Rivais de Dilma levam caso Erenice e controle da mídia a debate

Plínio de Arruda Sampaio liderou as críticas à candidata petista, mas teve o reforço do tucano José Serra

Andréia Sadi e Nara Alves, enviadas ao Rio, e Raphael Gomide |

A uma semana da eleição, as denúncias que resultaram na queda da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e as discussões sobre a relação do governo Lula com os meios de comunicação pautaram as críticas de adversários à petista Dilma Rousseff no debate organizado pela Record na noite deste domingo. Na dianteira das pesquisas, Dilma virou alvo dos rivais logo no primeiro bloco.

O primeiro a mencionar a crise na Casa Civil foi o candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio. "Ou você é conivente ou é incompetente", disse Plínio à rival. Erenice foi braço direito da candidata do PT nos tempos em que comandava a Casa Civil e deixou a pasta na semana retrasada, em meio a denúncias sobre um suposto esquema de lobby no governo. Dilma reagiu: "Ninguém está acima de qualquer suspeita", afirmou a petista, dizendo que o importante é não deixar irregularidades sem punição e investigar os fatos.

Plínio aproveitou para retomar o escândalo do mensalão. "A corrupção já bateu na porta da Casa Civil duas vezes", disse. Dilma, por sua vez, voltou a investir no discurso de que os escândalos só aparecem porque a Polícia Federal os investiga. "Tanto o mensalão quanto esse caso quem investiga é a Polícia Federal", disse Dilma.

O tucano José Serra , entretanto, evitou o confronto direto com a petista em relação ao tema em um primeiro momento. Ao ter a chance de fazer uma pergunta a Dilma, o tucano preferiu criticar o loteamento de cargos nas agências reguladoras. Dilma disse que foi o atual governo que implantou planos de carreira no setor público. Foi só mais tarde, enquanto se queixava do fato de o PT e o governo criticarem a imprensa, que Serra falou sobre o caso Erenice. "Se vizinhança atrapalha, imagine então a da candidata com Erenice", disse o tucano.

Mais adiante no debate, Serra foi questionado pela jornalista Ana Paula Padrão pelo fato de não investir na imagem do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ela lembrou ainda as declarações dadas pelo ex-presidente tucano ao jornal britânico Financial Times , dando como certa a vitória de Dilma nas urnas.

AE
Candidatos à Presidência da República se enfrentam em debate na TV Record
"Eu não fui patrocinado por ninguém", reagiu Serra, aproveitando a oportunidade para alfinetar Dilma. "Esta coisa do Fernando Henrique está mal colocada. Eu falo o tempo inteiro das coisas que eu fiz no governo dele." Escolhida para comentar a resposta, Dilma engatou: "Ele esconde sistematicamente o presidente Fernando Henrique Cardoso", disse Dilma. "Eu não. Me orgulho do governo do presidente Lula".

Dilma, por sua vez, foi questionada pela jornalista sobre os escândalos de corrupção do governo Lula, entre eles o mensalão. A petista rejeitou a afirmação de que a atual administração foi "o governo dos escândalos". "Podem ter certeza de que eu vou apurar de forma sistemática e garantir que haja meritocracia no governo", disse Dilma. "Não vou varrer nada para de baixo do tapete."

Plínio, que comentou, disse que a rival não conseguirá "controlar o PT", até porque não é tradicionalmente do PT - antes de integrar o partido, ela era do PDT. "A Dilma é uma pessoa fabricada. Ela foi fabricada pelo Lula, pelas coisas da cabeça do Lula." Irritada, a petista disse que tem trajetória e nunca foi "da direita para a esquerda"

Bolsa Família

Principal bandeira do governo Lula na área social, o programa Bolsa Família ganhou espaço nos discursos de Serra e da candidata do PV,  Marina Silva . Questionado por Marina sobre como pretende solucionar o problema da pobreza no País, Serra voltou a dizer que vai trabalhar para expandir o programa.

“A minha intenção é fortalecer o Bolsa Família. Esse programa foi criado no governo FHC. Do meu partido e de mim esse programa não houve nenhuma crítica. O Bolsa Família foi uma junção de dois programas do meu partido. Vou duplicar o reajuste do INSS e dos pensionistas”, disse o tucano.

A candidata verde também aproveitou a oportunidade para pedir um segundo turno na disputa presidencial. "Estou percebendo uma verdadeira onda verde. As pessoas querem um segundo turno", disse. A afirmação, entretanto, atraiu críticas do candidato do PSOL. "A senhora está fazendo demagogia com essa história de ir ao segundo turno", ironizou Plínio.

Imprensa

Em meio à polêmica crescente sobre o relacionamento do presidente Lula e os meios de comunicação, os presidenciáveis comentaram também a cobertura dada pela imprensa à corrida presidencial. Perguntado sobre o assunto, Plínio defendeu o controle social da mídia e disse estar havendo uma omissão de parte do noticiário.

Em vez de alinhar o discurso ao do presidente Lula, Dilma saiu em defesa da liberdade de imprensa. "Eu prefiro as vozes múltiplas e críticas da democracia do que o silêncio da ditadura", disse. "Qualquer que seja o posicionamento de um órgão de imprensa, ele tem o direito de dizer o que quiser sobre a minha candidatura e eu tenho o direito de me defender", emendou a candidata petista. Plínio devolveu: "A imprensa tem o direito de dizer o diabo. Mas não tem o direito de omitir. O que está acontecendo é uma omissão".

Estratégia

Horas antes do debate, membros das coordenações das principais campanhas diziam considerar o confronto essencial para definir se a disputa irá ou não ao segundo turno.

O vereador Alfredo Sirkis, um dos coordenadores da campanha de Marina Silva (PV) à Presidência, disse que o confronto de hoje é “o mais importante até o momento”.

O deputado Ivan Valente (PSOL), coordenador da campanha de Plínio de Arruda Sampaio, já adiantava o tom de Plínio no confronto. “Vamos falar sobre o escândalo na Casa Civil, lembrar do mensalão do PSDB e do DEM”, afirmou Valente.

Apesar do favoritismo nas pesquisas, a campanha de Dilma evitava falar em vitória no primeiro turno. O deputado Cândido Vaccarezza, líder do governo na Câmara dos Deputados, disse que a vitória deve ocorrer em qualquer um dos turnos. “Estamos bem preparados para vencer no primeiro ou segundo turno”, disse.

*Colaboraram Cíntia Acayaba, Flávia D'Angelo, Piero Locatelli, Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo

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