Prefeitura tem dinheiro para as prioridades de Paes, diz coordenador de transição
31/10 - 17:16
Paula Paulenas
RIO DE JANEIRO - Logo após a divulgação do resultado do segundo turno das eleições municipais, o prefeito eleito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), já começou a organizar a transição de seu governo. Já na segunda-feira, Pedro Paulo Carvalho, deputado estadual do PSDB, foi nomeado o secretário-chefe da Casa Civil, cuja principal função neste momento é coordenar a transição de governo.
- Eduardo Paes escolhe Rodrigo Bethlem para Secretaria de Ordem Pública
- Eduardo Paes nomeia próximo secretário da Saúde
Desde então, o novo prefeito e o secretário têm articulado as mudanças e demonstram preocupação com a crise econômica mundial. Segundo Pedro Paulo, apesar de a primeira semana ter sido um pouco confusa, a equipe já tomou algumas atitudes, inclusive em relação à questão orçamentária, que pode estar comprometida a partir do próximo ano. “Já temos um calendário pré-organizado para a transição e estamos em contato com um analista de orçamento, para que ele faça uma primeira radiografia econômica da cidade.”
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| Paes com o novo secretário de Saúde |
Sabendo que o Rio de Janeiro, assim como a maioria das cidades brasileiras, terá, provavelmente, um orçamento menor para realizar as propostas que Eduardo Paes fez durante a campanha, o coordenador da transição disse que ainda é cedo para fazer qualquer estimativa de corte de despesa, pois ainda estão recebendo as informações de cada área da administração municipal. “A crise econômica é uma interrogação para todos. Mas estamos estudando uma forma de aumentar a receita da prefeitura, sem aumentar a carga tributária para o contribuinte. Primeiro vamos identificar onde há ausência de controle de gastos para fazermos esse controle, e então reduzir despesas.”
Nesta sexta-feira, no entanto, Eduardo Paes anunciou a criação de um novo órgão, a Secretaria Municipal de Ordem Pública, para cuidar de pequenos delitos na cidade.
Pedro Paulo se mostra confiante no cumprimento das promessas feitas por Eduardo Paes e disse que o atual prefeito Cesar Maia (DEM) não atendeu às necessidades básicas da população por falta de prioridade, não por problemas financeiros. “Não há qualquer dúvida de que é completamente possível cumprir todos os compromissos assumidos. Mesmo com uma possível recessão econômica, teremos dinheiro para as prioridades assumidas na campanha. Ao invés de construirmos a Cidade da Música, por exemplo, podemos investir nas UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) 24 horas.”
Nesta semana, Eduardo Paes já nomeou três secretários para a sua gestão. Além de Pedro Paulo, Hans Dohmann, médico e diretor do Instituto Nacional de Cardiologia, foi escolhido para ser o secretário da Saúde e tem como principal função combater a dengue e instalar as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) na cidade. E, nesta sexta-feira, Rodrigo Bethlem (PMDB), que atualmente é subsecretário de governo de Cesar Maia, foi nomeado o secretário responsável pela Ordem Pública.
Apesar de o novo secretário da Saúde não ser filiado a nenhum partido, de o secretário da Ordem Pública ser de seu próprio partido, e de o coordenador da transição ser do PSDB, Eduardo Paes terá que lidar os outros partidos que o apoiaram nas eleições, e precisará acomodar essas legendas nas secretarias de seu governo.
Pedro Paulo assume que a indicação feita pelos partidos que estiveram ao lado do prefeito poderá ser levada em consideração. “A indicação é muito bem vinda, até porque há áreas em que é melhor que políticos estejam no comando ao invés de técnicos, para facilitar o contato com as pessoas.” E repetiu o discurso que Paes vem dizendo desde quando confirmou-se a sua vaga no segundo turno das eleições: “Se a pessoa for competente e tiver um passado limpo, podemos considerá-la, independente do partido.”
Pedro Paulo não descartou participação da ex-candidata do PCdoB Jandira Feghalli no governo de Eduardo Paes, mas não revelou em que área ela poderia atuar. “Eduardo Paes vai conversar com Jandira, agradecer por todo apoio que ela deu no segundo turno. Mas essa conversa será, primeiro, para agradecer este apoio. Depois pensaremos na questão de indicação. Não sei se ela terá algum cargo no governo de Paes.” Ele negou, no entanto, que o deputado federal Fernando Gabeira (PV), derrotado no segundo turno, possa ter alguma posição de destaque na próxima administração da capital carioca: “Com todo o respeito, o deputado Fernando Gabeira perdeu a eleição. Ele vai exercer um papel importante, mas como deputado que é, voltado para as questões do Rio de Janeiro.”
Cronograma da transição
O coordenador da transição de governo disse que num prazo de dez dias pretende apresentar à Câmara Municipal os primeiros projetos organizados pelos secretários que até lá estarão nomeados, para que os atuais vereadores aprovem o novo orçamento pensando no próximo governo.
Depois disso, está previsto para o dia 17 de novembro uma reunião com a Comissão de Orçamento da Câmara Municipal e, para o fim de novembro ou começo de dezembro, um encontro com todos os secretários para definir os rumos e prioridades para a próxima gestão da cidade. “A idéia de Paes é que no primeiro dia de governo, já na posse, tenhamos um conjunto de projetos para apresentar a nova administração do Rio de Janeiro, e para começar a realizar as propostas do Eduardo Paes, que a população do Rio já aprovou nas urnas”, revelou Pedro Paulo.
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