Cautela em excesso deixa primeiro debate "morno" em Salvador
01/08 - 14:10
Agencia Nordeste
SALVADOR - No primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura de Salvador na TV, realizado pela Band Bahia, na noite de quinta-feira, os cinco postulantes – Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), Antonio Imbassahy (PSDB), João Henrique Carneiro (PMDB), Walter Pinheiro (PT) e Hilton Coelho (PSol) – adotaram postura quase sempre cautelosa, evitando ataques diretos. Eles buscaram centrar a discussão em assuntos como saúde, segurança pública, desemprego e transporte, na tentativa de agradar a audiência.
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O debate foi mediado pelo jornalista Arnaldo Ferreira. O candidato ACM Neto (DEM) começou questionando o prefeito João Henrique (PMDB) sobre os problemas da área de saúde que levaram à decretação do estado de emergência. O candidato à reeleição devolveu, culpando o DEM: disse que ao assumir a prefeitura de Salvador, em 2005, a situação da saúde era de caos, com filas que se formavam desde a madrugada, principalmente em bairros mais populosos. Assinalou, então, que aquela situação foi deixada pelo antigo PFL (hoje DEM), que havia administrado a Capital baiana durante oito anos (1997-2000 e 2001-2004).
O candidato democrata aproveitou a réplica para propor a ampliação do programa saúde da família e o treinamento de profissionais que atuam neste segmento. Na tréplica, o prefeito João Henrique usou de ironia para indagar onde estavam as boas idéias do grupo democrata, que administrou Salvador por oito anos. Acrescentou que, com o apoio do Governo Lula, conseguiu melhorias para a saúde, como as ambulâncias do Samu.
Ao dirigir pergunta a Antonio Imbassahy (PSDB), o candidato Walter Pinheiro (PT) fez referência ao DNA político do candidato tucano, cuja trajetória esteve durante muitos anos vinculada ao grupo liderado pelo senador Antonio Carlos Magalhães. Imbassahy disse que se afastou por divergências de opinião e buscou ressaltar a oportunidade que teve como administrador. Em seguida, o prefeito João Henrique o candidato ACM Neto voltaram a se enfrentar. O peemedebista criticou a gestão do partido do adversário na cidade e citou um discurso inflamado de ACM Neto na Câmara, contra o presidente Lula, para indagar como pretende administrar sem apoios federal e estadual. Neto respondeu dizendo ter aprendido com seus erros e lamentou o tom agressivo contra o presidente. Mas ironizou o apelo ao passado feito por João Henrique. “O prefeito tenta me atribuir responsabilidades sobre coisas que aconteceram quando eu tinha 11 anos de idade”, disse o candidato do DEM.
Em sua argumentação, Neto defendeu um plano de desenvolvimento econômico que defina parâmetros para o avanço dos setores mais carentes da cidade. No direito à tréplica, João Henrique citou o canteiro de obras em que se transformou Salvador durante a sua administração.
No encerramento do debate, o prefeito João Henrique afirmou que a sua administração já realiza muitas das propostas apresentadas pelos demais candidato. E listou conquistas como a construção do metrô. O candidato Imbassahy disse que o discurso do prefeito parecia o de uma pessoa que morava em outra cidade. Citou, então, problemas como o trânsito caótico. E prometeu formar uma equipe que o auxilie a conduzir projetos e ações, como de planejamento familiar. O candidato ACM Neto propôs ações que assegurem o planejamento da cidade do futuro, num modelo em que a Prefeitura assuma responsabilidade e articule com os governos estadual e federal e instituições financeiras internacionais os investimentos necessários para tornar a cidade uma referência nacional. Walter Pinheiro (PT) prometeu transformar Salvador numa Capital do trabalho e renda. Citou a existência de recursos do Governo Lula e criticou gestões que aplicaram mal as verbas disponíveis. Hilton Coelho disse que os adversários eram todos responsáveis pela situação terrível da população de Salvador e enfatizou as propostas em defesa da população negra nos bairros periféricos.
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