Novos nomes do marketing político travam disputa em Salvador
13/08 - 10:46
Redação
SALVADOR - A disputa pela Prefeitura de Salvador será uma das mais interesantes do País em 2008. A campanha é a primeira sem a força política do ex-senador Antônio Carlos Magalhães, morto no ano passado. E também ocorrerá sem a participação dos gurus do marketing político local: Nizan Guanaes e Duda Mendonça.
Chegou a vez da estréia de novos nomes nesse cenário. E quem começou com a mudança foi o líder nas pesquisas e herdeiro do espólio político do seu avô, o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM).
O candidato é um fiel seguidor da cartilha do seu marketeiro, o gaúcho Adriano Gehres. “Não pretendemos negar o passado porque o deputado se orgulha do nome que carrega, mas é hora de mirar o futuro”, afirma o marketeiro de ACM Neto, que divide o comando da campanha com o jornalista baiano Pascoal Gomes.
De certa forma, Gheres é um “novato” no marketing político - participou apenas das campanhas de Lula em 2006 e do senador Delcídio Amaral (PT-MS) em 2002—, mas ele aposta em seu histórico na publicidade comercial para alavancar a popularidade do candidato e reverter os índices de rejeição de ACM Neto, a segunda maior entre os prefeituráveis de Salvador.
O marqueteiro já foi diretor de criação da Euro RSGC Brasil e da Lew Lara, e atuou em outras agências de peso, como a W/Brasil e a DM9.”A corrida só acaba em 05 de outubro”, afirma. O problema para alcançar esse objetivo é a autêntica muralha da China construída diante de Gheres. O seu nome é Alessandra Augusta, marqueteira do candidato Antonio Imbassahy (PSDB). Ela já trabalhou com gente do tamanho de João Santana, hoje a voz de maior influência junto ao presidente Lula e o próprio Duda Mendonça.
Augusta montou sua própria empresa de marketing político após trabalhar em 23 campanhas. Ela já atuou para dez candidatos a governos estaduais, seis a prefeitos de capitais, outros seis ao Senado e a campanha de José Serra para presidente em 2002.
| Divulgação |
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| Imbassahy, ACM Neto, Pinheiro e J. Henrique |
Como foi bem avaliado em ambas as ocasiões pelos institutos de pesquisa, Alessandra deverá explorar bastante, nos programas eleitorais, as realizações do candidato, tecnicamente empatado com ACM nos últimos levantamentos sobre intenção de voto.
Correndo contra o tempo, o marqueteiro baiano Maurício Carvalho é o responsável pela campanha de reeleição do prefeito João Henrique Carneiro (PMDB). De todos, Maurição, como é mais conhecido no meio, é quem terá no caminho a maior das pedras: o atual índice de rejeição da atual administração. Segundo as últimas pesquisas, ela é pouco mais de um terço de todo o eleitorado da capital.
“Esse índice é justificável, já que ele, como prefeito, é vitrine. Uma outra coisa é que mais de 90% dos soteropolitanos conhecem João Henrique, mas muitos só ouviram falar mal dele, já que o prefeito foi alvo de um ataque maciço da mídia local”, minimiza Carvalho, um dos mais premiados publicitários da área de criação do País. “Para isso, vamos expor o candidato no debate eletrônico, mostrar a história de sua administração em Salvador. E acredito que dará resultado, pois quando assumi, sua rejeição era de 60%”, conclui.
Quem também terá um trabalhão pela frente é outro experiente marqueteiro baiano, Sidônio Palmeira, dono da agência Leiaute Propaganda, que detém um naco substancial das contas do governo do Estado. É da cabeça do publicitário que brotam as principais ações para turbinar a candidatura do deputado federal Walter Pinheiro (PT), cujos votos que o colocaram na Câmara vieram sobretudo do interior.
Como Pinheiro não é muito conhecido pelo grande eleitorado da capital, Palmeira vem tentando colar a imagem do seu candidato a de dois petistas com grande popularidade na Bahia: o presidente Lula e o governador Jaques Wagner, a quem, inclusive, o marqueteiro ajudou a ganhar a eleição em 2006. O xadrez do marketing está armado. Só resta esperar qual estratégia sairá vencedora.
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