Poucas propostas e muitas acusações marcam debate entre candidatos à Prefeitura de Salvador
17/10 - 13:00
Líliam Cunha, especial para o iG
Eles prometeram um debate baseado em propostas, mas o que se viu na noite desta quinta feira (dia 16) foi uma continuação do que já vinha sendo mostrado nas propagandas e nos programas eleitorais dos candidatos Walter Pinheiro (PT) e João Henrique (PMDB). Parece mesmo que as propostas viraram coadjuvantes e as acusações o personagem principal desta disputa.
Transmitido pela Rede Bandeirantes de Televisão, o debate foi dividido em cinco blocos. No primeiro deles os candidatos responderam a perguntas feitas pelos jornalistas da emissora. Pela ordem do sorteio, o primeiro a responder foi o peemedebista João Henrique. Perguntado sobre o que pretende fazer para aumentar os rendimentos da cidade caso seja eleito, João frisou que por muitas décadas Salvador permaneceu sem um plano de desenvolvimento e urbanístico, salientando que hoje a cidade se transformou em uma potência econômica onde foram gerados, em apenas três anos e meio, cerca de 100 mil empregos.
Segundo o prefeito, para que a cidade se desenvolva ainda mais, ele dará continuidade ao projeto para o transporte coletivo mais eficiente através da Trans Salvador, que integrará carros, ônibus, metrô, barcos, bicicletas e táxis permitindo uma maior mobilidade dos transportes, e consequentemente a redução dos engarrafamentos que tomam conta de toda a cidade. Na réplica, o petista Walter Pinheiro disse que o problema do desenvolvimento econômico da cidade é que ela é muito dependente da União. “Mais da metade do dinheiro utilizado nas obras que vemos no município com a finalidade de proporcionar o seu desenvolvimento são recursos vindos da União”, alfinetou o candidato. Na tréplica da pergunta, João afirmou que a cidade vem conquistando potencialidade para obter seus próprios recursos e não depender tanto do governo estadual e da União, como sempre aconteceu. Para isso, ele afirmou que está investindo no fortalecimento econômico dos micros e pequenos empresários e atraindo investimentos de fora.
Para Pinheiro, o mediador Arnaldo Ferreira questionou o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), tema que junto à segurança pública esteve presente em quase todo o debate. Em sua resposta o candidato ressaltou a importância de se ter regras para reger a cidade e criticou o PDDU atual, por julgar que o mesmo não valoriza a capital baiana. “Este PDDU teve apenas dois vetores: o gabarito da orla e a Paralela, ficando de fora a questão do saneamento e os demais bairros da cidade, como Cajazeiras, os bairros suburbanos e a Cidade Baixa. Se eleito vou realizar a conferência da cidade, que irá tratar não só do PDDU, mais também, da lei de uso do solo”, disse Pinheiro.
Do segundo ao quarto bloco os candidatos fizeram perguntas entre si, e a partir daí os espectadores assistiram a um festival de acusações. Em sua pergunta, Pinheiro criticou a aliança feita entre João Henrique e o DEM, do candidato derrotado ACM Neto e do ex-governador Paulo Souto, e com o PR, do também ex-governador César Borges, acusando João de estar reconstituindo a “panelinha” existente nos tempos do carlismo, cujo projeto político o peemedebista ajudou a derrubar em 2006. Depois da alfinetada, questionou que tipo de contribuições estas “figuras”, que a Bahia disse não querer mais, irão dar à prefeitura.
João respondeu afirmando que a contribuição dos partidos citados virá em cima de projetos que estão sendo incorporados em seu plano de governo. O prefeito disse ainda que ACM Neto, Paulo Souto e César Borges têm muitos mais a contribuir com a cidade de Salvador do que o radialista Raimundo Varela, o ex-prefeito Antônio Imbassahy e o bispo Márcio Marinho, candidato a vice na chapa derrotada de ACM Neto, que manifestaram apoio ao petista.
Na sequência os candidatos falaram sobre a saúde municipal, segurança, PDDU, educação e transporte. Pinheiro acusou João de impedir a construção do hospital do subúrbio (obra do governo estadual) e de ser o responsável pela redução dos recursos que o governo destina à cidade de Salvador para o Programa Saúde da Família (PSF). Sobre a permissão da construção do hospital, João assegurou que a mesma seria concedida tão logo o governo do Estado apresentasse os documentos exigidos por lei para a concessão da licença ambiental. Quanto à redução dos recursos do PSF, João culpou a falta de segurança e os baixos salários pagos aos médicos nas gestões anteriores como um dos principais motivos para a dificuldade de achar profissionais que aceitem trabalhar nos postos de saúde. “Quero aproveitar para pedir ao governador Jaques Wagner que reforce a segurança nas proximidades dos postos de saúde, permitindo assim que possamos oferecer um melhor atendimento à população carente da nossa cidade”, apelou o prefeito.
Na troca de farpas entre os candidatos teve ainda a insinuação do petista de que as obras pela cidade são eleitoreiras. “Um governo tem que trabalhar em quatro anos, não em quatro meses”, afirmou Pinheiro, acrescentando que obras de última hora são obras mal feitas. “É aquele asfalto sonrisal”, ironiza o petista. “As pessoas estão vendo que estou trabalhando há quatro anos”, respondeu João.
Lula e Wagner
Assim como no primeiro turno, quando Walter Pinheiro, João Henrique e Antonio Imbassahy tentavam a todo custo exaltar a parceria com os governos estadual e federal, a disputa no segundo turno segue pelo mesmo caminho.
De um lado o petista Walter Pinheiro, que exalta a amizade e os laços existentes entre ele, Jaques Wagner e Lula, defendendo o alinhamento do partido nas três esferas de poder para a cidade de Salvador, como se este alinhamento servisse de garantia para a liberação de verbas e consequentemente o maior desenvolvimento do município.
Do outro lado, o representante do PMDB, partido que representa hoje a principal base de sustentação do governo Lula. Se o PT de Salvador briga pela proibição do uso da imagem de Lula ao lado da de João, João mostra que as obras que vem realizando com esta parceria podem ser vistas por toda a cidade. No meio dos dois estão os eleitores, cansados com essa disputa para saber quem é mais amigo do presidente.
Em outra alfinetada a Pinheiro, João questionou se, caso venha a ser reeleito, o deputado Walter Pinheiro pretende criar barreiras na liberação de verbas oriundas do governo federal. Sem responder à pergunta feita por João, Pinheiro voltou a salientar a importância do alinhamento, dizendo querer aproveitar essa vantagem para fazer mais por Salvador. Irônico, João insinuou diversas vezes que Pinheiro estava disputando a eleição errada, já que seus projetos são cópias de ações do governo estadual e de medidas que compõe o PDDU tão criticado pelo adversário. Ainda com ironia, João disse ao adversário que este alinhamento que ele tanto defende pode não existir em 2010, quando acontecerão as eleições para a presidência e para o governo do Estado.
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