Neto (DEM) de fora do 2º turno das eleições, a população de Salvador decidiu neste domingo dar um novo mandato ao atual prefeito, João Henrique (PMDB). O petista Walter Pinheiro, apesar de ter crescido ao longo da campanha e de ter contado com a presença do governador Jacques Wagner (PT) durante o 2º turno, não conseguiu vencer a onda de continuísmo na cidade. Veja o vídeo:

A disputa pela prefeitura da capital neste ano pode ser considerada a primeira etapa para definir quem será a maior força política no Estado depois da derrocada do grupo de Antônio Carlos Magalhães, o ACM, que morreu em 2007. O partido do senador, DEM, já havia perdido o governo estadual na última eleição e neste ano, o herdeiro natural do carlismo, deputado Antônio Carlos Magalhães Neto não chegou nem ao 2º turno, apesar de, segundo as pesquisas, ter liderado a disputa até às vésperas da eleição de 5 de outubro. 

Por trás da disputa entre Henrique e Pinheiro, o ministro Geddel Vieira, da Integração Nacional, e o governador Jacques Wagner protagonizaram a queda de braço entre PMDB e PT pela ocupação política da Bahia.

iG

Quem é João Henrique?

O prefeito reeleito de Salvador, João Henrique de Barradas Carneiro, é natural de outra conhecida cidade baiana: Feira de Santana. Ele chegou à capital para cursar Economia na Universidade Federal da Bahia. A carreira política também começou nesta época, quando ele passou a integrar o movimento estudantil da universidade. Como economista, João Henrique trabalhou na Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia) e foi diretor técnico do BahiaPesca.

Filho do ex-governador João Durval e casado com a deputada estadual Maria Luíza Carneiro, foi eleito vereador pela primeira vez em 1988. Na metade de seu segundo mandato na Câmara Municipal, renunciou para ocupar um novo cargo, de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, em 1994.

Em sua segunda reeleição, em 2002, foi o candidato à Assembleia mais votado no Estado, o que abriu caminho para que, em 2004, João Henrique fosse o protagonista de uma das maiores derrota do carlismo na capital. Ainda filiado ao PDT, partido de seu pai, ele foi eleito prefeito de Salvador, vencendo o senador César Borges, candidato do PFL (atual DEM), que era apoiado pelo senador Antonio Carlos Magalhães, o ACM, político mais influente da Bahia na segunda metada do século 20. 

Quando foi eleito para seu mandato à frente da prefeitura da capital baiana, João Henrique estava coligado com o PSDB, adversário do partido de ACM na cidade. No primeiro semestre de 2007, o prefeito deixou o PDT e se filiou ao PMDB, partido do ministro Geddel Vieira, da Integração Nacional. Geddel tenta ocupar o vazio político deixado pela derrocada do carlismo na Bahia.

Arte/US

A campanha
Para a corrida à reeleição, João Henrique contou com o apoio do PTB, PSC, PP, PMN, PRTB, PHS, PSL e PDT. No começo da campanha o prefeito era apenas o terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, com 16%. Para subir, ele aumentou o tom da campanha, criticou seus antecessores na prefeitura, seus adversários e usou a imagem do presidente Lula a seu favor.

Nos programas eleitorais gratuitos na televisão, o maior alvo foi o petista Walter Pinheiro, que, assim como João Henrique, vinha aumentando o número dos seus eleitores. Sob o título “você acha isso certo”, o prefeito exibiu, no mês de setembro, notícias de jornais relatando que o deputado federal, e seu adversário na eleição, havia votado contra o governo, sofrido punições do PT, descumprido promessas com candidatos a vereadores e participado da gestão de João Henrique por três anos, criticando-a após sua saída. 

A dez dias das eleições, outro programa, chamado de “desmascarado”, trazia um morador da cidade dizendo que teve a imagem usada indevidamente pelo candidato do PT em seus programas eleitorais.

Walter Pinheiro registrou na Justiça Eleitoral quatro pedidos de direito de resposta contra a propaganda do candidato à reeleição. Em agosto, quando João Henrique disputava posições nas pesquisas com Antonio Imbassahy (PSDB), o tucano acusou o prefeito de distribuir panfletos que o ofendiam. Os fiscais da Justiça Eleitoral chegaram a vasculhar a sede do PMDB em busca do material, mas nada foi encontrado.

Além da troca de acusações, a campanha de João Henrique também foi marcada pela disputa para usar a imagem do presidente Lula. Em 19 de setembro, ele ganhou no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) da Bahia o direito de usar o presidente em seus panfletos e materiais gráfico da campanha. No dia 25, no entanto, a vitória foi de Walter Pinheiro, já que o Tribunal decidiu que somente candidatos do PT poderiam usar o presidente nos programas eleitorais na televisão.

Isso não impediu o atual prefeito de explorar a imagem do presidente e as parcerias com o governo federal. Para isso, ele teve a ajuda do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira, que fez caminhadas ao lado do prefeito e chegou a dizer que o candidato do PMDB era quem Lula queria ver eleito. 

O último debate do 1º turno foi permeado de ataques. Imbassahy acusou João Henrique de usar o cargo para eleger parentes e foi chamado de mau-caráter pelo prefeito. Na última pesquisa, divulgada pelo Instituto Vox Populi no sábado antes da eleição, o prefeito aparecia em terceiro, com 19% das intenções de voto, abaixo de Pinheiro, com 23%, e ACM Neto, 26%. Seu índice de rejeição, no entanto, havia caído de 36%, em agosto, para 20%. Já pelo Datafolha, João Henrique liderava, com 33%.   

No domingo de eleição, João Henrique votou às 10h da manhã, acompanhado de Geddel Vieira e da presidente do PMDB na Bahia, Lúcia Vieira Lima. À tarde, quando acompanhou a votação da mulher e dos filhos, ele declarou que teria “um resultado muito além do esperado”. Após o final da apuração, com a confirmação de que estava no 2º turno, ele afirmou que “apesar das traições, conseguimos. Sem elas, Salvador já teria um prefeito eleito no 1º turno”.

2º Turno
Para a disputa contra Walter Pinheiro na segunda fase da eleição, o candidato à reeleição, João Henrique, recebeu o apoio do PT do B, PSDC e PRB, além de vereadores do DEM e do PSDB.

Com pouco mais de 11 mil votos de vantagem sobre o petista no 1º turno, o candidato do PMDB recomeçou os ataques dois dias após a eleição dizendo que o PT da Bahia sofre de “falta de caráter” e tem “gente perversa”. 
 
Mesmo sendo adversário político de João Henrique, o ex-candidato e deputado federal ACM Neto (DEM), herdeiro do carlismo, se colocou ao lado do candidato do PMDB no segundo turno. A aliança foi o ponto mais explorado por seu adversário, Walter Pinheiro, para críticas.

O clima de ataques do 1º turno foi retomado pelo candidato à reeleição já na primeira edição do programa eleitoral do segundo turno. O prefeito voltou a dizer que o PT participou de seu governo por quase um ano, ocupando secretarias “sem reclamar”. 

Criticar o PT passou a ser a principal estratégia de Henrique no 2º turno. Proibido de usar a imagem de Lula, o candidato também deixou de destacar as parcerias com o governo federal. Em vez disso, enfatizou que nos 40 meses em que esteve ao seu lado na prefeitura, o PT teria “sabotado” a sua administração.

O candidato do PMDB passou a aparecer à frente de Pinheiro nas pesquisas de intenção de voto apenas no dia 23 de outubro. Segundo o Datafolha, Henrique tinha 50% das intenções, contra 40% para o petista. Até então, os levantamentos apontavam os dois em empate técnico. 

Sobre Walter Pinheiro
Walter Pinheiro nasceu em Salvador e cresceu no subúrbio ferroviário da cidade. Tem 49 anos e está filiado ao PT há 26 anos. Seu primeiro cargo político foi como vereador de Salvador, eleito em 1992. Desde então, foi reeleito vereador e exerceu quatro mandatos como deputado federal. Em 2006, foi o deputado eleito pelo PT com o maior número de votos do Brasil. Na Câmara, é vice-líder do governo desde 2007 e neste ano foi eleito presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação e Informática.

Nos programas eleitorais, a estratégia foi mostrar a biografia do candidato, suas propostas e falar para a população pobre da cidade. O petista, coligado com o PV, PCdoB e PSB, teve 7 minutos e 18 segundos na televisão. Nas ruas, Walter Pinheiro se concentrou nos bairros do subúrbio da cidade, região onde cresceu.

Para a segunda fase da disputa pela prefeitura, Walter Pinheiro recebeu o apoio do PPS  e do bispo Márcio Marinho (PR), da Igreja Universal do Reino de Deus, ex-candidato à vice-prefeito na chapa de ACM Neto. Para fazer frente ao ministro Geddel Vieira, que fez campanha para João Henrique, o governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), passou a comparecer na campanha de Pinheiro, o que não foi suficiente para superar o prefeito nas urnas. 

AE

Reeleito!
Sem ACM Neto para ameaçá-lo no 2º, João Henrique venceu Walter Pinheiro com boa margem

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